Entrevista: Skullord – doom metal velha guarda mineiro

Skullord foi fundada em 2014 na cidade mineira Juiz de Fora por Dean Meadows (guitarra, baixo e voz), o que rendeu um single chamado “Face the Doom”. Em 2017, Robert Messorem assume o posto de baterista, fechando em um duo que em janeiro de 2019 lançou sua 1ª demo – “In Death”. O material é composto por 7 faixas encerradas num mergulho ao abismo da velha forma de executar música arrastada, rústica e obscura. Por isso, Dean Meadows nos rendeu a entrevista abaixo.

Ouça a demo deles enquanto lê esta entevista:

1- Saudações! Satisfação em ter os Skullord aqui na SUD. Inicie esta apresentando a banda aos leitores, e nos informe como segue na atualidade.

Saudações Gustav e também a todos os amigos da SUD, espero que todos estejam bem! Somos a Skullord de Juiz de Fora-MG, banda fundada em setembro 2014, com a proposta de fazer Doom Metal influenciado pela velha escola do Doom Metal. Nessa época realizamos uma gravação de ensaio onde saiu o single “Face The Doom”. Em abril de 2015 a banda adormeceu e retornou às atividades em agosto de 2017 com a entrada de Robert Messorem. Em Janeiro de 2019 lançamos a demo “In Death” através das plataformas Bandcamp e Soundcloud.

2 – “In Death” é a demo de estreia do duo, uma qualidade realmente de demo, porém, parece que a intenção foi mergulhar em décadas idas, em busca da velha forma de executar música lenta e obscura, comentem a respeito.

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Dean Meadows

Sem dúvidas! A intenção da banda é a de poder traduzir de forma simples e objetiva, nossa interpretação do estilo. Como somos fãs de metal e rock em todas as suas vertentes, retornamos em 2017 com a intenção de fazer uma profunda releitura de bandas que de certa forma, nos nortearam no passado em nossa formação musical como Black Sabbath, Motörhead e AC/DC por exemplo, dentre outras antes de começarmos a compor. Bandas estas que em seus primeiros trabalhos provaram de que não é preciso rebuscar a música para criar algo cativante e profundo. Daí, nossas composições procuraram atender a essa proposta desde o processo de criação até o de produção.

3 – O apelo púrpura da estética visual da capa da demo, até o visual do duo remete à teatralidade da escola obscura italiana, o que não é novidade, já que o duo cita Paul Chain, Black Hole, Abysmal Grief, Tony Tears e até Jacula como influências, é menos comum ver bandas de doom metal se baseando em tais bandas, você acompanha a atual cena italiana? (tome nota: sou apaixonado pela escola italiana).

“Black and violet are the colours of your funeral”, trecho da música “Black and Violet” da Death SS (onde “SS” são as iniciais de Steve Sylvester fundador da banda, para quem não conhece)  expressa muito bem temática “Horror” no Metal, presente em nosso trabalho! Gostaria de citar mais bandas da Itália que também nos influenciaram (algumas nem são Doom Metal) como a propria Death SS, Zess (antiga banda de Tony Tears), Violet Temple, Mortuary Drape, Antonius Rex, Alexander Scardavian e Il Segno del Comando. Acredito que poucas pessoas se interessam por estes subgêneros do Metal/ Doom, no caso o “Horror Metal” e “Horror Doom Metal”, creio eu talvez por serem vertentes muito pouco conhecidas, talvez até mesmo incompreendidas. Sempre que possível procuramos manter contato e nos informando sobre o trabalho dessas bandas.

4 – Na minha cabeça o som de vocês é bicho solto, se em certos momentos alguma coisa da Itália bate na mente, em outros, a aspereza dos riffs e a bateria rústica me remetem ao doom metal finlandês, fortemente evidenciado na faixa “Lying in the Frost (Burial)”, o que me fez lembrar do finado Minotauri, dos Lord Vicar, início dos Reverend Bizarre, Cardinals Folly, toda aquela nata afundada no gelo, posso afirmar com certeza absoluta que no Brasil nenhuma banda do arrasto manda um som como o dos Skullord, então fica a pergunta, isso aconteceu naturalmente ou rolou uma configuração sonora estabelecida?

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Robert Messorem

Estas bandas também são parte integrante de nossa janela de influências, que sempre estará aberta. Posso dizer que o processo de construção aconteceu naturalmente. Ouvimos música de inúmeros gêneros, que de certa forma contribuíram de forma exponencial para a construção da nossa identidade musical pessoal e, consequentemente, da Skullord. Acredito que pelo fato de não nos limitarmos nesse sentido, propicia uma gama de influências maior a ser explorada isso, claro, respeitando nossa proposta musical.

5 – Como é ter um projeto/banda de doom metal num padrão sonoro ainda mais abismal como o de vocês num país como o Brasil?

É a nossa forma de fazer Doom Metal e assim como existem muitas grandes bandas no Brasil, apresentam suas particularidades entre si o que as tornam mais interessantes. Certamente quem ganha com isso é o público.

6 – Comente sobre o processo de criação e produção da demo In Death, o resultado foi o esperado?

O processo de criação, inicialmente, ocorreu em sessões livres de ensaio onde eu e Robert lançavamos ideias de riffs e ritmos, compondo os trechos das músicas na hora mesmo para que posteriromente cuidarmos para que as letras pudessem ser criadas ou adaptadas de acordo com o resultado final. Esse processo ocorreu de forma intencional justamente para fazer com que a banda criasse uma nova identidade, desde que retomamos em 2017 no “renascer” da Skullord. A idéia da gravação foi de fugir do convencional onde ao invés de se preocupar com padrões e parâmetros essênciais de gravação, entramos em estúdio e tocamos naturalmente tal como fazíamos nos ensaios tentando reproduzir no audio toda a atmosfera que conseguimos criar, tal como um experimento. Por mais que tenhamos iniciado o processo de gravação antes do tempo previsto, por conta de compromissos nossos próximos a data prevista inicialmente, o resultado saiu orgânico como desejávamos, onde nosso produtor Leo Schröder conseguiu dar ainda mais peso e uma “pitada” psicodélica no nosso som com maestria. Desta forma, explorando ainda mais nossa sonoridade de uma forma onde sequer imaginávamos que fosse possível!

7 – A demo foi lançada virtualmente via bandcamp, o material também será lançado em formato físico?

Sim, será lançado em formato físico até o início de Março de 2019 de forma independente. Porém, infelizmente, será com cópias limitadas.

8 – Existe a possibilidade duma apresentação ao vivo? Pretensões para tocar fora de MG?

Sim, existe essa possibilidade.

9 – Findamos esta, grato pelo som e pela presença na SUD, utilize este espaço para acrescentar o que mais quiser.

Agradeço a ti pela oportunidade aqui na SUD e aos amigos pela atenção, desde já convidando a todos que ainda não conhecem nosso som para que possam conferir nos links abaixo, fazendo o download gratuíto da demo In Death em nossa página no Bandcamp, além dos contatos através das redes sociais:

Soundcloud: https://soundcloud.com/user-252809174

Instagram: https://www.instagram.com/skullord_doom/

Facebook: https://www.facebook.com/skullorddoom/

E-mail: skullordpress@gmail.com

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Skullord

 

G.Z/SUD

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