Stoner/Doom, é hora de chapar! – II

Nesta parte vai rolar umas bandas manjadas do rolê, nem vou alongar muita ideia sobre as tais, só deixar registrado vossas existências, caso algum neófito se perca do seu rumo e venha parar aqui, creio que será encaminhado.

Acid King foi formado por Loris (guitarra/voz), Peter Lucas (baixo/voz) e Joey Osbourne (bateria), em San Francisco no ano de 1993, essa formação gravou o debut em 95 e Lucas saiu fora. O maior problema da banda no decorrer foi a fixação de baixistas, 5 deles. O disco de estreia é de um amadorismo pulsante, não sei se foi proposital, se a ideia era se basear na sonoridade dos Sleep daquele tempo, essa característica é típica dos estadunidenses, buscar algo mais crú, mais visceral.

A “evolução” sonora no 2º play é gritante, muito mais peso, preencheram os espaços vagos com reverb e o caralho a 4, Loris lapidou sua voz.

A pegada mais polida seria repetida no disco seguinte – 2005.

O play mais recente foi lançado 10 anos depois do antecessor, traz um som mergulhado na onda mais atual, beira o psicodélico e esbarra na onda post-rock. Joey cai fora em 2017, restando apenas Lori da formação original. O nome da banda é fruto de um livro chamado Say You Love Satan, continha o relato de um traficante chamado Ricky Kasso, apelidado de Acid King, o maluco teria matado seu chegado após ficar muito loco de ácido. Drogas são o tema central da banda, histórias de terceiros e experiências deles mesmos. Outra coisa interessante é o fato de uma banda com mais de 20 anos ter lançado apenas 4 discos e se manter ativa, arrastação total!


1994 – EUA. Com um único disco na sua curta existência, essa banda mergulhou com força naquela onda comercial dos 90 pra extrair ideias, é a escola estadunidense em completo movimento.


1994 – Canadá. Os Sheavy podem ser considerados o 1º “Orchid”, chega ser mais absurdo que os californianos, mesmo que por vezes seja uma luta acirrada pra ver quem é mais chupado dos Sabbath.

O 2º play (98) é apadrinhado pela Rise Above Rec., que lançaria outros títulos, o play encerra os anos 90, mostra um lado mais pesado além de influências gritantes de Kyuss, sem esquecer das fortes pitadas de chapação musicada. Falando em Kyuss… a banda chegou a se chamar Green Machine lá no início, teve que mudar o nome por já existir uma com aquele batismo.

A produção no 2º milênio da era vulgar segue agitada, já rendeu 8 discos, a pegada forte sabbathica não foi deixada de lado, a banda consegue emular algo mais arcaico no som, enfim, pesquise no youtube outros discos e seja feliz, ou o contrário…


Apesar de ter sido formado em 95, os japas pirados dos Church of Misery só debutaram em 2001. A proposta inicial não era falar estritamente sobre psicopatas, nisso um disco seria lançado, o Vol. I, mas, como resolveram tratar apenas de psicopatas em suas letras, o disco foi engavetado em 97, foi lançado em 2007 com o seu título original. O debut oficial trazia como capa uma foto de John Wayne Gacy, também conhecido como palhaço Pogo, condenado pela morte de pelo menos 33 garotos na década de 70, outras figuras horrendas dos states marcam presença na obra. Chega a ser corajoso abordar esse tipo de insanidade nos dias atuais, muitos SK se tornaram celebridades no meio disso tudo, segue o baile… A Rise Above abraça a ideia e lança os japa pro mundo da música chapada e obscura. Outra banda que teve sérios problemas em estabilizar uma formação, principalmente vocalistas, porém, os CoM não sabe o que é ter uma voz limpa, sempre apostaram numa parada mais suja e agonizante, acho que faz sentido.

São 6 discos no total, entre uma caralhada de splits e EPs, samples com a voz dos assassinos permeiam tais obras, é um som feito pra causar mesmo. Um manifesto acabou se tornando polêmico por parte da banda, com a seguinte mensagem:

“We hate trend.
We hate corporate attitude.
We hate the word “Stoner”.
Death to false Stoners.
Let there be Doom!!”

São palavras presentes no disco de estreia, não sei se ainda erguem essa bandeira, se rolou arrependimento, pelo que vejo, não surtiu efeito, a banda é bem cultuada no submundo.


1995 – EUA. Mais uma figura carimbada na fita. Os Bongzilla jogam no time das que escolheram falar abertamente sobre drogas, eles adotaram a marijuana como protagonista das suas ideias, sobrou espaço pra pitadas de política também. O som deles foi marcado por influências do Sludge, mais seco e rústico, sem deixar aquele peso característico ser abalado. São 4 discos no total, além de splits, EPs e coletas. Os 4 discos estão disponíveis no bandcamp da banda.

Acabou rolando um hiato de 2009 à 2015, no momento, a banda segue ativa fazendo shows por aí.


1995 – EUA. Mais uma que preferiu seguir fortemente no rastro dos Sabbath, a banda só debutou em 2003, seguido por um play de 2005.


1996 – EUA. Mais uma figura carimbada por aqui. Goatsnake é uma banda fora do esquadro, sua batida é simples, o vocalista parece incorporar Ian Astbury (mesmo sendo vivo), doses de Blues roque, uso de harmônica, riffs da escola inglesa, batidas africanas, etc… É outra banda que capengou bastante, se arrastando lançaram 3 discos, com um espaço de 15 anos entre o 2º e o 3º. Tá tudo no bandcamp, divirta-se.


1996 – EUA. Creio que os Yob façam uma linha de frente junto dos Sleep e Wizard, mesmo que não sejam tão famosos e os escambau, o que Mike Scheidt e sua trupe trouxeram pro rolê foi único. A iniciação foi tardia, o debut rolou em 2002, atmosferas tortas, uma queda pelo lado #namastê, tudo isso permeado por muito peso, a voz de Mike sempre foi um puta agravante, atinge um agudo com forte residual sujo, eu já cheguei a acreditar que era a voz d’uma mina na bagaça. O ápice de criação da banda foi entre os anos 2000/2011, foram 6 play em uma década. Todos os membros (atuais e que saíram fora) tocaram/tocam em outras bandas, isso fez Mike dar um tempo, o 7º disco nasce em 2014, muito mais lapidado e atmosférico, beira o melancólico. Mergulhe no som deles sem medo!


1996 – EUA. Com alguns EPs e um disco de estúdio na conta, os Warhorse duraram pouco mais que uma década, um pouco torta também, flertando com a escola inglesa.


1996 – Inglaterra. Encerrando com um quarteto barulhento, no som dos Sally vemos o contrário do costumeiro, como uma forte influência da escola estadunidense dos anos 90 no que se refere a som sujo e lerdo. Os lek tem 2 play perdidos por aí (99/2003), sem mais. Não encontrei o debut, talvez o tio Dorrian tenha derrubado, já que foi lançado via seu selo.


 

Que Coffin Joe vos amaldiçoe! – G.Z/SUD

Anúncios

Um comentário sobre “Stoner/Doom, é hora de chapar! – II

  1. Putz, comecei a ouvir as músicas dessa matéria, parei, fui ouvir outras matérias do blog e simplesmente esqueci de terminar essa, por um bom tempo. Bem, vamos lá:
    O Acid King realmente evoluiu pacas em todos os elementos, a voz da mina ficou bem estranha(isso é um elogio);
    Floodgate: não consegui terminar, não é ruim, é mais do mesmo do mesmo do rock pesado estadunidense dos 90´s, com um pé atolado no grunge;
    Esse SHeavy…. realmente, são os grandes adversários do Orchid, chega a ser constrangedor como imitam o Sabbath;
    Church Of Misery é lenda das podreiras sombrias do submundo do metal, não dá para ficar indiferente à música desses japas(músico japonês,quando é pirado, não tem concorrência):sempre causa alguma reação, muitas vezes incômoda, como a verdadeira arte deve fazer. E você escolheu a dedo as amostras desses chapados!
    o GoldenPig vai na toada do Sheavy, a meu ver, nada demais;
    O Goatsnake lembrou um tanto o Floodgate: reto, seco, direto. De fato, há um tantinho de Astbury na voz, mas bem pouco;
    O Yob….pqp!!! Eu já conhecia um tanto, ouvi com toda atenção os plays que postou. Em termos de atmosfera e piração, lembra Zaum, Aqua Nebula, Dool e outras pérolas aqui postadas: lento, atmosférico, torto, uma fusão de orientalismos, piscodelia doida e prog para vagar por universos paralelos(perdõe o papo meio bicho grilo);
    Warhorse(houve um grupo de hard dos 70´s com o mesmo nome) e Sally:tão na mesma linha do Goatsnake e Floodgate, não se destacaram.
    Valeu!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s