Stoner/Doom, é hora de chapar!

É hora de começar a explorar um sub-estilo que se tornou popular no submundo da música pesada mundial, por incrível que pareça, sua origem beira os 30 anos, porém, seguindo na crista costumeira, muita banda se perdeu no tempo, não desenrolou legal, as poucas que conseguiram gravar materiais lá no início dos anos 90 passaram batidas, peguemos o caso dos Sleep, considerada uma banda pioneira, foram ter um reconhecimento só nos anos 2000, hoje a banda é praticamente o ponto inicial pra quem se matricula na escola do Stoner/Doom a fim de fazer um som. Os ingleses, como sempre, além da qualidade superior, usaram artifícios específicos que também se tornariam algo carimbado no meio, os Cathedral com a onda vintage psicodélica e os Electric Wizard com a onda calcada no terror, no desprezo e na publicidade da maconha, aliás, talvez não seja só culpa deles, mas o fato é, não existe figura mais desprezível nesse meio do que o fulano que precisa ostentar o tempo todo o quão é um drogadão descolado, mesmo que fume uma maconha duvidosa repleta de mofo e pague pr’um nóia ir buscar na boca, porque o figura tem medo de colar na favela, com razão, puta otário! Tirando esse lado estético medíocre que o Brasil criou, a musicalidade segue um tanto batida no momento, saturada, muitas bandas estão modernizando o som, flertando forte com a onda post-rock, creio que a fim de fugir dessa situação. Windhand, uma banda mais nova que já parece influenciar a nova leva, Stoned Jesus apostando em algo mais torto que por vezes descartam todo o padrão rítmico do stoner/doom, Samsara Blues Experiment que aliviou no peso pra chapar mais o som, temos 3 bandas com características diferentes, entre um grande mar em que poucas se destacam, e o destaque está justamente no seu experimentalismo, por isso, é provável que o futuro desse sub-estilo sofra uma forte modernização, caso alguma banda queira ter um pequeno destaque. A galera do mais do mesmo continua sem muita pretensão e, no meio disso há os que resolvem experimentar de mais e acabam fazendo uma merda gritante, faz parte, segue o baile…

Bom, seria necessário escrever metade de um livro abordando de forma minuciosa de como o roque arrastado e chapado chegou aos dias de hoje, como esse não é o caso, é melhor seguir com o resgate das bandas que são parte da História e seguem atoladas no limbo.


1990 – Polônia. Já começamos com uma história típica que não deixa de ser curiosa. Os Gallileous iniciaram sua jornada com um som calcado no Death/Doom, beirava até o funeralzão, isso, num tempo em que o funeral doom era engatinhante. Essa pegada durou até 95, rendeu duas demos e a parada morreu.

Saca a dose de rancor contida nessa fita –

Em 2006 a banda foi ressuscitada por Stona (g/v), esse maluco entrou na banda em 1993, ou seja, não pertence a formação original, mas foda-se! O retorno seguia no rastro do que fora feito no passado, com adição de teclado, a coisa começou com um single em 2008 que foi seguido pelo debut.

A receita seguiu consistente num EP de 2009 –

No início da década atual é que a nova proposta passou a ser explorada, uma demo de 2012 é o marco disso, a demo se tornaria o 2º disco, lançado no ano seguinte. É uma parada interessante que mescla o lado meloso com uma onda chapada, bem equilibrado, e original também.

O refino do som chega a ser uma constante no trajeto desses polacos, como é possível notar nos discos seguintes, Yeti Scalp, um single de 2014 termina a transição pro lado mais chapado e vintage, mas eles refinaram mais, tanto que seu mais recente disco soa no rastro de Cathedral e Monster Magnet.


Angel Rot foi fundada em 1988 por um sujeito chamado Tom “5” Guay, ele havia acabado de sair dos White Zombie, mas a sua caminhada na nova empreitada não foi nada fácil, 90 e 91 foi marcado por singles e demos, a coisa piorou, seu único disco foi gravado em 93, Tom foi um dos produtores, mas o play só foi lançado oficialmente em 1999. O som é extremamente caricato a escola estadunidense dos anos 90, tinha mais do stoner roque do que de doom, alguns riffs eram na pegada mais lerda, lembrando um Candlemass, uma explicação pra isso é a de que stoner/doom era algo ainda em germinação.


Tamo embarcando numa onda mais zen, é hora de você acender um e entrar em contato com as divindades, caso você já não seja esquizofrênico, é claro. Não é nenhuma novidade esse papo de espiritualidade no meio do roque, nos anos 60 tivemos a maior onda do paz e amor com um rostinho de “gente evoluída”, mas aí, depois que os Sabbath chegaram com a sua música cinzenta e mostraram pro mundo do roque que paz e amor era o caralho, uma utopia, coisa que burguês ostentava e ainda ostenta, bom, sabemos o que aconteceu… então, eis que uns japas, em 91, se juntaram pra fazer um som lerdo e doido com essa temática, o debut ganharia forma em 96, é um tanto alegre pro que conhecemos, mas, pode ser considerado uma das raízes da galera do incenso, maconha e flores…

Uma faixa dum split lançado em 98, se liga no título dela, pra piorar, os Church of Misery participaram do split, completamente o oposto hahahaha –

Os japa abrem os 2000 com o 2º disco – Spiritualized D, um som massivo, denso, realmente chapado, carregando essa proposta de alcançar alguma outra “consciência”.

Share é um paly em que a banda se aproximou da escola sabbathica e do stoner 90’s…

Após isso, vieram splits, EPs e mais 3 discos, a banda foi transitando pelo que já havia feito, o mais recente disco do trio foi lançado em 2016, com um cuidado em suas gravações e composições, não que seja uma banda absurda, mas a qualidade é notável nos primeiros segundos de audição, coisa que não foi o suficiente pros mano terem algum reconhecimento expressivo. Pelo menos no Japão, a banda segue na boa.


Temos mais um caso de banda que começou pelo caminho mais rude e enveredou pro chapado, os Acrimony, iniciando o rolê em 1991 no País de Gales. Abaixo, a demo de estreia deles.

O lado mais podrão deixou de ser realidade a partir do debut, lançado em 94, o play carregava algum resíduo da escola Death/Doom, um fator que deixa o disco com cara própria.

A transição se completa no EP de 95, roque chapado e derretido, onda zensista, o que hoje é um clichê, naquele tempo era os diferentão do rolê.

Em 97 os lek chegam com um disco mais pesado, possível de ser enquadrado num termo mais moderno pra época, outra banda que passou a apostar em letras voltadas aos conceitos de espiritualidade oriundos de povos orientais.

A última investida rolou num split com os Church of Misery, 5 faixas inéditas gravadas em 99, lançadas em 2003. Era um material de sobra, já que a banda havia acabado em 2001, em 2007, uma coleta é lançada, contendo faixas do split, o EP de 95, além de outras faixas específicas.

Os membros seguiram em duas bandas, Sigirya (stoner metal) e Black Eye Riot (thrash/crossover).


1992 – EUA. O lado mais experimental foi alvo do trio chamado Floor, a década de 90 se resumiu em EPs e splits, a debutagem rolou em 2002, após isso foram mais 2 discos lançados. Quando deram um tempo em 2004, acabaram fundando uma outra banda, chamada Torche, unindo a sujeira do lado lamacento com a modernidade da música pesada, ambas seguem ativas.

Deixo aqui o debut e o disco mais recente dos Torche –


Um trio canadense formado em 92 que sabia já de cara o que queria fazer, os Sons of Otis.

Os mano atravessaram o tempo com 6 discos, mantiveram um intervalo satisfatório entre os lançamentos, não saíram muito fora da casinha durante todo esse tempo, apostavam mais no peso do que no experimento.


1992 – EUA. A 1ª investida dos Snail durou até 95, tempo pra um disco, um EP e um split 4 way. Era um som mais prafrentex do que o comum.

Em 95 a banda se desfaz, os membros originais permanecem fazendo som, não na pegada dos Snail, até que os 3 fundadores retornam em 2008, lançando até o momento 3 discos. Eles disponibilizaram tudo em seu bandcamp, então é só dar um giro lá… A sonoridade atual segue uma linha mais experimental, seguindo na crista do rolê psicodélico.


Partindo pra Nova Zelândia pra falar sobre duas bandas que se fundiram numa só. Datura foi criada por Craig Williamson em 1992, acabou rendendo 2 discos entre 98 e 99, uma verdadeira execução do Stoner Rock 90’s, mas era mais pesado que o comum, com passagens mais desaceleradas.

A farra com os Datura é encerrada em 99, após o lançamento do derradeiro disco, Craig se torna um one-man-band ao se dedicar ao seu projeto chamado Lamp of the Universe, ele foi explorar a música oriental, o que lhe rendeu uma discografia extensa, sendo o projeto ativo até hoje. Em 2008, ele reúne 2 caras pra dar início em uma nova jornada, assim nasce os Arc of Ascent.

Na nova empreitada, Craig e sua trupe investiram forte no peso, na marretada típica, aliando os temas de cunho espiritual, o que lhe rendeu 3 discos até o momento, ele conseguiu manter o seu som inabalado, considero o disco de 2017, um dos melhores do ano. Como todos os disco estão disponíveis no bandcamp, deixo o mais recente aqui.


Pra encerrar essa 1ª investida, uma banda com a mão do senhor Gylve Fenris Nagell, mais conhecido como Fenriz. Valhall foi formada em 87, seu início foi marcado por aquele Black Metal 80’s.

A coisa começou a mudar no debut, completamente na contramão do que faziam nos tempos das demos, o play foi lançado em 95.

No próximo disco (97) o lado roque chapado ganhou mais espaço, mesmo que soe estranho com aquele residual viking, não é um som comum de topar por aí.

Mais de uma década depois, o 3º disco ganhou vida, mais reto e direto, sabbathico e, por incrível que pareça, a formação era a original.

Tio Fenriz ainda teve um projeto solo chamado Fenriz’ Red Planet, lançou um split com o maluco dos Carpathian Forest, o Nattefrost, em 2009. Foi o único registro do projeto, a parada ficava entre a pegada suja dos Darkthrone e doses de Vitus, Pentagram, Trouble… o mano aplicou uma voz que parecia um misto de Reagers com Bobby, ao mesmo tempo que remetia ao seu outro projeto, o Isengard, um troço doido que eu não sei porquê não foi levado a diante.


Sobre a ausência dos Sleep, acredito que o trio mereça uma matéria especial focada na trajetória deles, então é isso que vai rolar, não sei quando mas vai.


 

Que Coffin Joe vos amaldiçoe! – G.Z/SUD

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2 comentários sobre “Stoner/Doom, é hora de chapar!

  1. Bem, não ouvi tudo dessa matéria longa em conteúdo, mas vamos lá:
    o comecinho do Galileous realmente é um proto-funeral doom, bem interessante, lembrou Wounded Wings(ô grupo foda esse!!!). Pena que o vocal, depois, caiu no clichê;mas os últimos discos, piração setentista pura; o início nos teclados da Yet Scalp dava pra confundir com Yes e afins!!!
    O Eternal Asylum, grupo meio estranho na trajetória, o primeiro full album que postou, quando anuncia que vai cair nas pirações psicodélicas japonesas típicas, envereda num som retão e riffento bem mais convencional, as outras faixas também mostram essa irregularidade;
    O Acrimony poderia pirar mais, potencial tinham, mas soa meio acomodado no peso riffento;
    Ouvi somente o primeiro do Floor, e impressionou;
    Sobre os projetos do Fenrir, o que falar que não seja exaltação repetitiva? o cara é um dos mais criativos e doidos do rolê do metal, goste-se ou não da música que ele faz, é fato. Eu não ouvia o play do Valhal há anos, isso sim é viagem chapada, muito grupo que posa de doidão deveria ouvir com toda atenção.
    as demais bandas, ouvirei mais tarde, e depois ouço os outros especiais que não param de aparecer nessa mina inesgotável de música!
    Valeu!

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  2. Bem, finalizando esse rolê(ou quase):
    o segundo play do Floor decepcionou, muito diferente do primeiro, e para pior, modernex demais;
    Já o Torche(ouvi somente o último): que marretada, puta peso reto e poderoso! grande disco;
    O primeiro do Sons of Otis é outro puta disco: pesado, obscuro, meio macabro, os demais ficaram normais demais, não são ruins, mas claramente os cara buscaram um som mais direto e simples, para mim foi o contrário a trajetória deles: deixaram os experimentos e mergulharam no peso;
    O Snail não agradou: modernex demais, parece grunge, principalmente os vocais…
    Ainda não ouvi o Datura, mas o Lamp… já conhecia algo deles, dessa feita fiquei uma cara e tanto viajando nos orientalismos.

    Curtido por 1 pessoa

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