Doom Metal – por que tão impopular? – Ato II, as peripécias dos anos 90 – Parte IV, a manutenção e mais experimentalismos

Com tanta mutação, novas formas de fundir música desacelerada com outras sonoridades, nichos com suas próprias características estéticas, seus próprios embasamentos em relação às letras, gravadoras de grande porte financiando algumas bandas, bandas outrora rudes se tornando comerciais, turnês, participação em festivais de grande porte, video-clipes, entrevistas para principais revistas do mundo, o doom metal já não era tão impopular assim, mesmo que o seu lado mais tradicional permanecesse no limbo do underground.

E quanto as bandas 80’s? Pentagram, Vitus, Candlemass e Trouble continuaram sua jornada, exceto os Pentagram, quanto a sonoridade, as outras 3 foram experimentando alguma coisa diferente, os Trouble acabaram indo pro caminho mais stoner da coisa. Mas no meio disso tudo, alguém tentou manter o lado mais tradicional naquela década? Sim! Principalmente nos EUA, Iron Man, Penance, Revelation, Internal Void, The Obsessed, Solitude Aeturnus, foram algumas das principais bandas daquele país a manter a velha essência. Na Europa, o lado mais “épico” da coisa foi alvo de muitas bandas, que por sinal, gravaram poucos discos, como; Sorcerer (Suécia), Solstice (UK), Scald (Rússia) – 3 bandas que versavam sobre batalhas e mitos nórdicos, os Count Raven (Suécia) numa pegada fortemente sabbhatica, Pagan Altar que apesar de ter sido fundada no fim dos 70, só debutou em 98, cravando seu Heavy/Doom forjado nas fornalhas do NWOBHM. Um selo alemão lançou alguns discos de algumas das bandas citadas, o Hellhound Records, desativado na atualidade. Os Penance conseguiram lançar o seu 2º disco via Century Media, alcançam uma sonoridade única no Parallel Corners. Mesmo que distante da grande mídia, a manutenção do lado lerdo tradicional foi mantida por tais bandas, são bandas da mesma vertente que não soam igual, a velha beleza daqueles tempos, obras de muitíssima importância que, infelizmente, ainda são alvo do esquecimento, e pior, do desconhecimento, por isso, é preciso escrever sobre esse assunto, é preciso trazer à luz dos vivos tais obras.

 

 

 

 

 

https://youtu.be/IeFIbT5xe9M <

https://youtu.be/weLYn1_Ki7k <

https://youtu.be/2E9ENtMtscA <

https://youtu.be/_uzMYp71ZYo <

https://youtu.be/9ZXRQLrSNOE <

Se no artigo passado, falei sobre a fusão com algo mais progressivo, o lado tradicional também teve alguma coisa feita nessa pegada, como as estadunidenses Confessor e Unorthodox. Os Confessor conseguiram a façanha de ter seu debut lançado pela gravadora inglesa Erache, em 91. Um som com uma bateria fortemente trampada, alta pra caralho, uma voz histérica, absolutamente parecido com nada daquele tempo, puta disco ardido e torto. Já os Unorthodox tinham uma veia mais metal 80’s, seu debut não teve o cuidado merecido, mas o 2º disco é de foder!

https://youtu.be/5PocuXBnkVc <

Os Amorphis passaram a investir fortes doses progressivas no seu 3º disco, o Elegy, duas bandas do país vizinho percorreram outro caminho na fusão prog.. Os Opeth com um death metal ríspido, guitarras cortantes que lembravam as dos Katatonia e Dissection, eles alcançariam uma boa fama no meio underground, os Lake of Tears vinham investindo num doom gótico característico dos meados dos 90, seu disco de estreia – Greater Art (1994) é um livro de receita pras bandas que optam por tal sonoridade, mas a mutação por completo ocorreu em 99, quando lançaram o Forever Autumn, ali eles cravam de vez o seu nome na história do metal gótico!

https://youtu.be/R1gZyxQWz-k <

Opeth – Orchid

https://youtu.be/WI8w7EAuSno <

https://youtu.be/BiSmJOMT_ps <

Muitas bandas surgiriam por toda década de 90 pela Europa, algumas delas, trazendo novas referências, características únicas (parecendo) relacionadas a regiões específicas, sonoridades com atmosferas beirando o erudito, o forte flerte com a música gótica. O underground daquele tempo era bem rico, talvez, sem muitas conexões entre aquelas regiões e o resto do mundo. Uma certa roupagem do folk também pode ser notada, uso de violinos, cellos, flautas, a presença da voz feminina cresceu com o tempo, pitadas do black metal nórdico, praticamente um movimento lado B em relação às bandas mais famosas da época, que por sinal, já estavam metidas em outros experimentos. Bandas como Ashes You Leave (Croácia), Galadriel (Eslováquia), Silent Stream of Godless Elegy (República Tcheca), On Thorns I Lay (Grécia), a fase inicial dos alemães Lacrimas Profundere, são exemplos de tal “nova” forma de música lenta melancólica. Tais bandas não conseguiram manter sua sonoridade primordial por muito tempo, algumas ainda aplicam fragmentos do passado, outras mudaram completamente sua sonoridade, e por fim, as que foram encerradas. Outro fato que pode ser apontado é a parte estrutural das músicas, ao mesmo tempo que algo parece soar fora do lugar, é inegável todo o cuidado com a composição das músicas, geralmente bem trampadas, eram músicos estudiosos, no mínimo. Mas se sobrava criatividade e força de vontade, faltava tecnologia e mão habilidosas para polir o som daquelas bandas.

Na Alemanha, um grupo de músicos ligados à música clássica ampliariam os horizontes do lado arrastado sinfônico da coisa. Ativos desde 89, os Haggard só debutaram em 97, até ali, apenas os Therion vinham se aventurando por uma via similar, atraindo a atenção da mídia, mas, com uma grande diferença, Therion era mais gótico e obscuro, Haggard, uma proposta profundamente mergulhada no erudito, letras baseadas na História medieval europeia, astronomia, astrologia, etc… Algo belo de mais para a selvageria do metal.

https://www.youtube.com/watch?v=4wadB0AQnBo <

Mas o disco que percorreu mais lugares do mundo, levando a sonoridade única e suas ideias foi o Eppur si Muove, o 3º play, lançado em 2004. Mais de 20 pessoas participaram de sua gravação, um play mais polido, mais pesado, carregado de uma magia lúdica, letras em inglês, alemão, italiano e espanhol, um disco conceitual girando em torno dos feitos de Galileu Galilei.

https://www.youtube.com/watch?v=dr0QgwMXbfM <

Na Áustria, um sujeito chamado Matthias Kogler escreveu sozinho sua sonoridade, também baseada no lado mais sinfônico da coisa, ele batizou de Estatic Fear. Ele lançou apenas 2 discos entre 96 e 99. Típica melancolia, um som parecido com o dos Emyrium, com o dos Haggard, até com Bathory entre outras coisas da escola nórdica.

Ainda naquele tempo, o lado gótico dos Paradise Lost faria uma galera se aventurar naquela pegada, o som único dos Type O Negative influenciaria diretamente os punk/hard rock The 69 Eyes, o que os fez mudar sua sonoridade, ainda seria um dos responsáveis pela criação dos HIM (não sei se isso é bom ou ruim). Tiamat mergulharia num goth rock metalizado com a marca registrada da banda.

O que podemos chamar de “doom gótico” foi se mantendo pelas beiradas, quase nada sobrou, pior, bandas desconhecidas do público americano lançaram mais de 3, 4 discos, trancafiadas num nicho regional, as grandes gravadoras queriam sempre algo mais moderno, bem polido, exigiam estética visual e sonora ao seu ponto de vista. Uma que poderia ter alcançado mais brilho nisso tudo é a Cemetery of Scream, da capital polonesa.

E nessa onda do doom gótico, uma banda mineira se destacou, os Silent Cry, contando com 5 discos e um DVD, é o principal nome do estilo no Brasil, até porque, das poucas bandas que foram por este caminho, quase nada sobrou, ou foi mais além de demos/EPS.

Creio que só restem estilhaços dos anos 90, nos próximos atos será inevitável não voltar um pouco no tempo, tudo o que virá, será a continuidade do que foi dito até aqui. Os anos 2000 ficou marcado por uma saturação e acabou trazendo novas formas de fazer música velha, mas isso fica pra próxima.


 

G.Z/SUD

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