Solitude Aeturnus – Desacelerar é a Lei!

Tudo começou na primavera de 1987 no Texas, se formando na mente de John Perez, um sujeito que vinha fazendo barulho com uma banda chamada Rotting Corpse, adeptos do Thrash 80’s, Perez ficou na banda de 85 a 87, até perceber que aquela não era bem sua praia, atormentado por Witchfinder General, Vitus, Nemesis, Sabbath e afins, se lançou então pro lado mais desacelerado e pesado da coisa, dando início a uma das maiores entidades da música pesada desacelerada da face da terra. Primordialmente sob o batismo de Solitude, Perez convida 4 caras para integrar o primeiro esboço de sua nova empreitada, assim nasce a 1ª demo intitulada Justice for All (7 meses antes do disco dos Metallica). Após intensos ensaios, a demo é gravada em janeiro de 88, contendo 5 faixas de um Doom Metal cortante até o talo.

Consta na biografia da banda que alguns shows foram realizados após o lançamento da demo, porém, sem uma recepção satisfatória, já que no ambiente em que a banda estava inserida, Doom Metal era como um bicho de 7 cabeças que ninguém entendia muito bem, mas nada que abalasse a teimosia de Perez e sua trupe.

Ainda em 88 o line-up passa por uma reformulação, é nesse momento que um dos maiores vocalistas do metal cai pra dentro da brincadeira, Robert Lowe, sua voz causaria tamanho estrago no mundo do Doom Metal que chega a ser ridículo qualquer sujeito que se aventure nesse meio não aprender um pouco com esse Mestre. Naquele ano, o nome da banda também foi modificado, acrescido a palavra Aeturnus, uma grafia errônea da palavra latina “Aeternus”. A primeira empreitada com a nova formação rendeu uma demo de duas faixas gravadas entre dezembro de 88 e setembro de 89.

As duas faixas chamaram a atenção dum selo chamado King Klassic, o que renderia um contrato para o lançamento do debut, orçado em 3000 dólares. A banda entra em estúdio no início de 1990 para gravar as 8 faixas, mas algo deu errado na mixagem, o que fez o disco ficar encalhado por um ano até a cagada ser concertada. Recuperadas as guias, foi possível remixar e concluir o disco, mas nem tudo é maravilha, com a master pronta, agora o problema era o financiamento dos discos pelo selo, que estava sem grana. Foi então que o famoso selo Roadrunner (Roadracer na época) entrou na parada, prensando o debut em CD e K7, sendo lançado só em julho de 91.

formação que gravou o Into – Edgar Rivera, Perez, Lowe, John Covington e Lyle Steadham

https://www.youtube.com/watch?v=oFndxOc7Qhs&w

Into the Depths é um disco sombrio, mas a qualidade da banda merecia um melhor polimento. A banda tinha material suficiente para gravar seu 2º disco quando o debut foi lançado, eles não perderam tempo, e após um ano era lançado o Beyond the Crimson Horizon, com um orçamento maior, gravado no estúdio onde tudo começou, o Sound Logic Studios em Dallas, desta vez, a Roadrunner lançou a obra nos 3 formatos (Vinil, CD e K7), com uma boa distribuição, com uma maior qualidade, o disco rendeu um tour pelos EUA no fim de 92.

formação que gravou o Beyond, mesma do Into

 – https://www.youtube.com/watch?v=YAF4giSVZWk&w

93 se inicia com o rompimento com a Roadrunner, o que Perez chama de “alívio”, pois relata que a gravadora nunca os prestou um suporte adequado, no fim do ano, assinariam com um selo chamado Pavement Records. Eles tiram o ano de 93 para se dedicar ao novo disco, tempo suficiente pra criar todo o escopo daquela que muitos consideram a obra prima da banda, o maravilhoso e destroçador Through the Darkest Hour. No início de 94 a banda parte para a Inglaterra para gravar o seu já citado 3º disco no Rhithym Studios, no que Perez descreve: “este foi o melhor trabalho da banda até hoje, mostrando uma direção mais simples e mais pesada“. Impossível discordar do Mestre! Com uma produção superior, com uma lapidação redondinha em relação ao conjunto da obra, aclamado pela crítica da época, Darkest foi lançado em novembro de 94 e rendeu uma tour em solo estadunidense ao lado dos Mercyful Fate, além da 1ª tour europeia ao lado dos conterrâneos Revelation.

https://www.youtube.com/watch?v=9ZXRQLrSNOE&w

Darkest trás um modo americano de executar uma sonoridade encabeçada pelos Candlemass, com conceitos mais abstratos do que os suecos, um som mais trampado, com uma pegada típica da escola americana, o que faria anos depois, Lowe cruzar o caminho da entidade sueca.

É hora de desacelerar. Perez resolve investir no seu “lado fritação” e inicia sua nova empreitada, o Liquid Sound Company, o projeto de rock psicodélico, ele chega a fundar um selo chamado Brainticket Records, por qual lança o debut do seu projeto. LSC lançou mais 2 discos, teve a participação de membros dos SA, o projeto parece seguir ativo.

Downfall ganha vida no fim de julho de 96, com uma proposta mais experimental, a lapidação não ficou do agrado da própria banda, até consideram o disco como o mais fraco da jornada. De fato a qualidade sofreu uma queda em relação ao Darkest, mas seria leviano demais chamá-lo de ruim. Rolou até um cover da faixa Deathwish dos Christian Death.

https://www.youtube.com/watch?v=Fpwq28D_Hg8&w

96 marca mudanças na formação, o baixista Lyle Steadham pula fora da banda após gravar o Downfall e monta uma banda punk chamada Killkreeps, substituído temporariamente por Teri Pritchard (Last Chapter) naquele mesmo ano, a banda realizou uma tour europeia ao lado dos Morgana Lafey. Steve Mosley cai pra dentro e assume o posto de baixista definitivo, um cara que já era apreciador do som dos SA. Com tudo no esquema, a banda passa o ano de 97 trampando em sons para o próximo disco, o contrato com a Pavement é quebrado, em dezembro do mesmo ano, assinam com a Massacre Rec., era o aval necessário para retornarem a Londres para gravar o 5º disco – Adagio no Rhythm Studios. Muito superior ao Downfall, Adagio carrega uma vez mais a simplicidade, é direto, cortante, um peso dilacerante, o que prenunciaria mais uma obra absurda, praticamente o ápice, o Alone, lançado 8 anos depois. Adagio foi gravado em março de 98 e lançado em junho do mesmo ano. Segundo Perez, Adagio foi o disco que mais causou impacto na história da banda até aquele momento, foi o play que mais se proliferou pela Europa e América, rendeu mais uma tour europeia, desta vez, acompanhados pela banda Savior Machine. Perez canta na balada “The Fall”, sua voz grave embalada por violões faz qualquer leite com pera do neofolk pagar um pau, o disco é encerrado com o cover matador de Heaven and Hell.

formação que gravou o Adagio

https://www.youtube.com/watch?v=TZheViKNPro&w

Justice for All é relançada em 2000, após isso, a banda passou por um longo hiato. Lowe passa a integrar os Candlemass em 2006, ano em que o Alone foi lançado, o longo tempo de maturação do disco foi de grande valia, é maduro, totalmente convicto de onde queria chegar, menos melódico que o anterior, mais pesado, obscuro e desolador, fruto de anos de persistência de, principalmente, 2 caras (Perez e Lowe) que sabiam muito bem o que estavam fazendo. Alone é simplesmente uma aula para qualquer um que venha a executar música arrastada e tétrica, é um disco que sem dúvidas irá atravessar os tempos eclodindo na memória e no aparelho de som de muitos maníacos mundo afora.

formação que gravou o Alone – Steve Nichols, Perez, Lowe, Moseley e James Martin

https://www.youtube.com/watch?v=nBJuQz1riY0&w

“Scent of Death” é simplesmente uma das faixas mais poderosas do Doom Metal, Moesley passa do baixo pra guitarra, casa muito bem com todo o poderio de Perez, um trampo impecável de guitarra. PUTA QUE PARIU! É um disco simplesmente absurdo, 70 minutos do mais puro creme do arrasto, uma maldita lástima esses lazarentos não continuarem a jornada. Um legado digníssimo de quem andou pelas estradas esburacadas da arte musicada, mantendo sua teimosia, criando obras de extrema importância. Uma vez mais vos digo qual é a função da SUD nesse mar de lama, a SUD existe para cravar essas bandas nas almas daqueles que aqui se aventuram, de igual pra igual, maníaco pra maníaco, escrevo com tesão, com amor, com a mais sincera admiração por aqueles que produziram obras monumentais dessa música renegada, de renegados para renegados. JAMAIS SE ESQUEÇAM DAQUELES QUE SE FORAM, HONREM SUAS MEMÓRIAS!!!

Os Solitude jamais gravaram um clipe, porém, nos deixaram um DVD matador pra caralho, o Hour of Despair, munido de um showzaço gravado no início de 2007, contendo 12 sons mais uma entrevista com Perez e Lowe. Em 2009, foi lançada uma versão do live em CD. Em 2011, outro relançamento da Justice for All, agora contendo faixas de ensaios e afins como bônus, a banda segue parada até o presente momento.

https://www.youtube.com/watch?v=8i_e6daT8eg&w

Lowe passou por outras bandas como, Concept of God (que era praticamente SA sem Perez), banda que gravou apenas um disco e se encerrou, e Last Chapter, onde gravou o debut da banda como convidado. Atualmente ele se dedica às vozes dos Tyrant, uma banda texana da velha guarda do metal tradicional.

Perez continuou com seu selo Brainticket Records por um tempo até encerrar as atividades, ele também atuou como produtor, chegou a gravar 3 discos dos Las Cruces, na atualidade ele trabalha como tour manager.

Última formação:
Robert Lowe – lead vocals (1988–present)
John Perez – guitars (1987–present)
Steve Moseley – bass (1998–2004), guitars (2004–present)
James Martin – bass (2005–present)
Steve Nichols – drums, percussion (2005–present)

Membros antigos:
Kris Gabehardt – lead vocals (1987–1988)
Chris Hardin – bass (1987–1988)
Brad Kane – drums, percussion (1987–1988)
Tom Martinez – guitars (1987–1989)
Lyle Steadham – (1989–1996)
Edgar Rivera – (1990–1998)
Kurt Joye – bass (2004–2005)
John Covington – drums, percussion (1990–2005)

Session:
Teri Pritchard – bass (1997)
David Header – drums, percussion (2005)


Bônus, alguns covers para tributos e afins.

 

 

 


 

G.Z/SUD

2 comentários sobre “Solitude Aeturnus – Desacelerar é a Lei!

  1. Milton Lima

    Minha favorita no Doom Metal!!
    Letras de grande reflexão, sonoridade majestosa e Rob Lowe no vocal = perfeito!
    Música preferida: Mirror of Sorrows.

    Curtir

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