Death/Doom Metal: a escola bruta – Parte III

1990 – Finlândia. Os Unholy passaram 2 anos seguindo com outra banda, era de se esperar que fosse o suficiente pra engrenar, porra nenhuma! Tanto que as demos iniciais são o mais puro creme da imundice, musicalmente, a parada parecia ter amadurecido, mas na qualidade… A precariedade era tão grande que a 1ª demo teve sua capa escrita com caneta num pedaço de papel amassado, acho que a ideia não era mandar pra selo/gravadora, era só fazer barulho e ver no que dava.

Em 91 eles capricham numa nova demo, gravaram num estúdio chamado Gorgoroth (aaarrrrghhhhhh satan), instrumentos com captação, mesmo assim, retornaram com o ensaio gravado em um toca fita vagabundo, isso é coisa pros Darkthrone da época, num fode!

O debut é parido em 93, gravado na Austria, cara, isso é seboso pra cacete, as guitarras fazem lembrar Sarcófago, a timbragem da bateria foi uma cagada total, lata pura, parece que rolou uma dose de reverb, ou a acústica do estúdio permitiu um eco, sei lá… pra variar, um disco de estreia com mais de uma hora é de uma coragem admirável.

O seguinte vem pra dar uma limpada nas nhacas, tem sustância, mostra o potencial torto, experimental e bruto dos mano, o baixo parece ser tocado em slap, tem uma carga de swing no meio da bagunça, é um troço doido.

Eles encerrariam os 90 com mais 2 discos, ambos com mais de uma hora de duração, ainda mais experimentais, naquele mundo torto e bizonho deles.

Claro que o tempo foi amolecendo a coisa, nada que beirasse o comercial, conseguiram equilibrar seu lado seboso com o estranhamente adocicado. Eles deram um descanso de mais de uma década, retornam em 2012 para fazer uns shows e lançaram duas faixas ao vivo num EP em 2013.


1991 – Finlândia. Outra banda que acumulou uma pequena experiência com um projeto anterior, chegaram chegando com um disco, seguiram com uma fórmula também cadenciada, na pegada dos Unholy, sem caminhar pelo lado experimental.

A brincadeira durou até 96, lançaram mais um disco em que a proposta sonora sofrera alterações expressivas, riffs do révão tradicional foram adicionadas, quase numa onda do dito Death’n Roll.

Tentaram um retorno no início dos 2000, lançaram 2 EPs mas acabou não vingando.


1991 – Nova Zelândia. Apesar de terem iniciado a jornada no início dos 90, os S. D. só foram ter alguma expressão na 2ª década do MM, lá no passado, ficou apenas uma demo, seu som tinha um rostinho de escola estadunidense.

O mais bizarro é o nome da cidade em que eles residem, Christchurch, deve ser difícil fazer um som do “mal” morando numa city com esse nome, hein.

Aquele som carrancudo da velha escola foi pro caralho. Eu não encontrei uma explicação pro que ocorreu, na real, nem procurei direito, quem se importa? Estão bem produtivos até, com 2 discos, além de EPs. Preciso salientar que é indicado pros que apreciam uma música feia com um jeitinho descolado, cvlt, qualquer babaquice do tipo pra gostos duvidosos.


1991 – EUA. Mais uma do time das que passaram como um raio pelo rolê, com um agravante da Roadrunner ter lançado o único disco do quarteto novaiorquino. O som era a escola bruta estadunidense desacelerada.


1992 – EUA. Essa matéria acabou compilando uma pa de banda pirada fora do esquadro, nem foi intencional, obviamente que não manjo profundamente tudo que aparece aqui, caso você não saiba, é tudo baseado em pesquisas via Metal Archives, a ideia de fazer isso é a de manter um acervo memória sobre o que rolou por esses sub-estilos, devia deixar isso como cartão de visita, vacilei, foda-se!

Manja aquilo que chamam de vocal “ultra gutural”? Então, o vocal passa perto disso, tecladinho, violino, santo deus, chegamos num lugar desse abismo que a parada tá peprécta (alway).

No 2º disco, toda aquela tentativa de atmosfera polida foi melhor trabalhada, agora eles passaram a caminhar por campos floridos, paisagens verdejantes e veados saltitantes, alegres ruminantes, claro que com aquela dose melosa, é um disco bonito em vista do anterior.

A banda seguiu capengando até se dissolver em 2003.


1992 – EUA. Calma amiguinho, essa não é a japoronga que bateu recorde de presença com vocalistas péssimos, incrível a capacidade de fazer merda de certas bandas, um puta instrumental e um dedo podre pra vocal, além do fato dos temas abordados, não sei como a galerinha txuki-txuki lacrante ainda não boicotou eles.

Outro fenômeno interessante aqui, o único disco dessa banda foi gravado em 93, engavetado e lançado quase 20 anos depois, é um som torturante, agonizante, faz frente fácil aos Bethlehem e qualquer banda de Funeral Doom com corpinho dos 90, atrevas-se!

Os mano tentaram investir numa outra banda com uma pegada Stoner/Doom, cambalearam e RIP.


1992 – Canadá. Puta merda, é de doer a distorção usada na única demo dessa banda, não foram muito além disso, contam apenas com um disco na pracinha. De certa forma, o som do play é mais prafrentex que o comum, me lembrou algo dos Triptykon, isso porque o novo conciliábulo de tio Warrior ainda não existia, tem alguma coisa de groove no meio da bagunça também.


1992 – Holanda. Tem coisas que você olha, escuta, para e pensa: “mais porque caralhos fizeram isso”, essa banda tratou de praticar aquela sonoridade mais carrancuda, porém, meteram uma tecladera no meio da parada que acabou ficando fulero demais, parece que a intenção não era criar uma atmosfera com algum tipo de sentimento, parece que queriam preencher um espaço a todo custo, pra piorar, seguiram essa receita até o fim precoce, perseverança é tudo!


1992 – EUA. Olha só, apareceu uma calcada na escola bruta da lerdice, aquele creminho podre escorrendo do único play dos mano, a timbragem tinha um cheirinho de escola bruta inglesa.


1993 – EUA. Pra encerrar com chave de ouro, uma banda cuja o vocalista e fundador se converteu ao cristianismo e partiu como um missionário rumo ao continente africano; “ei povo que crê nos falsos deuses, aceitem a bíblia, preparada como salada fica uma beleza, com um limãozinho então, ó, supimpa”.


 

Que Coffin Joe vos amaldiçoe! – G.Z/SUD

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