ENTREVISTA: Bang

Dentre os nomes que permaneceram no “imaginário musical popular”, figurando entre os poderosos nomes que se mantiveram ativos um tanto abaixo do radar mas ainda chutando traseiros, talvez a banda Bang seja uma das mais subestimadas, porem certeiras e elétricas. O trio americano, que vem se apresentando em grandes festivais e há 46 anos debutava com seu album auto-intitulado, se prepara para alguns lançamento, entre eles um LP Duplo de coletânea e seu novo album de estúdio.

Esperando por  maiores novidades dessa excelente banda, que recentemente lançou seu best off pela Ripple Music (após a realização da entrevista, já em 2018) confiram uma conversa da October Doom Magazine Brasil em 2017 com Frank Ferrara, o carismático vocalista/baixista e membro fundador da banda!

Bright Lights

ODM: Ei! Obrigado pela atenção com a October Doom, é uma honra. Voce poderia dizer algumas palavras sobre a formação da banda e o começo das atividades?

FRANK FERRARA: Frankie Gilcken e eu eramos amigos da mesma vizinhança e começamos a tocar juntos em nossa juventudade. Duas semanas depois de Woodstock, colocamos um anúncio no jornal e Tony Diorio respondeu. Frankie e eu tínhamos 16 anos na época… Tony tinha 26. Aquele foi o começo para nós. Começamos a compor e criar nossos sons juntos imediatamente.

ODM: Quais bandas e sonoridades foram as principais na influência da banda no começo?

FF: Eu diria que um pouco de tudo… De Beatles a Cream, Hendrix a Sabbath…Amávamos muito a música e eramos como uma esponja, misturando toda a música do meio dos anos 60. Nós formulamos “nosso som” ouvindo de tudo.

ODM: Particularmente incomoda vocês um certo rótulo, a comparação de “Sabbath americano”? O que pensa a respeito? (risos)

FF: Eu não diria que isso me incomodou… Só acho que é tolo rotular bandas. Bang tem sua própria assinatura, estilo próprio. Fomos taxados de “Grande Black Zeppelin” e isso para mim foi uma definição apurada. O que me incomoda são as pessoas colocando rótulos em você ao invés de… apenas deixar rolar.

ODM: O primeiro trabalho “Death of a Country” foi engavetado pela Capitol Records naquela época sendo taxado de “anti-comercial”. Em sua visão atual, você acha que essa relação entre o Heavy Rock e o mercado musical evoluiu ou as coisas permanecem as mesmas?

FF: Em alguns pontos evoliu… Em outros, piorou. Eu acho que um album conceitual pode ser aceitado hoje em dia mais do que era em 1971. Nosso problema foi que a Capitol Records era mais direcionada ao Rádio. Eles nos queriam para ser uma “banda comercial Top40”, o que não éramos. Eles erraram a mão em saber como nos divulgar.

negative copy

ODM: Os tempos atuais oferecem uma melhor relação com os selos ou o negócio continua igualmente problemático em determinados casos?

FF: As coisas mudaram drasticamente nos últimos 45 anos. Acho que o problema é haverem tantas bandas e tantos selos. Você precisa ser totalmente original e você precisa de um selo que SAIBA como te divulgar e promover. Esta é a chave.

ODM: Vocês estão lançando um LP duplo nos próximos meses através da Ripple Music, uma das principais condutoras do “rock´n roll à moda antiga” do Underground. Como se estabeleceu essa relação com a Ripple?

FF: Tocamos no festival Psycho California em 2014 e Todd Severin, presidente da Ripple Music, se aproximou de nós para fazermos algo juntos. Acontece que ele era um grande fã da banda e as coisas cresceram a partir dai. Nosso primeiro lançamento será nosso “BOB”, “Best Of Bang”, marcado para um lançamento na primavera. Recentemente fomos abençoados com nosso “BANGstory” virando um livro. Algo com o qual nunca havíamos sonhados, simplesmente virou realidade.

ODM: Falando sobre lançamentos, seu novo álbum de estúdio. Voces anunciaram que começaram a trabalhar em um novo album, e isso é um grande anúncio nesse ano. Há algo mais concreto a ser adiantado em relação a esse novo trabalho?

FF: Se você reparar, todos nossos albums da Capitol soam diferente uns dos outros. Em estilo e substância. Incrivel que tudo tenha sido gravado em menos de dois anos. A mudança de estilo veio da Capitol tentando nos tornar mais comerciais. Toda a idéia sobre o novo album é voltar às raízes e fazer um registro que soe como uma combinação entre nosso album auto-intitulado e nosso album “Mother”. Aqueles dois albums refletem o que nossa sonoridade realmente é: Rock direto com groove. Sobre expectativas… realmente nenhuma. Eu aprendi há muito tempo, e me deixe citar William Shakespeare aqui: “Expectativas são a raiz do sofrimento”. Apenas estamos gratos por voltar à ativa depois de todo esse tempo e ter a oportunidade de ser relevante novamente. 46 anos depois de nosso álbum de estréia ter sido lançado… isso seria algo que nunca aconteceu antes. Mas bem, coisas estranhas aconteceram, há há.

ODM: Voces disseram algo sobre “voltar às raízes” no novo album.O que podemos esperar?

FF: Nossos fãs podem esperar um album muito próximo das raízes da banda. Usando as letras de Tony Diorio, com a incrível guitarra de Frankie e comigo preenchendo os pontos…apenas um incrível album de Rock Clássico!

ODM: Existiu alguma proposta mais séria de tocarem no Brasil? Essa possibilidade pode ser posta na mesa?

FF: Conversamos com alguns produtores sobre a oportunidade de tocarmos no Brasil. Infelizmente, nunca aconteceu. Se alguém puder fazer isso acontecer, estaremos ai em um batida de coração!

ODM: Muito obrigado por seu tempo, significa muito para nós. Esse espaço fica reservado para quaisquer considerações finais. Stay heavy and doomed!

FF: Obrigado pela oportunidade dessa entrevista. Apreciamos o contínuo suporte dos fãs que amam nossa música. Esperamos que possamos ir ao Brasil e chutar alguns traseiros! Tambem chequem os links para nossa “BANGstory” e descubram a história de como as coisas aconteceram com a gente, todos esses anos atrás… de volta a 1971. Obrigado novamente,e…Keep on BANGin!

BANGbook cover

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(TRANSLATION TO ENGLISH)

 

October Doom Magazine: Hi! Thanks for the attention to October Doom, its a honour. Can you say a few words about how was the formation and beginning of Bang’s activities?

Frank Ferrara: Frankie Gilcken and I were childhood friends and began playing together in our early teens. Two weeks after Woodstock we put an ad in the paper and Tony Diorio answered. Frankie and I were 16 … Tony
was 26. That was the beginning for us. We started writing and putting our songs together almost immediately.

ODM: Which bands and sonoritys was the major influences in the band’s early times?

FF: I’d have to say a little bit of everyone… from the Beatles to Cream … Hendrix to Black Sabbath…since we loved music so much we were a sponge … soaking up all the music from the mid 60’s. We formulated “our sound”from listening to everyone.

ODM: Particularly does bother you a certain tag, the “american Sabbath” comparition? What you think about? (laughs)

FF: I won’t say it bothered me…I just think its silly to put “tags” on bands. BANG had its own signature style. We were coined a “GRAND BLACK ZEPPLIN” and that to me was an accurate statement. What bothers me is that people what to put a label on you instead of … just letting it be.

ODMThe first work “Death of a Country” was shelfed by Capitol Records at that time tagged as “anticommercial”. In your today vision do you think this relation between the Heavy Rock and the musical Market has evolved or the things still the same for the heavy rock?

FF: It has evolved in someways… in others … its gotten worse. I think a concept album would be accepted today…more so than in 1971. Our problem was that our label Capitol Records was more radio driven. They wanted us to be a Top 40 commercial band…which we were not. They dropped the ball in knowing how to promote us.

ODM: Would you say the current times offer a better relation with the labels or the stuff still so problematic in particular cases?

FF: Things have changed drastically in the last 45 years. The problem I think is there are too many labels and too many bands. You need to be totally original and you need a label that KNOWS how to promote you. Thats the key.
ODM: You guys are releasing 2 double LPs in next months through Ripple Music, one of the best purveyors of underground old fashioned rock´n roll. Who made the first contact and how this connection was developed?

FF: We played Pycho Fest in California…in 2014 and the president of Ripple Music…Todd Severin…approached us about doing something together. It turns out he was a big fan of the band and things grew from there, our first release will be our BOB record…the best of BANG… set for an early spring release. Recently we were blessed to have our BANGstory turned into a book. Something that we never dreamed of…that just became a reality.
ODM: Talking about upcoming releases, your new studio álbum. You already announced that started to work in a new álbum and its a great announcement for this year. There’s anything solid to be said about in advance about this new release? What are your expectations?

FF: If you notice all of our Capitol Albums sound different from each other. In style and substance. Amazing since everything was recorded in less than 2 years. The style change came from capitol “trying” to make us more commercial. The whole idea of a new album is to go back to our roots and make a record that sounds a combination of our S/T BANG record and our MOTHER album…those two albums reflect what our sound really is. Just straight ahead ROCK with a GROOVE … As far as expectations…we really have none. I learned a long time ago…let me quote William Shakespeare that … “expectations” are the root of all heartache. We’re just grateful to get back on the horse after all this time and to have an opportunity to become relevant again… 46 years after our debut album was released…that would be something thats never happened before…but hey
stranger things have happened…ha ha…

ODM:  You said you´re “going back to original sound” in the new álbum. What can we expect about?

FF: Our fans can expect a record that will be closer to our roots … using Tony Diorio’s lyrics…Frankie Gilckens amazing guitar and me filling in the dots…just a Classic Rock Album !!!

ODM: Was there any serious proposal to come and play in Brazil? Can this possibility be put on the table?

FF: We’ve talked to a few promotors about the opportunity to play in Brazil. But unfortunately nothing ever panned out. If someone can make it happen…we’ll be there in a heartbeat !!!

ODM: Thanks a lot for your time, means a lot to us. This space is given for any last words. Stay heavy and be doomed!

FF: Thank you for the opportunity to do this interview !!! We appreciate the continued support from our fans who love our music. We look forward to coming to Brazil and BANGin’ serious ass !!! also please check out the links for the BANGstory and find out the story of how we were able to make things happen for us…all those years ago….way back in 1971 !!! Thanks Again and…. Keep On BANGin’….

 

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Um comentário sobre “ENTREVISTA: Bang

  1. Ótima entrevista, ótima matéria. O Bang é um dos melhores grupos de toda aquela leva conhecida como ‘hard setentista que ficou para trás, grupos cult de hard dos anos 70 que só os exploradores da história do rock conhecem’ e coisas do gênero. Definições bobas à parte, os discos que fizeram nos anos 70 são excelentes.
    Valeu!

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