A melancolia no Doom Metal, um mergulho nos anos 90 – Parte II

 

Muitas bandas não passaram de demos/EPs, outras, seus materiais são tão raros que não é possível encontrar, ou se encontra pouca coisa, o que me fez não abordar tais bandas, para não estender muito o assunto, também pelo fato de não for possível conhecer melhor a música dessas bandas.


O início dos anos 90 foi um marco para esta nova proposta sonora, como já vimos na Parte I, em 85, em Israel, uma banda chamada Salem tomou forma, em 86, lançaram sua 1ª demo, a 2ª veio no ano seguinte, seguida de um live em videos, esse material continha algumas faixas da 1ª demo mais algumas inéditas, totalizando 12 faixas em quase 50 minutos, um absurdo! O som além da baixa qualidade, mostrava algo bem torto pra época, mantendo sua cara de podreira como mandava a cartilha.

Só em 92 que um EP com uma sonoridade mais “descente” ganhou forma, já um pouco tarde em relação aos ingleses e nórdicos. O material contém 3 faixas em 20 minutos, sua sonoridade se distância das bandas do “panteão”.

O debut nasceria após 2 anos. Kaddish é composto por 10 faixas, com uma sonoridade melhor lapidada, as faixas passeiam por fortes influências do Doom Metal tradicional, reza a lenda que esse disco também acabou influenciando o lado Black Metal, por trazer riffs característicos usados na escola nórdica, além do vocal rasgado. O play também lembra facilmente a sonoridade dos alemães Bethlehem, ambas lançaram seus debuts no mesmo ano, sem dúvidas, um disco de importância não só pro Doom Metal.

Eles não iam deixar de entrar na onda das bandas do “panteão”, seu 2º disco foi lançado em 1998 e trazia uma outra sonoridade, um tanto distante do que se considerava comercial, porém, seguindo por um caminho mais moderno.

Nos 3 discos que sucederam, pouca coisa dessa fase restou, a banda iniciou a sua onda de experimentalismos.


A Holanda foi responsável por um certa quantia de bandas com essa pegada de som perambulando pelo Lado B, no decorrer você irá notar isso. Dead End foi fundada em 88 naquele país, até 93, lançaram duas demos e um EP, a banda decretou o seu fim, seus membros partiram para outras sonoridades. Em 2015, um coleta foi lançada, contendo todos os materiais antigos. Contando apenas com um membro da formação original, em 2016 é lançado o debut, a parte interessante é que conseguiram manter uma estética sonora que remete aos anos 90.


1989 – Alemanha. Após duas demos (92,93), em 95 os Dystrophy debutam, seria o 1º e único disco da banda, 2 membros passaram pelos Pyogenesis, um deles fundou uma banda chamada Danse Macabre que fundiu muito bem o Goth Rock com o metal 80’s.

8 das 10 faixas do debut, influências dos Anathema e Paradise Lost são facilmente notadas.


1989 – Suécia. Não sei porquê essa banda não ficou famosa, seguiram direitinho a caminhada das bandas do “panteão”, seja lá o que tenha acontecido, a música dos Cemetary é a pura expressão do que vinha acontecendo nos anos 90. Após 3 demos, em 92 eles debutam, uma faixa ganhou um clip para a MTV.

No disco seguinte (93), não sei se é pelo fato de serem nórdicos ou se foi influência mas, esse play é um belo misto de Tiamat e Amorphis.

Em 94, seguindo o embalo da época, o som dos mano sofrera uma nova mutação, conseguiram manter o peso e algumas características primordiais, mas é evidentemente um disco comercial, longe de ser um disco ruim, é claro.

Sundown é lançado em 1996, um disco completamente mergulhado no ululante Gothic Metal, marcando a banda com uma sina que se repetiu em muitas bandas. Não é um disco ruim, pra quem é chegado nesse outro sub-estilo é de um bom deleite. Os mano encerram os anos 90 com o 5º disco Last Confessions, seguindo ainda mais fundo no lado comercial, mais moderno do que nunca, após isso, a banda se desfez. O vocalista e fundador Mathias L. iniciou um projeto chamado Cemetary 1213, segundo consta, ele fez isso em função dos caminhos sonoros que sua antiga banda tomou, queria fazer outro tipo de som, um som que não se enquadrava na proposta dos Cemetary, mas já era tarde. O projeto durou apenas 2 anos encerrados em um disco lançado em 2000 – The Beast Divine.

Mathias retorna em 2005 como um one-man-band e lança o último disco dos Cemetary, o cara tava ainda mais mergulhado num som alternativo, também vinha atuando como DJ nas baladas de sua terra, não sei que diabos esse cara tem na cabeça, o disco é completamente desconexo com os Cemetary (até mesmo a fase Goth).

A última peripécia de Mathias (até o momento) foi fundar uma outra banda em 2012, nada expressivo e parece estar parada, o som é um tanto experimental, faz um misto do seu antigo Death/Doom com o Stoner e por aí vai…


1989 – Espanha. Até o ano de 94, esses caras ficaram em demos, 3 no caso, até debutarem em 1995. Eles mantiveram a pegada mais podrona no debut, claro que lapidaram legal o play, referente a proposta, é um disco arcaico para o que era feito naquele rolê em 96, essa é a parte massa.

Em 2000 chegou a vez deles modificarem o seu som e andar conforme a maré, mesmo que um tanto atrasados.

Mais de uma década de silêncio até o lançamento do 3º disco, que, talvez tenha trazido uma sonoridade perdida em algum lugar dos anos 90.


1989 – Holanda. Acho que esses maluco usaram muita droga pra batizar uma demo de “perseguindo unicórnios”.

Duas demos lançadas, uma sonoridade que por vezes parecia ser parte do embrião do que viria a ser o dito Funeral Doom… O debut é lançado em 94, um disco bem intenso, com alterações interessantes, até doses de metal farofa 80’s você topa no meio disso tudo, doses orquestradas que me fizeram lembrar das bandas do Symphonic (Gothic) Metal, entre andamentos mais soturnos que uma vez mais cairiam bem num funeralzão, uma pena essa banda ter passado batido, talvez ela tenha influenciado alguém desse meio mais bucólico… foi o último trampo que a banda lançou.


1989 – Guernsey. Porra, nunca tinha ouvido falar desse lugar, uma ilhazinha do domínio britânico. Seria de se imaginar que a banda sofresse influência da tríade, não? Exato! Me lembrou um Anathema com cara de MDB, inclusive pela inclusão de um violino, só que tocado de uma forma mais burrona. A caminhada iniciou com uma demo lançada em 92.

2 discos foram lançados entre os anos de 95 e 99, encerrando com um EP em 2000. Eles seguiram fiéis ao som que iniciaram, é possível encontrar alguns sons aleatórios deles no youtube.


1989 – EUA. Uma demo caprichada de estreia e uma falta de sorte, oportunidade (pelo visto) fez com que essa banda ficasse a 1ª metade dos anos 90 no limbo.

O disco de estreia é lançado em 1995, trazia uma outra roupagem sonora, introspectiva, lembrando o que os The 3rd and the Mortal já vinham fazendo, porém, com uma certa dose de groove estadunidense, e mais brutal do que o som dos noruegueses, como se intercalassem parte mais de boa com as mais pancadas, um artifício ainda utilizado.

O disco seguinte (98), pegou o que sobrou do anterior e acrescentou uma influências do Sepultura daquela época.


1989 – Suíça. Acho que a banda mais pirada entre as abordadas até aqui. A demo de estreia já apresentava uma inclinação pro lado mais torto da coisa.

No debut eles extravazaram, não sei se tudo aquilo era proposta, ou se eles queriam deixar claro que não queriam fazer parte daquilo que era feito na época, mesmo que a sua base sonora fosse aquilo. De fato, eles acrescentaram muita coisa do Post-Punk e Goth Rock 80’s, e, é provável que não tenham relação com o que veio a ser o Gothic Metal.

O disco seguinte seguiu pelo mesmo caminho, com uma cara mais industrial, o finado Martin E. Ain (Celtic Frost) participou em alguns backing vocals.

A jornada deles se encerra em 97 com um EP, com sua sonoridade abalada por uma pegada Death Rock.


1989 – Holanda. Pode-se dizer que os The Gathering tiveram uma trajetória parecida com a das bandas do “panteão”, porém, não alcançaram a fama e a importância daquelas bandas. A estreia ocorreu em 90 com uma demo ensaio, a base de teclado remetia ao black metal por vezes, n’outras, usado de forma mais torta e experimental já prenunciava que seria um trunfo na sonoridade da banda.

Em 91, mais uma demo, com uma gravação um pouco superior a da anterior.

A debutagem ocorre no ano seguinte, eles seguiram buscando sua própria sonoridade, as bases de teclado uma vez mais extremamente presentes, somadas às bases de guitarras melódicas, que por vezes soa como folk, a participação de uma mulher cantando no disco (como convidada), as mulheres ainda não tinham conquistado o seu lugar no meio daquilo, atuando pouco, em algumas faixas, o que estaria para mudar logo em breve.

No ano seguinte eles apresentam o 2º disco, sua fórmula sonora alterada e, agora, com uma mulher fixa na formação – Martine van Loon, os tornando umas das bandas pioneiras do sub-estilo a conter uma mulher na formação. A sonoridade desse disco serviu de cama para o que seria amaciado no disco seguinte, o mais famoso deles e, um dos mais originais e mágicos que eu já ouvi.

Lançado pela Century Media em 1995, Mandylion trouxe ao mundo uma outra forma de expressão sonora, além de mostrar o grande trabalho duma mulher que é admirada e respeitada até hoje em relação aos seus trabalhos na música – Anneke van Giersbergen, sua voz era poderosa sem ser melosa, trazia magia sem ser algo apelativo, forçado. Mandylion é um sucesso até hoje e um dos discos mais importantes da História da música lerda, sem a menor dúvida.

O disco seguinte tem um rostinho de ser a sequência do Mandylion, pode até ter tentado, mas não conseguiu captar aquela magia.

Foi o marco do fim do lado mais pesado da banda, como era de se esperar, mergulharam numa outra onda, deixaram o lado “gótico”, passaram a fazer algo mais alternativo, atmosférico, como ficaram mais conhecidos, vulgo pra som deprê.


 

Por hora é isso, até a próxima.

 

Que Coffin Joe vos amaldiçoe! – G.Z/SUD

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2 comentários sobre “A melancolia no Doom Metal, um mergulho nos anos 90 – Parte II

  1. Ainda não ouvi nada desse especial, tratei de (re-re-re)ouvir o The Gathering.
    Anneke é uma deusa do metal, que mulher que voz. Você foi preciso e simples: Mandylion é um dos maiores discos do doom, ou doom-gótico, ou o que for(até de prog metal já rotularam esse disco). Mas pensando(e ouvindo) bem, os experimentalismos realmente são bem ousados – e felizes. Aliás, esse disco é um dos mais importantes de toda a música pesada,no mínimo.
    E importante lembrar: o primeiro dos Gatherings também é muito pouco.
    Concordo que Nightime Birds não é tão bom quando Mandylion, mas a primeira faixa…
    Quando concluir a viagem sonora por esse selecionado, posto comentário. Abr.

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