A melancolia no Doom Metal, um mergulho nos anos 90 – Parte VI

1992 – Israel. O único disco dessa banda soa como se fosse a continuação do que deveria ser o disco após o Serenade dos Anathema, ou, se confunde com aquela obra, sei lá…

Arrasando na balada gótica, seria uma resposta pra sleepless?


1992 – República Tcheca. Quase com nome de lugar de fuleragem na capital paulista… o som desses tchecos sucumbiu com o tempo, mais orquestrado que o comum, mantiveram boa parte de suas origens nos 2 discos, parece que tentaram retornar no final dos 2000, sem sucesso, findaram-se de vez.


1992 – Noruega. Essa banda conta com 2 discos na jornada, um fato interessante é a presença do Death Metal cru no som, por mais que flertassem com o lado lerdo e melancólico, mantinham uma pegada rude.


1993 – Rússia. A maneira peculiar dos russos em executar esse tipo de som é algo interessante a ser destacado, parece que a galera mais nova segue essa tradição, hoje, o país exporta mais o lado funeralzera, e importa também. No caso dos Goresleeps, foram apenas 2 discos lançados antes do findar dos 90.


1993 – Itália. A história dos Novembre começou em 90, com uma banda chamada Catacomb, fundada pelos irmãos Orlando, lá foram realizados os primeiros experimentos resultando num EP em 93, mesmo ano que passaram a se chamar Novembre.

A sonoridade feita na antiga banda sofreu forte alteração quando os Novembre ascenderam ao mundo dos vivos, muito mais melancólica e influenciada pela pegada nórdica. Além de estar ativa, a banda conta com 8 discos lançados, hoje, apenas um dos irmãos Orlando segue na banda. O 3º disco foi lançado pela Century Media, que lançaria os 2 seguinte, os próximos 3 discos foram lançados via Peaceville Rec., os mama mia alcançaram um bom lugar no submundo.

Discos compridos, eu não duvido que os cvlt dos Solstafir não tenham bebido da fonte dessa banda, tem muita semelhança. Obviamente eu não vou colocar todos os discos aqui, estão disponíveis no youtube. De fato o som amoleceu com o tempo, era de se esperar, mas alguma coisa do início permanece. Já que acrescentei o 1º, vou deixar o mais recente também.

Hoje a banda se resume num duo; Carmelo Orlando (fundador) e Massimiliano P. (entrou em 97), a dupla é responsável por toda a criação de conteúdo, contratam músicos pra tocar ao vivo ou gravar um play.


1993 – Romênia. Após algumas demos, o debut nasce em 97, é a escola lerda e melosa do leste europeu em puro movimento, se liga no video abaixo, hablas romeno?

Deve ter reparado no nome da banda, Paradise Lost fez muita escola, como já vimos, quase nada sobreviveu. O debut foi lançado oficialmente em K7, um mano postou um video da fitinha rolando, bem loko!

Acho que é um fato que eu nunca frisei aqui, o de que muitas bandas do leste europeu lançaram seus materiais apenas em K7, já não sei explicar o porquê disso, não sou historiador ou antropólogo, se alguém souber algo sobre isso, faça um comentário.

Após o debut, os mano mergulharam num silêncio, foram ramelando até a chegada do 2º disco, em 2013. O 3º disco é lançado em 2017, em ambos, a banda faz uma leitura da nova onda, tem uma certa dose daquele Gothic/Doom dos anos 2000.


1993 – Noruega. Creio que o que esses noruega fizeram no passado, é de lei, lição de casa pra quem se mete a fazer som lerdo meloso com mina no vocal, considerada uma das pioneiras a acrescentar uma soprano em sua música, os Theatre of Tragedy fizeram um percurso bem comum das bandas desse rolê, iniciaram por um caminho mais sombrio, realmente gótico, até caírem por completo no comercial, industrial. No meio do caminho, deixaram discos importantes, entre eles, um que serviu de base pr’um novo tipo de experimentação metálica, o Aégis (98), que marcou a fase intermediária da banda, é um disco completamente perfeito, denso, atmosfera muito bem pensada, divisão de vocais em completo equilíbrio, era um dos embriões do chamado Symphonic Metal (que acabou sendo fortemente difundido pelos nórdicos), porém, o disco também é considerado um marco no dito Gothic Metal, mas essa história eu vou deixar pra quem quiser escrever um livro sobre o assunto.

O debut é lançado em julho de 95, era algo um tanto inovador pra época, mostrava uma originalidade ou pegada própria, mergulhava forte na onda gótica, no romantismo medieval, ainda trazia uns riffs calcados na escola nórdica dos cara pintada.

O disco seguinte chega mais amadurecido, é outra obra que caracteriza bem o que a galera do Symphonic Metal viria a fazer, é um play experimental pra época, nada de esdrúxulo, ainda dentro do contexto. A banda era composta por 7 pessoas, admiro a coragem dessas bandas que parecem famílias, imagino a paciência e o comprometimento dos membros, ou o contrário disso, deus me livre!

Antes do Aégis rolou um EP com 3 inéditas, 2 remixes puts-puts e um cover dos Joy Division. Em 98, seu 3º disco, o mais vendido e o mais famoso deles, acabou apresentando uma nova fase da banda, bem curta, transitória.

Em setembro de 2000, um novo ToT aparece, soava como um Sister of Mercy moderno/industrial cantado por uma mina, já comentei certa vez que os nórdicos adoram um puts-puts, não seria nada d’outro mundo misturar com roque, por lá ainda temos casos como o dos Tiamat e The 69 Eyes, por exemplo. Assim, em outubro daquele ano, o 4º disco é lançado – Musique, via Nuclear Blast, completamente em outra órbita sonora.

O disco seguinte marca o fim da era Liv Kristine, ela passou por algumas bandas até se estabilizar em seu projeto solo, foi uma das várias mulheres a levantar a bandeira do estilo gótico metálico dos nórdicos.

A nova vocalista chegou com um pique mais Sandy, aquela voz de menininha, melosa pra caralho, ornava com o som.

O derradeiro disco (2009) parece ter tentado resgatar algo mais metal, mas a banda já vinha respirando por aparelhos, seu fim foi decretado em 2010.


1993 – Espanha. Mais uma vez uma banda latina com rostinho de escola do leste europeu, durante sua caminhada complicada, lançaram 2 discos com 10 anos de diferença (99/2009).


1993 – Finlândia. Fortemente mergulhados no lado mais melado da coisa, esses mano produziram um EP e 2 discos nos anos 90, um resultado bem satisfatório pra quem curte uma foça no capricho.

Não podiam ficar de fora da onda e se renderam ao lado mais gótico do momento, ficou massa, além de tudo.

Versão demo do disco derradeiro –

Antes de existir os ADG, existiu uma banda com os mesmos membros chamada Morpheus, entre 91/93, eram mais pancadaria…


1993 – Alemanha. Fiz questão de deixar essa banda pro final. Na atualidade, o som dos Lacrimas Profundere parece um cover de HIM mal feito, mas lá nos anos 90, eram adeptos do mais puro roque lerdo romântico, eram músicos medianos, mas tavam cheio de boas intenções num som mais triste.

Eles deram uma melhorada no 2º disco, seguia fiel ao que haviam proposto de início, um pouco mais obscuro.

No ano de 99, é lançado o dico que daria um outro rumo pra banda, ainda completamente imerso naquele romantismo adocicado, naquela coisa de frustração e fracasso, o disco fluiria, era uma outra forma de executar o Gothic Metal, a Napalm Rec., sempre a frente do seu tempo, não poupou esforço pra fazer o som deles vender, deu certo, mesmo que conte com apenas um membro da formação original hoje em dia, L.P segue ativa.

Vai me dizer que isso não parece um cover porco de HIM? Que fase decadente pr’uma banda que soube ser boa mesmo transitando por sons bem diferentes.


 

Que Coffin Joe vos amaldiçoe! – G.Z/SUD

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