Um mergulho no mundo do Rock ocultista – Ato IV, “tutti buona gente” – um rolê pelo macabrismo italiano

Sem o blablabla típico, mantendo o 93, 93/93 porque é a Lei, neste IV Ato iremos desacelerar mais e acrescentar mais peso na parada, riffs, riffs e mais riffs, a adoração ao grave e a leseira. Faça uma boa viagem.

Mudando os rumos da coisa pra ficar algo mais organizadinho, este ato será totalmente dedicado ao rolê italiano, já comentei em outras matérias aqui a minha admiração pela música sinistra daquele país, já desenrolei algumas bandas também, por isso, é preciso encerrar este assunto e esperar que mais bandas fodelantes surjam naquele país!



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Line-up 1999

Abysmal Grief – Gênova/Ligúria

Abysmal Grief se torna uma banda em 1996, a proposta permeia a estética obscura, temas que se enquadram no aspecto religioso e ocultista, a música sem muita sofisticação, o maior trampo fica por conta dos teclados de Labes C. Necrothytus, que com o tempo, assumiu os vocais também. A maior rotação da banda foi o cargo de baterista, hoje a banda é um quarteto.

Algum desavisado ao ouvir a faixa acima, poderia imaginar em se tratar duma banda de black metal, até porque o black metal italiano se difere muito do nórdico, mais lento e quebrado. Mas não é! Essa faixa pertence a 1ª demo da banda, lançada em k7 em 1998, contendo 5 faixas. No ano seguinte é a vez de mais uma demo – Mors te Audit, contendo mais 5 faixas. Entre os anos de 2000 e 2002, os mano lançaram apenas duas faixas em single, entre elas, uma regravação para “Hearse”, faixa presente na demo Mors te Audit.

A atividade da banda segue um tanto inexpressiva novamente, em 2004 lançam um split 7″ com a banda conterrânea Tony Tears (racho bico com esse nome), sendo uma música de cada. Em 2006 o EP Mors Eleison ganha forma, trazendo 3 inéditas e um cover do Paul Chain. A qualidade sonora sofre uma leve alteração, os caras dão uma nova desacelerada, a parte sombria, mais encorpada.

Músicas longas, um certo apelo gótico, que se tronaria uma marca registrada da banda, sintetizadores com instrumentações nada comuns, a base sonora, continuando seu caminho reto, orações em latin, enfim, uma banda obscura tipicamente italiana… É isso o que você irá encontrar no debut auto-intitulado da banda, lançado em 2007 pelo selo italiano Black Widow. O material contém as 4 faixas do EP Mors Eleison.

2009 pode ser considerado o ano mais produtivo da banda, foram 3 materiais lançados, um split 7″ com a banda Denial of God, o 7″ EP The Samhain Feast contendo duas faixas e o 2º disco – Misfortune, esse disco traz uns riffs que te farão lembrar as bandas da antiga escola estadunidense. Esse play põe os caras numa empreitada típica que lhes faltava; um clipe –

Entre os anos de 2011 e 2012, eles desaceleram novamente, lançam 2 EPs, cada um com duas faixas, incluindo um cover dos Death SS. Cada novo lançamento é uma surpresa, não no sentido de intervenções modernas, ou experimentalismos, e sim, o nível de sebosidade, o aroma de cadáveres, o culto à Morte. Uma banda que não choca por excessos dos egos dos seus membros, choca pela musicalidade, que, definitivamente não é fácil de ser digerida por aqueles que não perambulam por essas eiras do desaceleramento maldito!

Quando digo surpresa, me refiro a isso –

Um culto ao metal obscuro italiano dos anos 80!

Em 2013, eles chegam ao 3º disco, Feretri. O macabrismo mais afiado, percebam que todos os instrumentos se complementam, a presença pulsante do baixo, a bateria reta de sempre, o grave rústico da guitarra, não creio que a intenção deles seja soar bonitinho, duvido muito, mas é notável a evolução dos mano. Desfalcados de baterista, o guitarrista Regen Graves acabou assumindo o posto e por fim, assumiu a direção do clipe abaixo. Total faça você mesmo!

No ano seguinte é a vez do 1º compilado – We Lead the Procession, com covers de Bathory, Death SS, lives e faixas de splits. Um novo split lançado em abril de 2015 abre caminho para o 4º disco da banda – Strange Rites of Evil. Eles voltam a ser um quarteto, o baterista Fog, que fez parte da banda entre 96/98 foi quem assumiu, assim, podemos dizer que o 4º disco é fruto da formação inicial, com Lord Alastair no baixo, Regen Graves nas 6 cordas, Labes C.N nos vocais e atmosferas, e o agora Lord of Fog nos tambores de caixão (kkkkk que bosta). O disco é munido de 6 faixas, uma nova versão para “Cemetary” (da 1ª demo) e um puta cover para a “Child of Darkness” dos Bedemon estão incluídos no pacote.

Versão original –

Em 2016 a banda volta a cumprir a cartilha do split de uma faixa de cada banda, um split com os Epitaph, outra lenda viva italiana, com 2 caras que fazem parte da história do Doom Metal italiano pós Paul Chain, eu já comentei sobre a trajetória deles numa matéria que escrevi aqui, procure se tiver afim… Afim de comemorar os 20 anos de correria no submundo do submundo, neste mesmo ano é lançado um box contendo uma coleta com os materiais aleatórios (single e splits, resíduos de EPs) em um CD, a demo de 1998 Mors et Audit em K7, além duma camiseta, poster, patch, etc…

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formação atual

O 5º disco ganha vida no início de 2018, são 6 faixas, entre elas, um inusitado cover de uma banda foda do underground obscuro italiano, os Evol, a “Witchlord”. Seguiram a risca a homenagem, as passagens com voz feminina da faixa original foram replicadas conforme a cartilha. No geral, o Blasphema Secta segue a fórmula padrão da banda, obscuro, atormentador, macabro, típico da escola italiana, fedendo a mofo de ossos exumados.

 


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Caronte – Parma/Emília-Romanha

Uma banda bem mais recente que alcançou rapidamente um nível de reconhecimento no underground. Seu mentor Dorian Bones, vem duma escola que misturava punk, goth e black metal, das bandas ativas, ele canta nos Whiskey Ritual – da onda “Black’n’Roll”. Em 2011 ele resolve se emaranhar pelo lado lerdo da coisa, para tal feita, ele escala mais 3 caras que seguem firmes até hoje; Henry Bones no baixo, Mike de Chirico na bateria (um puta batera, ele também é membro dos Shinin’ Shade, tipo um Spacegoat italiano fronteado por mulher também), Tony Bones nas 6 corda e Dorian nos vocais.

No ano de criação eles já soltam um EP – Ghost Owl, contendo 3 faixas que serviriam de escopo para o porvir. Temas que vão de Thelema, magia sexual, luciferianismo, além do culto à substâncias psicoativas, digamos, xamanismo.

No ano seguinte os mano aparece com um dos discos que mais me deu tesão em desfrutar – Ascension, o debut. São 6 faixas mais uma nova versão para “Black Gold”, presente no EP de estréia. Já de cara, eles investem na produção dum clipe para a “Ode to Lucifer”, escancarando a proposta regada a sexo, drogas, Stoner/Doom e diabolismos, uma receita fumegante muito apreciada nos redutos da música torta européia.

Em 2013, duas faixas ganham vida para fazer parte dum split com os Doomraiser (também da Itália). O EP, o debut e o clipe haviam sido lançados/produzidos pelo selo qual Dorian faz parte, na real, me parece mais um coletivo, se trata do Lo Fi Creatures. O split sai por um selo italiano chamado BloodRock Rec.

No ano seguinte, o 2º disco chega pra atazanar geral uma vez mais – Church of Shamanic Goetia e os seus 7 hinos de devoção aos ritos demoníacos e às drogas alucinógenas. O play marca uma parceria com um dos selos mais importantes do submundo da música maldita, o alemão Ván Rec.

Uma pausa em 2015, pois a outra banda de Dorian, os Whiskey Ritual lançaram o seu 3º play. Em 2016, retornam com o EP Codex Babalon, são 3 faixas em quase 30 minutos de um marretação fumacenta. Sem dúvidas, uma das bandas mais fodas do rolê chapado/arrastado.

O 3º disco é lançado em setembro de 2017, YONI talvez seja o mais macio de todos, fortemente embalado pela miscelânea típica de conceitos mágickos, um disco bem chapado.


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Black Land – Roma

Black Land, ou Wizard (seu 1º nome), é um projeto paralelo dos já citados Doomraiser, formado em 2005, no ano seguinte eles debutam com o Evil of Mankind, lançado em CD de forma independente, um play tão raro que deixou nenhum rastro em plataformas digitais. O próximo material seria um split 10″, a faixa inclusa se chama “Psych nº1”, a mesma, abriria o 2º disco deles. Sempre me vem a mente alguma relação com a “Black nº1” dos TON, não sei qual foi do lance, só sei que essa faixa é filhadaputavelmente foda.

Essa banda soa como um lado extravasado dos Doomraiser, que tende a ser mais reto e tradicional, em Black Land você passa do sapace rock ao mais carrancudo heavy metal chuta cus. É uma experiência toda torta e bem massa ouvir o Extreme Heavy Psych, o 2º disco da banda.

A última brincadeira dos menino foi uma faixa para mais um split lançado em 2012, nessa feita, totalmente entregues ao experimentalismo, algo típico da Itália também, nem parece a banda do disco acima.


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Bretus – Catanzaro/Calábria

Formada em 2000 por quatro caras; Ghenes – 4 cordas, Zagarus – vox, Sest – bateria e Neurot – 6 cordas, apenas no ano de 2008 eles lançaram o seu 1º material, uma demo com 4 faixas. No ano seguinte, um EP auto-intitulado, até debutarem, em 2012, com o In Onirica, na ocasião, a banda era um quinteto com a adição de Faunus na 2ª guitarra. O disco foi lançado pelo selo ucraniano Arx Productions, nos formatos CD e K7. Em 2014, o selo BloodRock relançou o debut em vinil 12″.

O selo BloodRock também seria responsável pelo lançamento do 2º disco – The Shadow over Innsmouth, um disco baseado em alguma obra de H.P. Lovecraft, aliás, os Bretus tem como pedestal lírico as obras de Lovecraft. Restando apenas Zagarus e Ghenes na formação, a dupla escala mais 2 caras para assumirem os postos vagos.

Confesso que não sou adepto a sonoridade dessa banda, porém, compreendo a importância deles no submundo italiano, a sonoridade fica ali num misto de escola estadunidense com inglesa, sei lá…

Ainda em 2015, eles lançam um 7″ split com a banda conterrânea Black Capricorn

E esse cover dos Pentagram pra encerrar sobre essa banda –


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Black Capricorn – Cálari/Sardenha

Fundada em 2008 por Virginia – 4 cordas, Rakela – bateria e Kjxu, o trio debutou com um disco auto-intitulado em 2011. São 8 faixas dum som fuzzado, vocal  mórbido com reverb, rústico e psicodélico.

Ouça aqui – https://www.youtube.com/watch?v=DcOzK9GlS28

Em 2012, o trio passa a ser um quinteto com a adição de Lord Fex na 2ª guitarra e Il Baro nos vocais/teclas, no ano seguinte é lançado o 2º disco Born Under the Capricorn, mais desacelerado, mais pesado, diria até, mais tradicional, Il Baro tem um vocal tipo um muleque do grunge que quer cantar como o Jus Oborn em começo de carreira, nem de longe isso quer dizer que é ruim, haha… as duas primeiras músicas ocupam quase 25 minutos do disco e, inclusive, há referências rifferísticas nítidas aos Electric Wizard, as outras 3 faixas são mais diretas, mas as brizas continuam, fruto do synth de Baro.

Ouça aqui – https://www.youtube.com/watch?v=_LpUvLAabbA

Alguma coisa aconteceu e o quinteto retornou ao trio primordial para lançar no fim de 2014 o seu 3º disco, sem dúvidas, o mais seboso, rústico até o olho do cu! Esse disco preza mais o lado instrumental, Kjxu retirou o reverb, e por vezes dobrou sua voz…

Geralmente as bandas começam com demos e EPs para depois debuteram, esses caras fizeram o inverso. Entre os anos de 2015 e 2016, foram 2 splits e um EP.

Mudaram a timbragem, elevaram o peso, desaceleraram mais, vocais dobrados, fogo no cu –

https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=3061994451/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=de270f/tracklist=false/artwork=small/transparent=true/

Em 2017 os maluco extrapolaram as ideia total, lançaram um duplo apenas em vinil (300 cópias) intitulado Omega, seguindo firme e forte na abissalidade e feiura em quase 100 minutos de culto ao invertido.

Omega 1 aqui – https://youtu.be/ektim6VSNnI

Omega 2 aqui – https://youtu.be/azaM_GKn1b8


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Arcana 13 – Ravena/Emília-Romanha

Uma banda que criou suas músicas e letras com base nas obras dos Lucio Fulci, Dario Argento e Mario Bava, diretores italianos do cinema de horror produzidos nas décadas de 70/80. O quarteto é novo na área, seus membros, nem tanto, com uma proposta sonora que mescla Heavy Metal com Doom e doses de Occult Rock. Debutaram em 2016 com o disco Danza Macabra, contendo uma faixa releitura da sound track “Suspiria”, executada pelos Goblin para o filme homônimo de 1977.


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Black Oath – Milão/Lombardia

Encerrando esse passeio pelo país da bota com uma das bandas mais importantes da nova safra do Doom Metal mundial. Iniciada em 2006 por três mentes: A.Th, Paul V. e M., em 2009 é lançado o EP de estréia contendo 4 faixas, o som daquela época se aproximava mais do Doom chorão dos anos 90 do que do tradicional, qual se tornaram adeptos ao longo da jornada.

No ano seguinte, o EP serve de material para um split, e no mesmo ano, um 7″ single com uma inédita e um cover do Alice Cooper também é lançado via Horror Rec., um selo dinamarquês, que lançaria outros materiais da banda. Nesta nova faixa, o trio parece ter se encontrado no que queria fazer, ainda é um tanto crú perto do que chegariam.

M. vaza da banda, Chris Z. assume o posto de baterista para no mês de abril, debutarem com o simplesmente maravilhoso The Third Aeon, um sujeito é convidado para cuidar das atmosferas. Esse disco marca definitivamente os rumos da banda, meu amigo, é a mais pura expressão do Doom Metal tipicamente italiano.

…Acredito eu, uma sobra de tempo de estúdio, ou por algum outro motivo, em junho deste mesmo ano róla mais um 7″ com 3 faixas, uma inédita, uma instrumental e um cover dos Sabbath

Pra encerrar 2011, um 7″ split com os suecos Anguish, se pa, a faixa mais sombria deles até aqui –

2013 é hora de lançar o 2º disco, PUTA QUE PARIU!!! Como o tempo fez bem pra esses caras, Ov Qliphoth and Darkness chega mais polido, mais cortante, trampado também… são 8 faixas mais um cover dos Acheron, mais de 40 minutos de impuro culto aos mistérios antigos e à arte musicada em marcha lenta!

Sem mais Horror Rec. cuidando dos vinis e tapes, nem I Hate Rec., dos CDs… tão pouco, a presença de Paul V., que fora substituído por Bon R., é lançado de forma independente pelo bandcamp da banda, o 3º disco  – To Below and Beyond, no fim de 2015. São 8 faixas trazendo a aura já lapidada no antecessor, uma boa dose de heavy metal, sem acelerar muito o bang, atmosferas deslumbrantes como é de praxe… o disco também foi lançado em formato físico nos 3 formatos (CD/Tape/LP) por 3 selos diferentes.

Mais uma vez aquele papo de sobra de estúdio ou seja lá o que for, em outubro de 2016, um EP ganha vida – Litanies in the Dark, com 2 faixas inéditas gravadas entre os anos de 2012/2015, além dum lindo cover/homenagem aos Pagan Altar

Muitas pessoas contribuíram com a banda, seja como convidados nos discos, ou nas apresentações ao vivo.



Na próxima empreitada, tratarei das bandas pertencentes a escandinávia, quais, ainda não tratei aqui. Até lá.

Que Coffin Joe vos amaldiçoe! – Zombetero/SUD

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