REVIEW: Black Mirrors – Funky Queen (2017)

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(review por Pedro Costa)

Black Mirrors – “Funky Queen” EP (2017)

Tracklisting:

1.Funky Queen

2.Kick out the jam

3.The Mess

4.Canard Vengeur Masqué

 


 

Quando pensamos na Bélgica, logo pensamos em cervejas e em Jean-Claude Van Damme, mas agora temos outro ótimo motivo para nos focarmos naquela terra. Black Mirros é uma banda que está remando contra a maré, ela não está seguindo a onda indie rock dos ingleses e nem o stoner doom americano. Temos uma banda de garage rock em pleno 2017 que é incrivelmente boa. Sabe aquela banda que exala energia? Que consegue criar uma puta atmosfera ao seu redor, que tem um som tão poderoso quanto o MC5 e energia estilo Iggy Pop? Funky Queen não é um disco “pra baixo”, não é um álbum para você refletir sobre a vida e sua existência. É porrada, é suor, gritos, sangue, é uma perseguição policial, é Max dirigindo o último dos V8 em Mad Max.

É sempre gratificante para um amante de música, que não se prende a gêneros, escutar uma banda que resgata esse tipo de som, algo tão puro e tão violento ao seu modo de ser. Leve e pesado ao contrário de dezenas de bandas que andam fazendo a mesma coisa, seguindo a mesma linha, talvez por pressão das gravadoras ou porque precisam seguir a formula que anda certo. Seja o que for, não é o caminho que Black Mirrors está seguindo. De certa forma, eles estão na direção de se manterem sozinhos, em sua própria montanha, longe do fantasma do clichê. Eu adorei o instrumental cru, que te transmite aquele sentimento de sujeira, de libertação. E o que falar da vocalista Marcella Di Troia? Sempre tivemos mulheres no mundo da música que fizeram a diferença, que definiram o rumo da música. Aretha Franklin, Nina Simone, Janis Joplin, Donita Sparks, Shirley Manson, as da nova geração como Elin Larsson do Blues Pills e Virginia Monti do Dead Witches/Psychedelic Witchcraft.E podemos sim, colocar Di Troia no pacote.

Em relação às músicas, eu as achei sensacionais. Não consegui escolher uma que seja a minha favorita. Funky Queen é uma música atemporal, é um pequeno monstro que te engole. Achei muito legal o cover de MC5, acho que foi uma digna homenagem aos caras que levaram o garage rock a outro patamar. The Mess é a lenta do EP, eu confesso que escutei esperando uma balada, mas fui surpreendido com uma bela canção arrastada e finalizando, Canard Vengeur Masqué me lembrou um pouco stoner rock, tem uns elementos ali, escondidos, que te lembram um pouco como seria viajar pelo deserto. A impressão que eles me passaram após escutar o disco é que eles estariam contentes em levar a sua música para qualquer lugar. Desde o palco principal do Rock In Rio a um porão que só caberia 20 pessoas. E isso é que o faz o rock fluir, por isso que essa porra não morre, como dizem alguns “especialistas”.

Uma vez eu assisti um especial da MTV sobre a sua história e me lembro de uma frase de Anthony Kieds: “enquanto estamos aqui, alguma banda está tocando em uma garagem e um dia ela vai chutar as nossas bundas”. Acho que Black Mirrors pode fazer isso um dia. Seja o que for para acontecer, eu encontrei o meu primeiro disco favorito de 2017. Funky Queen é disco para ter na estante de casa.

 


 

Black Mirrors – Funky Queen (2017)

Black Mirrors – Funky Queen (2017)
Data de Lançamento: 3/3/2017
CD / LP
Napalm Records
Produzido por: Black Mirrors
Mixado e Gravado por: Ulysse Wautier
Masterizado por: Lucas Serruya
Arte da Capa: Sebastian Jerke

BLACK MIRRORS é:

Marcella Di Troia – vocal
Pierre Lateur – guitarra
Gino Caponi – baixo
Pierrick Destrebecq – bateria

 


 

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Bandcamp

Napalm Records
BUY “Funky Queen”

 

 

 

 


 

(TRANSLATION TO ENGLISH)

When we think about Belgium we soon think of beers and Jean-Claude Van Damme, but now we have another good reason to focus on that land. Black Mirros is a band that is paddling against the tide, it is not following the British indie rock wave nor the American stoner doom. We have a garage rock band in the middle of 2017 that is incredibly good. You know that band that exhales energy? Who can create a fucking atmosphere around you that has a sound as powerful as the MC5 and Iggy Pop style energy? Funky Queen is not a “down” album, it’s not an album for you to reflect about life and the existence. It’s fucking good, it’s sweat, screams, blood, it’s a police chase, it’s Max driving the last of the V8 in Mad Max.

It is always rewarding for a music lover, who does not get caught up in genres, to listen to a band that rescues this type of sound, something so pure and so violent to their way of being. Light and heavy as opposed to dozens of bands that are doing the same thing, following the same line, perhaps by pressure from the record companies or because they need to follow the formula that is right. Whatever it is, it’s not the way Black Mirrors are following. In a way, they are in the direction of staying alone, on their own mountain, away from the ghost of the cliché. I loved the crude instrumental, that transmits that feeling of dirt, of liberation. And what about vocalist Marcella Di Troia? We’ve always had women in the music world who made the difference, who set the tone for music. Aretha Franklin, Nina Simone, Janis Joplin, Donita Sparks, Shirley Manson, the new generation as Elin Larsson of Blues Pills and Virginia Monti of Dead Witches / Psychedelic Witchcraft. And we can put Di Troia in the package.

As for the songs, I found them sensational. I could not choose one that is my favorite. Funky Queen is a timeless song, it’s a little monster that swallows you. I found the MC5 very cool, I think it was a fitting tribute to the guys who took garage rock to another level. The Mess is the slow of the EP, I confess that I listened waiting for a ballad, but I was surprised with a beautiful song dragged and finalizing, Canard Vengeur Masqué reminded me a little stoner rock, there are elements there, hidden, that remind you a little like Would be traveling through the desert.
The impression they have given me after listening to the record is that they would be happy to take your music anywhere. From the main stage of Rock In Rio to a basement that would only fit 20 people. And that’s what makes rock flow, so this fucking thing does not die, as some “experts” say.

I once watched an MTV special about its history and I remember a quote from Anthony Kieds: “While we’re here, some band is playing in a garage and one day it will kick our asses.” I think Black Mirrors can do that one day. Whatever happens, I’ve found my first favorite record of 2017. Funky Queen is the album to have on the shelf.

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