A continuidade do Doom Metal clássico, um mergulho no sub-mundo – Ato II, 90’s – parte I

Chegamos aos anos 90, a partir de agora, vai rolar uma maior intensidade de bandas, comungando da mesma ideia de sempre; bandas que surgiram e desapareceram como um raio, outras que seguem mais lenta que o seu som, a minoria, com uma atividade mais ‘agitada’


Começando pela Alemanha para falar dos Mirror of Deception. A caminhada desses mano não foi uma das melhores, nada que não seja um fato típico desse rolê, a jornada começou em 90, mas só 11 anos após eles debutam, nesse tempo foram alguns materiais lançados, acabaram reunidos numa coleta lançada em 2001, ano que enfim debutaram com Mirrorsoil. Essa banda vai mais pro lado europeu da coisa, mais melodiosa, mantendo a acidez do que manda a cartilha, uma voz típica de bandas do rolê chorão. O debut contém novas versões para músicas antigas além de muita coisa nova.

Um peso rústico e agonizante, em pleno anos 2000, eles tavam navegando nas piras dos 90, abaixo, a faixa que abre o disco. Notem que eles não se preocupavam com a estética, capa simplona.

Em 2003 é lançado um EP, ano que precede o 2º disco, uma maior entrega à lentidão, acordes forjados na escola nórdica, uma tristeza sem fim, o vocal se incorpora ao som, equilibrando melhor.

Se passam 2 anos até o próximo disco, ao meu ver, é neste que os caras atingem o ápice de sua música, eles ainda estão nos anos 90 e não tão afim de sair dessa, é tudo bem encaixado, é uma ode ao clássico, misturando de forma sóbria as escolas européia e americana.

Nos próximos anos a banda lança 2 splits e em 2010, mais um full ganha forma, um play duplo, de uma lado, material novo, do outro, material antigo, entre eles, um cover do Bathory e um dos Saint Vitus. A sonoridade se assemelha a dos ingleses Warning, menos tristonho, mantendo algo do que era uno da banda.

No ano seguinte, lançam um 7″ split com os zicas Pagan Altar, a banda permanece em silêncio até o momento.


Continuando o rolê pela terra que nos marcou pra sempre com aquele maldito 7 x 1 em casa (VAI TOMÁ NO CU, PORRA!). Dawn of Winter startada em 91, um ano antes era Cemetery, chegaram a lançar uma demo, horrível, por sinal, saca um som.

Com um novo nome, a ideia sendo a mesma, os caras começam a lapidar o som. A 1ª demo sai ainda em 91, já de cara, com 8 fucking sons, nenhum da antiga banda. Em 93, um EP cabulosão com 5 inéditas ganha vida. De 93 a 96, eles lançam uma demo por ano. Dá um confere no EP de 93 (ignorem a data apresentada pelo maluco postou o video) –

A demo de 94 com 11 fucking faixas, lançadas originalmente em 94 sob a alcunha de Doomcult Performance Live (esse live é de gravado geral junto), essa demo foi relançada em 2003, remasterizada.

Faixa da demo de 96, mostrando um som mais lapidado, redondo –

Em 98 eles debutam, são 10 faixas, incluindo regravações de material antigo, fica nítido a influência forte dos Saint Vitus no som da banda, até o vocal lembra um tico o do Mestre Scott Reagers.

Dali 3 anos sai um EP com 3 faixas, segue uma faixa –

10 anos após o debut, é hora de lançar o 2º disco, uma forte desacelerada, melancolia e azedume nos moldes nórdicos, riffs cortantes, faixas mais compridas, os lek não tem lugar fixo, a não ser, a lerdice.

Em 2012 nasce um EPzinho com 4 faixas, o material comemora os 22 anos de existência da banda (22? ué…), esse chega com uma cara mais selvagem, esses mano curte viajar nas asas dos clássico sem dó, ouvir essa banda é ouvir a continuidade da lerdice mãe de tudo.

A banda segue ativa, porém, o vocalista e o guitarrista deram seguimento a outras bandas, o vocalista – Gerrit Mutz canta numa banda chamada Sacred Steel, em 2004, ele se juntou com outros mano pra iniciar os Angel of Damnation, a convite de Avenger (um cara do rolê acelerado/extremo – não esqueçam que se tornou típico esse tipo de inversão). No mesmo ano, eles lançam um 7″ com duas faixas, uma gravação cruzona, tipo caseira. Dali 4 anos, mais um 7″, desta vez, split com os peruanos Don Juan Matus. O debut só nasceu em 2011, um puta play classudo de cabo a rabo.


Em 91, 4 maluco da California montaram o Devil Rides Out (nome dum filme horror cult hein, assista ou seus parsa hipster vão te zuar), mais uma do time dos nem bem chegaram e já foram, durou 4 anos a brincadeira, rendeu uma demo de 4 faixas lançada em 93, o som é mais extrapolado, vai do típico estadunidense ao rolê Doom pré-meloso inglês, trampo de baixo absurdo, gritante. Uma alma caridosa postou essa demo na íntegra, confere ae –


A Noruega segue firme como um país quase sem tradição nesse rolê, em 91, surgiu uma banda chamada Godsend, o fundador Gunder A. D. (guitarra/baixo) chama o multi bandas e tarefa Dan Swanö pra cuidar dos vocais e da bateria, assim, no ano seguinte, a 1ª demo ganha forma, trazendo 3 faixas duma sonoridade bem voltada a lerdice inglesa, entre Cathedral e Paradise antigo.

O debut nasce em 93, Swanö continuaria até o fim da banda, agora, assume a voz no debut, cuida dos sintetizadores, Gunder chama um baterista (Benny Larsson dos Edge of Sanity) e gravam o As the Shadows Fall, o disco vem com uma outra cara, os vocais mórbidos de Swanö sofrem um belo tratamento, fica mais sóbrio, é um disco com uma atmosfera típica dos anos 90, não tem como ouvir isso e não ser transportado àqueles tempos. A banda fazia uso daquelas paradas típicas do início do Doom chorão, algo mais ‘sensível’, um vocalzinho adocicado feminino aqui e ali, conseguia caminhar pelos 2 mundos numa boa. O disco contém 9 faixas, abaixo, 6 delas.

No 2º disco lançado em 95, aquela coisa tipo ‘banda com convidados’, passa a ser uma banda, Swanö fica com os cuidados dos synths, um novo vocalista é recrutado, mais um guitarrista e um baixista, um novo baterista, uma banda para tocar no coreto da praça. O play sai completamente fora da rota do anterior, passeiam pelos anos 70, pela visceralidade, pelo azedume, umas baladinha, é uma obra um tanto estranha pra época, fica nítido que queriam encontrar o seu som, aliás, esse é um forte dos noruegueses, o experimentalismo, a busca pela identidade.

No disco derradeiro de 97, Swanö volta a assumir a voz, o play é mais recheado de teclado, bem tristão, uma capa horrível, lembra um TON de longe, as vezes. Ficaram por isso mesmo. Abaixo algumas faixas do 3º disco.


91 – Noruega. Continuemos na terra da queimação de capelas de madeira. O cara que fundou os Lamented Souls se chama Simen Hestnæs, é difícil saber de quem se trata num é?! Ele é mais conhecido por Vortex e pelas passagens em bandas como Dimmu Borgir, Borknagar e Arcturus. Em sua antiga banda não havia espaço pro extremo/torto, era uma parada voltada aos antigos. Foram 2 demos lançadas até 95 que foram seguidas por um longo silêncio, foi quebrado em 2003 com um 7″ de duas faixas inéditas. O fato é, todos os membros da banda tocavam em várias outras bandas, em outras pegadas, bandas que viravam mais do que, seguir com a causa perdida que é fazer Doomzão na Noruega (acredito eu haha). Em 2004, eles compilam tudo e lançam o derradeiro material.

Faixa da 1ª demo –

Uma proposta mais desacelerada na 2ª demo –

Faixa do single de 2003 –

Coleta de 2004 na íntegra, incluindo algumas faixas repetidas, provavelmente aquele lance de gravação perdida –


91 – Inglaterra. A brincadeira desses caras começa com uma demo ensaio em 92, no ano seguinte lançam uma demo de estúdio, esse material cai na mão de Lee Dorrian que curte a onda e resolve financiar o debut da banda. Uma faixa da demo –

Em 95 é lançado o álbum homônimo, os caras saem daquela onda um tanto melodiosa e caem numa mais próxima dos que os Cathedral faziam há época, até a voz de Caroline Wilson fica mais encorpada. Sabe-se lá porque diabos resolveram ficar por isso mesmo, só sei que ficaram.


91 – Alemanha. Daquelas bandas que penaram com demos até debutarem, foram 4 até descabaçarem com um disco em 98, claramente influenciados pela escola inglesa, pra não dizer, um Cathedral alemão, inclusive, adivinha quem lançou a boalachinha, sim, isso mesmo, Rise Above Rec.. Ainda em 98, lançam um split e dão um tempo com a banda.

Saca a sebozidade da demo de 94 –

Nesse hiato da banda, em 2009 eles resolvem juntar as coisas velhas, demos, material de ensaio, material nunca lançado, até a versão demo do debut que foi enviada exclusivamente pro tio Lee Dorrian.

Isso dá uma animada nos caras, porém, só em 2012 lançariam material inédito, como é o caso dum single de duas faixas. Os caras retornam soando como uma banda vinda da máquina do tempo, mais vintage do que a onda do debut.

Em 2016, o 2º disco ganha vida, os mano totalmente entregues a onda vintage que assolou esta última década, eles esmagaram a pegada 90tista e mergulharam na 70ista, faz parte!

Em 98, o vocal/guitar Uwe Groebel inicia uma outra banda chamada Voodooshock, em 2001 sai uma promo e no ano seguinte róla o debut homônimo. Desta vez, fica evidente a influência da escola americana no som, doses de Stoner Rock são notadas de fora a fora.

De 2003 a 2006, foram um split, um EP e um single (uma de cada lado), em 2007, nasce o 2º disco, eles dão uma abafada na pegada Stoner e apostam na lerdice clássica.


92 – Itália. Mais uma do time das bandas que percorreram um longo caminho até debutarem, no caso dos Thunderstorm, foram 8 anos. Sad Symphony é a escola desacelerada e obscura em movimento com doses do azedume nórdico, atmosferas sombrias, vocal ‘fantasmagórico’.

Dali 2 anos, o 2º disco é lançado, a receita permanece inabalável, róla um cover da Electric Funeral dos Sabbath. Essa playlist que encontrei não está completa.

Passam-se mais 2 anos pro 3º play nascer, os mano continuam fiéis às suas raízes. Desta vez, um cover dos Iron Butterfly –

Em 2007, eles lançam o 4º, já visivelmente saturado do mais do mesmo, eles buscam um caminho mais melódico, o que me fez lembrar muito os conterrâneos deles, os Black Oath (uma puta banda), é bem provável que os B.O. tenha sido influenciados pelos Thunderstorm.

Incluem umas pitadas modernas groovadas, o fim parece próximo –

Em 2008 eles lançaram um clip pruma faixa do 4º disco –

O derradeiro play chega em em 2010, não faço ideia de que fim levou esses caras.


93 – Suécia. Essa banda tá até hoje cabaça em questão de um disco, foram algumas demos nos anos 90, resolveram manter essa parada em silêncio, em 2017 retornam com um single de duas faixas. O baixista e o baterista fazem parte duma banda de Black/Thrash chamada Gehennah formada na mesma época dos Timothy Griffiths’ Psychedelic Sunrise.

Única faixa que encontrei do material antigo, pertence a demo de 99 –

Single de 2017, nitidamente mergulhado nos 70 –


92 – Inglaterra. Esses caras já estreiam com um debut, totalmente pentagramatico, dos primórdios – Death Row, mesclado com doses da pegada Cathedralística.

Em 95, nasce o 2º disco e a banda encerra as suas atividades.

 


É hora de encerrar esse pedaço do mergulho, ainda tem uma pa de banda dos 90 pra desenrolar aqui, fica esperto que logo menos sai a 2ª parte deste Ato. Até lá.


 

Que Coffin Joe vos amaldiçoe – G.Z./SUD

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