ENTREVISTA: Kadavar

(texto originalmente publicado em October Doom  Magazine)

(entrevista por Matheus Jacques)

 

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Ei! Feliz de tê-los aqui na October Doom. Você poderia nos falar um pouco sobre a origem do Kadavar?

Christoph Bartelt: Prazer de nos unir ao lado escuro. Kadavar veio a vida em 2010, quando Lupus, eu e o membro original Mammut começamos a tocar música em um buraco subterrâneo escuro cercado pelo underground do Rock em Berlin. Fizemos nossa tentativa na gloriosa sonoridade do heavy blues antigo e do rock psicodélico, mas naqueles tempos preferíamos nos mostrar em bares à noite e ficar doidos como o Inferno. Foi um tempo “alto”.

A impressão que tenho da cena cultural de Berlin das últimas décadas, especificamente a musical, é de efervescência e pluralidade. Se estou certo quanto a isso, como isso influenciou a sonoridade da banda e sua formação como músico?

CB: É isso, Berlin tem um nicho cultural para todo mundo. Eu cheguei como um garoto de cidade pequena há 11 anos e aprendi tudo sobre arte e música ao me mover para Berlin. Não é que eu não estivesse interessado ou não tivesse lido nada. Digamos que eu entrei em contato com pessoas que faziam música, arte, coisas estranhas. Ver tudo isso ao meu redor me ajudou a definir meu próprio caminho. Acho que foi o mesmo para todos na banda e para a própria banda em si. Vivemos o que há a nossa volta e sintetizamos tudo que vemos em algo novo. É nosso Sol e nossa chuva, mas também nosso veneno. Não poderíamos trabalhar como trabalhos em nenhum outro lugar.

“Rough Times” chega em Setembro pela Nuclear Blast para suceder o álbum “Berlin” (2015), que trouxe uma maior diversidade de elementos comparado ao auto-intitulado “Kadavar” de 2012, seu debut (mais denso, talvez mais soturno). O que podemos esperar do novo álbum?

CB: ”Rough Times” é nossa primeira obra de arte verdadeira. Porque nos preparamos para colocar nossa mira de forma a progredir com a vibe dos primeiros trabalhos, auto-produzidos. Ele tem o espírito nas faixas que talvez apenas o primeiro trabalho teve, porque os primeiros trabalhos simplesmente tinham isso. Mas “Rough Times” é um novo começo, talvez porque eu me sinta dessa forma. Dissemos “dane-se!” para todas as expectativas e apenas seguimos nosso instinto musical. Ele contem os sons mais pesados que já gravamos junto com outras faixas mais leves, psicodélicas e viajantes.

Você gostaria de destacar alguma faixa desse trabalho, talvez uma favorita da banda ou um possível “hit”?

CB: Eu quero destacar TUDO, hahaha. É difícil escolher uma, honestamente. “Into The Wormhole” é uma de minhas favoritas porque é a nave espacial sonora mais pesada que já criamos, ela simplesmente passa por cima de você quando você a “detona” nas caixas de som. “Vampires” e “Tribulation Nation” são os sons que formam a parte mais atmosférica do trabalho, te empurrando em uma espiral sonora e então te derrubando no chão. A terceira parte do trabalho é um tanto quanto experimental, mas por essa razão não menos agradável. Não quero dizer muito mais, então você pode ver por você mesmo.

Vocês construíram seu próprio estúdio recentemente. Todo o processo de concepção de “Rough Times” se deu lá? E quais foram as pessoas envolvidas na parte técnica do álbum?

CB: Depois de estar afastado do processo de engenharia da última vez, senti a urgência de tomar o controle de volta. Eu fui responsável por toda a produção, junto com nosso técnico de som Richard Behrens que nos ajudou a, e seu parceiro Nene Barratto, que tomou conta da excelente masterização analógica. Sobre o processo: os pensamentos do último ano sobre o álbum começaram a se tornar mais claros. Queriamos pintar a figura de um mundo moderno. Estamos felizes com o que nos cerca? É possível ser feliz nesse mundo? Sequer ainda sabemos o que é felicidade? Em meus piores momentos eu não sabia se vida ou morte se aproximavam da felicidade. É como se tudo se juntasse quando chegamos à capa do álbum, essa pequena criança beijada pela morte em uma imagem tão brutal quanto coerente. Esse mundo não oferece muito conforto, nossa paz é eventualmente feita de guerra. Ao invés de ficarmos juntos e lutarmos como faziam nossos pais, simplesmente postamos no Instagram. Às vezes me sinto como um zumbi quando me pergunto sobre tudo isso.

Algum tempo atrás assisti uma gravação de sua apresentação tocando “Helter Skelter”. Vocês sentem um magnetismo especial nessas apresentações no Duna?

CB: Oh yeah! Aqueles shows na praia são muito especiais. É desafiador para nós alemães e franceses derreter no Sol. Mas ao mesmo tempo é diferente de tudo e traz uma energia diferente de tocar em um clube. Aquela performance foi a minha favorita no ano.

Conduzir a carreira dentro de uma gravador tão grande quanto a Nuclear Blast de alguma forma já trouxe algum tipo de limitação em seu processo criativo ou vocês sempre estiveram no controle o tempo todo?

CB: Ninguem pode nos limitar ou controlar. Na verdade eu nunca senti como se a Nuclear tentasse nos limitar ou controlar. Conhecemos e respeitamos um ao outro, como em qualquer saudável relação de trabalho. Ambos trabalhamos duro. Mas não somos uma banda que se pode moldar de fora. Pessoas que tentem isso serão demitidas antes que percebam. Estamos muito orgulhosos do que conquistamos e não deixaremos ninguém destruir isso!

Junto com os álbums de estúdio, vocês também tiveram uma parceria com a banda francesa Aqua Nebula Oscillator em um Split e um álbum ao vivo gravador na Bélgica. Existe algum plano na mesa para algo do tipo novamente?

CB:  Estamos preparando um lançamento especial em breve, mas é cedo demais para divulgar. Assim que tínhamos nosso estúdio novo, já podíamos agir rápido e fazer essas pequenas coisas que sempre tivemos vontade. Temos muitos planos, tempo é sempre o problema. Mas quanto atiramos, atiramos pra valer, então fique ligado!

Eu gostaria de te agradecer pelo tempo e atenção. Deixo essa espaço para as considerações finais, e para uma sondada básica (força do hábito) sobre quão iminente pode ser um retorno ao Brasil!

CB: Obrigado pelo interesse! Amamos nossos fãs brasileiros e seu suporto louco, e prometo que estaremos de volta para tocar novos sons pra vocês. Não estamos prontos para dizer quando, mas vocês não terão de esperar muito até saber! Até lá: obrigado por nos acompanharem e “all hail to the fuzz”!


(TRANSLATION TO ENGLISH)
Hey! Glad to have you in October Doom. Could you tell us a little about Kadavar’s origin?
Pleasure to join the dark side. Kadavar came to life in 2010, when Lupus, me and former band member Mammut started playing music in a dark subterannean hole surrounded by Berlin’s rock music underground. We had our try on the glorious sound of early heavy blues and psychedelic rock, but those days, we preferred to show up in bars at night and get wasted as hell. It was a high time.
The feeling i get from Berlin cultural scene in the last decades (specifically the musical) is about effervescence and plurality. If i´m right about this, in what proportion did it influenced you as a musician and in the musicality of Kadavar?
That’s it, Berlin has a cultural niche for everybody. I came as a stupid small town boy 11 years ago and I learned everything around art and music through moving to Berlin. It’s not that I wasn’t interested or hadn’t read anything. Let’s say I really got in touch with people that made music, art, weird things. Seeing all this around you helped to define my own way. I think same goes for everyone else in Kadavar and the band itself. We live off what’s around us and we synthesize everything we see to something new. It’s our sun and our rain, but also our poison. We wouldn’t work like we do in any other place.
“Rough Times” arrives in September via Nuclear Blast to succeed “Berlin” (2015), which brought a great diversity of elements comparted to the eponymous 2012 debut (densier, darker maybe). What can we expect from the new album?
“Rough Times” is our first real masterpiece. Because we managed to merge our aim to progress with the vibe of our earlier, self produced records. It has the spirit between the tracks that maybe only our first record has had. Because first records just have that. But “Rough Times” is a new beginning, maybe that’s why I feel this way. We said “fuck off” to all expectations and just followed our musical instinct. It contains the heaviest songs we ever recorded along with softer, also psychedelic and trippier tracks.
Would you like to highlight any track from the upcoming work, maybe a favorite of the band or a possible “hit”?
I want to highlight them ALL, hahaha!! It’s difficult to pick one, honestly. “Into The Wormhole” is one of my favorite because it’s the heaviest most desecrating sound spaceship we ever created and it just rolls over you when you blast it on your speakers. “Vampires” and “Tribulation Nation” are the songs that form the atmospheric corner of the record, more soaking you into a spiral of sound than hitting you to the ground. The last third of the record is rather experimental, but for that reason not less enjoyable to me. I don’t want to say too much, so you can see for yourself.
You guys have built your own studio recently. Was the whole “Rough Times” conception process there? And who are the people involved in the technical part of album?
After sourcing out the engineering process last time, I felt the urge to take back the steering wheel. I was responsible for the whole production, together with our live engineer Richard Behrens who helped tracking and his studio partner Nene Barratto, who was taking care of the excellent analog mastering.
Talking about the process – Last year thoughts about this album started to become a little clearer. We wanted to paint a picture of the modern world. Are we happy with what’s around us? Is it even possible to be happy in this world? Do we even still know what happiness is? In my worst moments I don’t know if life or death is closer to happiness. It kind of all came together when we found the album artwork. This little kid kissed by death is such a brutal but fitting image. This world doesn’t offer too much of comfort, our peace is often made of war. Instead of sticking together and fight like our parents, we rather post Insta stories. Sometimes I feel like a zombie when I question all that.
Some time ago i saw a live footage from DunaJam where you play “Helter Skelter”. Did you feel a special “magnetism” from the presentations in DunaJam?
Oh yeah! Those shows on the beach are something very unique. It’s challenging for us German and French people to melt in the sun. But at the same time it’s line nothing else and it brings out a different energy that playing a show in a club. That performance was my favorite this year.
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Conduct the carreer inside a major label like Nucler Blast ever brought to you any kind of limitation in the creative process or have you always felt in full control of the things?
Nobody can limit or control us. Actually I never had the feeling Nuclear Blast tried to limit or control us. We know and respect each other, like in every good business relation. We both work hard. But we are not a band that you can form from the outside. People who try to do so will get fired before they even know. We are too proud of what we have achieved and we will let no one destroy that!
Together with the studio albums you also have done a partnership with the french band Aqua Nebula Oscillator in a split and a live album in Antwerp. There’s any plan on the table for something of the kind in the future?
We are cooking up a special release soon, but it’s too early to spread the news. Since we got the new studio, we can act fast and do those small things we always wanted to do. We have many plans, time is always the problem. But when we shoot, we shoot straight, so stay tuned!
I would like to thank you for the time and attention. I leave this space for any final consideration, and also for a basic survey (force of habit) on how imminent could be a comeback to Brazil! 
Thanks for your interest! We love our Brazilian fans for their crazy support and I promise we will be back soon to play some new songs for you. We are not ready to tell you when, but you won’t have to wait for too long until we will let all of you know! Until then: thanks for bearing with us and all hail to the fuzz 🙂
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