Candlemass – Parte II: Experimentações, Abstrakt Algebra, Krux e o projeto de Leif E.

Não seria tarefa fácil preencher o espaço deixado por Messiah, não por ser um balofão, mas por ele ter elevado o som dos Candlemass com suas atuações caricatas e sua grandiosa voz. Leif uma vez mais acaba encontrando um cara envolvido com um trabalho de voz profissional. Thomas Vikström seguiu os paços de seu pai e se encaminhou no mundo da ópera, creio que essa recrutagem acabou abrindo caminho pro lado mais metal de Thomas, mais além, ele passaria a ser história dos Therion como tenor. A voz de Thomas não ornava para a proposta “épica”, por mais que ele se esforçasse em alcançar aquele tom, era evidente que não daria certo, sua voz se acomoda melhor em um tipo de som mais melódico, Leif, já experiente, sacou a situação. Candlemass não era mais o mesmo, nem no som, nem na estética visual, nem nas letras, era mais uma banda de metal quase melódica. O primeiro som gravado por Thomas foi uma faixa pr’um 4 way split pra revista Kerrang!, uma faixa chamada “The Ebony Throne”.

215101

Faixa que estaria presente no Chapter IV, único disco com a presença de Thomas nos vocais. Lançado em maio de 92, é um disco de muita coragem, mais solos do que nunca, uma atuação caprichada de Lasse, teclados para preencher algum vazio, com um pé no prog. outro no gótico. Era só o começo em um novo mergulho no lado mais experimental, foi essa vontade de Leif que ajudou a afastar Messiah, acabaria afastando os remanescentes também.

Uma faixa ganhou um video-clipe, a que abre o disco “The Dying Illusion”, rolou um outro pra “Julie laughs no more”, mas acabou sendo banida pela MTV por mostrar cenas de abuso de droga, uma censura básica no país mais prafrentex hoje em dia.

https://www.youtube.com/watch?v=avvA5TKUPDY

Em 93, é lançado um EP com 4 faixas, eram interpretações de músicas populares da Suécia nos anos 40/50, acabou virando um folk metal, um tanto hilário pra banda.

https://www.youtube.com/playlist?list=PLcJvwsDP1p2abBEbNUihvGSdS2LYhzKgx

Em 94, os Candlemass se separam, Leif inicia seu projeto chamado Abstrakt Algebra, Mike Wead cuidou das guitarras nessa empreitada, pro vocal, um mano que se tornaria frequente nas novas empreitadas de Leif, o Mats Levén. Assim foi lançado oficialmente o único disco da banda, em abril de 95. Uma das capas mais ridículas que eu já vi.

545_photo

 

https://www.youtube.com/watch?v=s9hKqk4IsWk

O som não vinha carregado com o que havia sido mostrado em Chapter IV, até porque, era outra formação, A.A tem um corpinho parecido com Mercyful Fate com uma dose do azedume dos Candlemass, seria o embrião pro Krux e quiçá pro ainda longínquo Avatarium; as outras empreitadas de Leif. O 2º disco foi gravado, mas a banda não gostou do resultado, algumas faixas foram regravadas no disco que marcou a volta dos Candlemass, a versão original foi lançada como bônus em 2006, quando rolou um re-lançamento do Dactylis Glomerata.

Dactylis Glomerata além de marcar o retorno dos Candlemass, marca também a volta do colinho da Music for the Nations, a gigante que fez ecoar o nome da bagunça sueca ao mundo. A gravadora impôs que esse disco só seria lançado por ela se fosse sob o nome dos Candlemass, como dito antes, a maioria das faixas são regravações do que seria o 2º disco dos A.A.. Leif traz alguns caras dos A.A. pra gravar seu novo disco, além de vários convidados participando de faixas específicas, contando apenas com Leif da formação clássica. Dactylis Glomerata não segue os passos de seu antecessor, mesmo assim, ainda está longe de ser o que foi, o vocalista recrutado, é sem sombra de dúvidas, o mais fraco de todos, perde até pro Mats Levén, com um nome desses – Björn Flodkvist. A capa é simplória e parece tentar fazer alusão ao Epicus…, não sei se era desespero ou meteção de loko mesmo. Dactylis foi lançado em abril de 98.

A forte onda experimental continuaria no disco seguinte. From the 13th Sun foi lançado em setembro de 99, trazia um certo peso nos riffs que lembrava algo do passado. O disco abaixo é um relançamento via Peaceville de 2008, contendo 3 faixas bônus, faixas presentes num single de 2001, material que marcou a volta dos 3 caras da formação clássica; Mappe, Lasse e Jan.

https://youtu.be/Zl33CS0yqQY

Em 2002 foi lançado um DVD contendo uma apresentação realizada em 90 na capital sueca, é o mesmo live lançado em CD em 1990, só que agora, em video, esse material acabou prenunciando a volta de Messiah.

https://www.youtube.com/watch?v=LIFZUPl6V0c

Com a formação clássica reunida, acontece uma sequência de shows pela Suécia, um desses resultaria num novo DVD live, o Doomed for Live – Reunion 2002.

17698

Essa reunião ainda tinha rostinho de coisa específica pro DVD, os anos seguintes foram marcados por compilações e, geral sabe, ou já notou que quando uma banda começa a investir em coletas é porque tá ramelando, tentando se sustentar no rolê como pode. As duas coletas (Diamonds of Doom – 2003 e Essential Doom – 2004) traziam faixas da era dourada, nada da fase experimental, singles com faixas antigas foram lançados em 7″, foi uma tremenda bagunça. Mas a formação clássica havia se reunido novamente e gravado o 8º disco, enfim Candlemass retornou com a pegada que cravou o nome da banda na História da música pesada, para a feita, escolheram auto-intitular o disco, que ficou conhecido como white album. A faixa de abertura ganhou um audio-clipe, agora apadrinhados pela Nuclear Blast, o disco rodou o mundo e a banda saiu em turnê, tocando no Brasil em 2006 no Extreme Fest. Por mais que o disco traga uma sonoridade com cara de Candlemass clássico, ele é moderno e mais rápido que o que foi, muito bem trampado, a velha-guarda tava no apetite, mas essa pode ser considerada uma nova fase da banda.

Ainda um novo DVD live foi lançado, continha um show de 2005 num disco, no outro, um entrevista e apresentações raras de momentos diferentes, numa dessas, Thomas fazendo propaganda anti hip-hop cantando uma faixa que gravou em Chapter IV.

Uma vez mais o gênio difícil de Messiah se choca com o de Leif, que vinha com uma ideia mais moderna pro novo retorno da banda, Messiah, ainda adepto do lado mais tradicional, uma vez mais não concordando com aquilo, se retira da banda.

Leif vinha se dedicando em um outro projeto, os Krux, iniciado em 2002. Em 2006, o 2º disco da banda foi lançado, era nitidamente a válvula de escape de Leif, seu som tinha algo dos 70, era mais obscuro, ele aprendeu a separar o que era Candlemass e o que não era, Krux serviu pra colocar Mats Levén no rolê, de vez, sua voz se encaixou melhor do que ele havia feito nos Abstrakt Algebra. Foram 3 discos, o derradeiro foi lançado em 2011, num momento que Leif vinha moldando suas ideias para sua nova empreitada, os Avatarium.

krux_rock

Uma faixa do debut ganhou um video-clipe.

Em 2008, Leif junta uma galera que já havia trocado figurinha de alguma forma, para dar vida ao seu projeto solo, levando o seu nome e tudo mais, um disco composto por 8 faixas que não soaria na cola de suas empreitadas anteriores, creio que seja uma nova etapa do embrião dos Avatarium, tanto que Lars Sköld (também Tiamat) acabou seguindo pro outro projeto, assim como Carl Westholm, que vinha dos tempos do Abstrakt. Não é possível dizer que a voz de Leif sofreu uma alteração pra melhor em relação ao que fizera nos Nemesis e no início dos Candlemass, mas ele tá menos pior nessa, de certa forma, ele conseguiu encaixar sua voz na proposta, a grande cagada foi a capa do disco, ele de preto, capuz, de anjinho? hahahaha essa galera viaja pra caralho.

Na próxima tratarei da chegada do monstro Robert Lowe, seu declínio e o fim com Levén, a criação dos Avatarium e a nova empreitada de Leif, The Doomsday Kingdom.


 

Que Coffin Joe vos amaldiçoe! – G.Z/SUD

Anúncios

Um comentário sobre “Candlemass – Parte II: Experimentações, Abstrakt Algebra, Krux e o projeto de Leif E.

  1. O Chapter VI é um disco diferente, estranho mesmo, comparado aos quatro anteriores(que na modestíssima opinião deste headbanger estão entre os dez discos mais fundamentais de todo doom metal),mas ouvindo após o distanciamento de vários anos do lançamento, isento do radicalismo ‘true’ típico de quando somos headbangers de vinte e poucos anos… que puta disco.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s