Sons de terras distantes: três bandas pra você sacar

Sabemos que o cenário de bandas dos EUA e Inglaterra principalmente, sempre foi dominante dentro do som chapado, pensando nisso, eu decidi abrir a caixinha de novo do som antigo e obscuro pra fugir um pouco destes lugares, explorando outras partes do mundo. Então separei três álbuns de bandas que estão fora deste eixo pra galera sacar.  Hoje, nós temos a oportunidade de conseguir dar atenção pra diversos tipos de bandas de lugares que a gente nem imagina, mas há quarenta anos atrás não havia internet e muitas dessas pessoas ficaram apenas conhecidas em seus países de origem ou não conseguiram reconhecimento pelo som que fizeram porque não fizeram turnês, distância geográfica de onde estava “a cena”, os discos não venderam, a galera da banda acabava brigando, o público não entendeu nada que eles queriam fazer, essas coisas. Decidi resgatar um pouco do trabalho “perdido” dessa galera que se aventurou a fazer música chapada em terras distantes.


Começo falando do álbum Churchills de 1969, esse disco foi gravado por uma banda israelense chamada de The Churchills. A banda foi formada em 1965 e passou por diversas formações durante a sua existência de oito anos, sendo a formação deste álbum composta por Rob Huxley na guitarra e vocal, Haim Romano tocava bandolim, guitarra e também cantava, Michael Gavriellov era baixista, Amy Trebitch na bateria e Stan Solomon nos vocais. O grupo foi pioneiro no rock israelense e soube muito bem como juntar elementos orientais do som de seu país com aquela sonoridade pop daquele rock inglês psych característico do final dos anos 60. Este mesmo grupo é a formação da banda de hard rock formada em 1971 chamada Jericho Jones, depois mudando apenas para Jericho.

A mudança do nome para Jericho foi uma tentativa dos membros do Churchills de lançar uma carreira de sucesso na Inglaterra e talvez Churchills não soasse tão bem na terra do ex-primeiro ministro. Eles conseguiram um relativo destaque, lançaram dois álbuns, chamados Junkies, Monkeys & Donkeys (1971) e Jericho (1972), tocando também com Rod Stewart, chegando a excursionar até na África do Sul. O som dos caras tem aquela pegada garageira dos anos 60 com direto aquele fuzz típico da época, além de também ter muita influência do rock inglês. O disco é composto por dez músicas bem diferentes, passando por aquelas baladinhas psicodélicas inspiradas numa espécie de Jefferson Airplane e sons mais enérgicos com vocais potentes:


O segundo álbum é o Introduction lançado em 1973 foi o debut da banda Witch, uma sigla para a frase (We Intend To Cause Havoc). O grupo foi formado na Zâmbia em e é conhecido por fazer parte do Zamrock, um movimento de bandas que misturavam rock e blues com elementos africanos durante os anos 70, onde rolava uma diversidade de pessoas fazendo um som.  Se separaram em 1977 por causa de questões pessoais dos integrantes e a epidemia de aids na região matou três integrantes do grupo que era formada por Emanyeo Jagari Chanda nos vocais, cowbells e maracas,  Chris Mbewe na guitarra solo, vocais e violão, Gedeon Mulenga no baixo, John Muma comandava guitarra base e o backin vocal e Boidi Sinkala era baterista. Como o Churchills, o Witch era uma banda pioneira do rock na Zâmbia e conseguiu atrair multidões em um país que estava em uma situação política complicada passando por um período de descolonização e buscavam sua afirmação como Estado nacional. Composto por nove músicas e unindo bastante influência do som local e também do que chegou de fora, o grupo construiu uma sonoridade muito própria com direito a órgão, meia lua, guitarras com fuzz e maracas:


Vindo de uma banda também do continente africano, o Suck destaca a importância de África na formação do som chapado fora das fronteiras da Europa e dos EUA. O terceiro álbum dessa seleção se chama Time to Suck e foi lançado em 1971. A banda formada na África do Sul teve apenas esse play lançado, cheio de influência de Sabbath e bandas como Led Zeppelin e King Crimson, já mostrando uma pegada com peso e psicodelia que seria característica dos anos 70. Um play que com certeza merece ser ouvido diversas vezes. O grupo era formado por Stephen Gilroy na guitarra, Louis Joseph “Moose” Forer tocou baixo, Saverio “Savvy” Grande na bateria, Andrew Ionnides tocou flauta e era o vocalista. O disco é cheio de versões incríveis do King Crimson, Donovan, Grand Funk Railroad, Free, Colosseum e Black Sabbath! O Suck foi aquele tipo de banda que conseguiu colocar a sua identidade nos covers que tocou, pois na verdade apenas uma música do álbum é de autoria própria e infelizmente esse play foi o primeiro e último do grupo que teve a duração da gravação do álbum. O álbum, como eu já disse ali em cima, é um típico hard anos 70 com vários momentos de viagem e só tem clássico, dentre as nove músicas eu separei dois sons que eu gosto bastante:

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