Entrevista com M. Aileen, frontwoman dos The Evil

The Evil ascendeu do mundo dos mortos como um projeto de Iossif, na capital mineira, sua peregrinação em busca de almas perdidas afim de dar forma ao concílio musicado se iniciou em 2012 da era vulgar. A banda segue como um quarteto em sua caminhada dolorosa, rasgando nossas almas com um som afiado, azedo, norteando o clássico e escancarando a causa perdida que é a humanidade. The Evil não mergulha em falsas esperanças, nem em contradições dos hipócritas, é a representação do veneno de nosso próprio ser, é o culto ao abismo! Contando com membros experientes, a banda debutou em meados de 2017 com um disco auto-intitulado, disco que segue rodando pelo antro digital mundo a fora, representando com uma classe absurda a música arrastada e desacelerada brasileira, por isso, M. Aileen aceitou falar um pouco mais sobre todo o conjunto da obra.

 

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M. Aileen – voz

 

Saudações Miss Aileen, inicie esta apresentando a banda The Evil aos leitores, quando, quem e por que deram vida à banda?

Saudações!!! Em abril de 2012, depois de um show onde eu e o Iossif nos conhecemos, uma amiga pediu que eu cantasse N.I.B. e então ele disse: você é a vocalista do meu projeto. Sim, o The Evil nasceu como um projeto. Depois disso viramos a noite num bar do Santa Tereza em BH. Nossa primeira música foi composta no dia 7 de setembro de 2012, a Silver Razor. Naquela época o formato seria um pouco diferente do atual, a ideia era explorar meus graves nas músicas e as letras seriam somente sobre “um tipo de mal”, bem específico. Ao longo desses anos, foram muitos membros, idas e vindas e a banda chegou a acabar algumas vezes. Usando as palavras do Iossif, “THE EVIL é um juramento formado por quatro entidades representando as forças que afundam a humanidade dentro do abismo…”

Um fato que chama a atenção já de cara é a questão das identidades anônimas dos membros, além de pseudos, o anonimato se encontra nas vestes que usam, essa teatralidade tem algum porém especial na obra em si?

Cada nome tem um significado dentro da ideia do mal. O ser humano é mal por natureza e muitas vezes esse mal é colocado pra fora sob formas de terror e horror. Políticos corruptos, religiões fundamentalistas, serial killers e todo tipo de psicopatas, sociopatas e monstros que habitam os seres humanos estão presentes nas letras, nos nossos pseudos. Além disso, um clima místico e mítico permeia as composições, onde é possível encontrar as fábulas que a humanidade sustentou ao longo dos tempos envolvendo magia, obscuridade e quebrando a tensão sobre a realidade. É preciso fugir dos estereótipos, interpretar a realidade e, especialmente, desmistificar a necessidade estética. Seu assassino pode viver ao seu lado. Você escolheu o político que te rouba. Seu líder religioso pode estar abusando do seu filho. Seu deus assiste inocentes morrendo em nome dele. Há uma sacerdotisa, um padre, um assassino e um líder religioso e questionem… Queremos que questionem. O que é a realidade, afinal? O que é o bem e o mal?

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Iossif – guitarra

Um outro diferencial a ser destacado é a sua voz, é praticamente loucura aplicar um vocal operístico no tipo de som que vocês mandam, e é exatamente aí que temos o tesão da coisa, vocês conseguiram encaixar tudo isso, por mais que o som não se preocupe em inovar, esse diferencial na voz se torna um atrativo, comente a respeito.

É um pouco difícil falar sobre uma característica tão minha. Canto desde que me entendo por gente e desde então minha extensão vocal varia de forma tão intensa sendo difícil até a classificação. Nem precisamos comentar sobre nossas inspirações musicais, incluindo outros estilos e nesse sentido, o que procuramos foi encaixar o vocal da forma mais sombria e arrepiante possível, reproduzindo um clima de horror, uma alusão até mesmo a alguns filmes de terror antigos ou o sentimento bucólico do passado.

The Evil trata da auto-destruição humana, trata de nossa complexidade como seres dotados de consciência mergulhados num completo turbilhão de insanidades, além disso, se propõe a galgar sobre temas de cunho sinistro, como é relacionar temas complexos que se complementam por não ser de nosso total controle?

The Evil coloca pra fora na forma musical o mal que vive dentro de cada um e por uma questão ética de controle da vontade não se exterioriza. E quando isso acontece, pode ser considerado uma aberração. O controle da vontade e a manipulação dela também separam um verdadeiro conhecedor das artes ocultas daquele que acha que o é, e mal consegue controlar os próprios sentimentos. A bruxaria e toda forma de ocultismo um dia já foi perseguida e condenada. Vivemos num país extremamente preconceituoso onde prevalece, por exemplo, as religiões de cunho cristão e tudo aquilo que não faz parte desse contexto é perseguido, marginalizado e depreciado. É complexo não correlacionar gnoses diversas, mesmo que opostas, sem pensar que há uma base de cunho filosófico que se cruza em algum momento neles. Este assunto renderia um Grimório (risos). Então porque não correlacionar os temas!?… Um ocultista que formula seu trabalho mágico e não fere ninguém, com um assassino cruel e frio que lia a bíblia todas as noites e chorava pedindo perdão ao seu deus… Ou alguém que resolveu sacrificar e beber sangue com a senhora que acredita que irá pro céu… Nada é verdadeiro, entendam…

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Theophylactus – baixo

Uma pergunta que não pode faltar, qual é a influência sonora da banda?

A principal delas, sem sombra de dúvidas é o Black Sabbath. Há inúmeras outras bandas, não só de doom e eu seria muito injusta se citasse algumas e me esquecesse das outras. Cada um da banda tem sua trajetória musical e inspiração é o que não nos falta.

No Brasil, esse tal de Stoner/Doom é executado por poucas bandas, ainda é preciso se atentar a qualidade, ter uma ciência de sua proposta, entre tantas outras dificuldades que essa galera enfrenta por aqui, pode-se dizer que The Evil é uma banda com uma boa experiência, para debutar da forma que foi, um disco bem pensado, bem lapidado, ciente de onde queria chegar, essa questão deu mais tranquilidade no decorrer da criação?

Estivemos, de 2012 a 2015 por um fio de dar fim à banda. Aliás, demos alguns fins no The Evil, pois tivemos imensa dificuldade em conseguir músicos que integrassem nossa “família”. Eu e o Iossif temos uma amizade tão sólida que nos consideramos verdadeiros irmãos e, além de encontrar pessoas que realmente gostassem do estilo, precisávamos de músicos que tocassem nossa proposta, ou seja, que integrassem personalidade à banda. Quando Theophylactus chegou, ele segurou nossa mão na beira do precipício, literalmente. Devemos a ele, e muito, o fato da banda não ter terminado em 2015 e hoje termos concluído nosso cd e estarmos conseguindo esse espaço. Ao Saenger devemos muito também, devemos estilo e, sinceramente, quem vê ele tocando até acredita que é fácil (risos). Hoje o The Evil é uma segunda família pra nós e isso é muito importante. Não discutimos, não discordamos um com o outro, nos ajudamos e isso mantém o equilíbrio do nosso som. Além disso, temos que agradecer imensamente ao André Cabelo do Estúdio Engenho, pois o cara é o “mago da música” e soube explorar nosso potencial de uma forma incrível. Resta dizer que o Iossif e o Theophylactus colocaram uma essência única ao lado dele na mixagem final. Mas sendo bastante sincera, nós não esperávamos que o The Evil fosse fazer o sucesso que tem feito. Temos ciência de que nosso trabalho foi bem feito e trabalhamos muito pra isso, mas a música em nossa vida é nosso trabalho “B” por assim dizer, pois cada um tem outros caminhos profissionais. A surpresa foi realmente muito boa pra todos nós.

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Saenger – bateria

Vocês seguem se apresentando em BH com certa frequência, existe a possibilidade de rolar uma apresentação fora dos limites mineiros?

Estamos aguardando propostas! E pode ser que no ano que vem ultrapassemos alguns limites sim.

O debut foi lançado virtualmente, pretendem fazer uma prensagem física? Algum selo em vista, interessado? E como foi/vem sendo a repercussão do mesmo, tanto aqui, quanto lá fora?

O lançamento físico será feito em breve, sendo que teremos 6 edições super especiais e 66 edições especiais, além de cópias numeradas à mão. Tivemos propostas de alguns selos que recusamos, porém estamos negociando com um selo internacional. Temos tido uma repercussão incrível e como mencionei anteriormente não estávamos mesmo esperando por isso. Muitos elogios, muitas resenhas, entrevistas, além do carinho dos fãs. Um deles pediu autorização para postar o som no youtube e em pouquíssimo tempo temos mais de duas mil visualizações. Nosso bandcamp já conta com vários seguidores e são muitos os elogios. Muitas rádios estão tocando The Evil. Posso dizer que estamos muito felizes com o resultado. Só temos a agradecer.

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É isso M.A., agradeço sua presença aqui e o tempo cedido, termine esta com o que mais quiser acrescentar, com total liberdade. Grato!

Eu é que agradeço a oportunidade e espero que tenha conseguido colocar não só o que penso sobre o The Evil, bem como o que todos os integrantes diriam. Agradeço também, aos amigos e a todos que estão nos apoiando. A você que, de forma especial, desde o início está divulgando e ajudando nosso trabalho.

Um forte abraço a todos! Stay doom!

 

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Que Coffin Joe vos amaldiçoe – G.Z

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