REVIEW: Alastor – “Black Magic” (2017)

alastor

(thanks to Ric Bennett from Twin Earth Records for the stuff!)

(review por Matheus Jacques)


ALASTOR – “Black Magic

Tracklisting:

1.Enemy
2.Nothing to Fear
3.Black Magic

Julgar um todo por apenas uma música pode soar realmente leviano, desaconselhável e frustrante. Mas às vezes, é também inevitável. E quando recai em sua audição a única faixa disponível no Bandcamp de uma certa banda sueca com a alcunha de Alastor, você se depara com algo que soa diferenciado apesar de reconhecível, destacado apesar de familiar. De fato, com uma faixa cuja sonoridade remetia a alguns nomes conhecidos, o “fan-service” era grande: de nomes mais antigos, tínhamos Black Sabbath, Electric Wizard e Pentagram. Dos mais novos, bandas como Winhand e os compatriotas da Alastor, Kingnomad e Vokonis.

Assim sendo, ter em mãos algo familiar e que se associa a bandas que estão no seu gosto (algumas, fincadas em seu coração) é um passo adiante no campo de nutrir apreço. Mas essa página termina ai: na próxima, está escrito que ter atributos o bastante para se destacar e não ser apenas a “familiaridade com a coisa boa” é essencial. E é nesse passo que a Alastor galga seu próximo movimento no tabuleiro de xadrez. Desempenhando um doom metal psicodélico atrelado ao Oculto (coisa que na verdade é bem mais que batida atualmente, temos um número considerável de bandas fazendo isso), os nórdicos entregam com “Black Magic” (2017),pelo selo Twin Earth Records, um trabalho condizente com a proposta da label que lançou trabalhos de bandas como Haunted, Bastard Lord e Bus: doom metal refinado de qualidade.

Enemy” revela o primeiro Tomo e apresenta o Universo de guitarras suntuosas e vibrantes, vocais límpidos arrepiantes e fantasmagóricos, densa atmosfera sedutora. A ressonante massa sônica incita um temor urgente no coração, imprime o ritmo de um ritual macabro embalado por gordos riffs-fuzz e por um compasso percussivo quase algébrico. “Nothing to Fear” , segundo Tomo, eleva a temperatura e acelera de forma nítida o passo, tornando o grave um pouco menos grave mas ainda mantendo a perturbadora aura de doom psicodélico provida pela banda na primeira faixa. Os vocais claros como cristal não tornam o trabalho menos profundo ou ameaçador, apenas complementam a atmosfera pungente, lancinante. Alastor toma a psicodelia em uma forma deveras amaldiçoada para seu usufruto, para destilar seu veneno infernal em forma de música, orquestrando um ritual do submundo de forma arrebatadora. “Black Magic”, faixa titulo do trabalho e a primeira apresentada pela banda, é o terceiro Tomo e traz os últimos acordes da sinfonia de dor e caos providenciada pela banda Alastor. A energia obscurecida segue emanando da musicalidade torpe e irremediavelmente corrompida dos suecos, arrebatando os corações desavisados com uma onda sônica irresistível.

Black Magic” possui um irresistível, inquebrável e implacável senso de urgência. Cada riff é um golpe na mortalha. Cada pequeno traçado desenhado pela seção rítmica é um novo passo rumo ao vórtice. E cada palavra proferida pelo vocalista é uma parte do rito de invocação. O trabalho de estréia da banda Alastor é um convite para uma Dança com os Mortos, onde se destaca como realmente viva e pulsante a capacidade da banda de entregar uma hipnótica e surreal atmosfera de perplexidade e danação. Em uma conversa direta com os ancestrais do gênero a banda se apresenta como um nome representativo e imediato da “passagem de bastão”, assimilando com sabedoria instruções de bandas como Pentagram, Electric Wizard, Black Sabbath e outros titãs. A musicalidade tétrica e sombria dos suecos é uma catarse noturna, uma incursão por entre os recônditos mais lascivos e tenebrosos da escuridão. “Black Magic” é um jogo de cartas marcadas, de certa forma, mas faz uso-mestre dos elementos ao seu alcance. Imperdível, sem sombra de dúvidas.


ALASTOR – Black Magic (2017)
Data de Lançamento: 18/3/2017
Twin Earth Records
CD / LP / Digital
Gravado por Magnus Sörensen em KulturVerkstan.
Mixado e masterizado por Hannes Heed em Black Sword Studios
Arte da Capa: Helfvete Art.


ALASTOR é:

J – guitarra
H – guitarra
S – bateria
R – baixo/vocal

Alastor
Alastor (BANDCAMP)
Twin Earth Records
Twin Earth Records (BANDCAMP)
Twin Earth Records (OFFICIAL)
BUY “Black Magic”

 

 

 

 


 

 

(TRANSLATION TO ENGLISH)

Judge a whole thing for just one song may sound really frivolous, unadvisable and frustrating. But sometimes it is also inevitable. And when fall on your audition the only track available on Bandcamp from a certain swedish band called Alastor you come across something that sounds differentiated though recognizable, detached though familiar. In fact, with a track that sounded familiar to a few names the “fan-service” was great: from older names, we had Black Sabbath, Electric Wizard and Pentagram. From the younger ones, bands like Windhand and the compatriots of Alastor, Kingnomad and Vokonis.

So, having something familiar and associating with bands that are in your taste (a few inside your heart) is a step forward in the path to build the appreciation. But this page ends there: in the next it’s written that having attributes enough to stand out and not just being “another one” is essential. And in this step Alastor gathers her next move on the chessboard. Performing a psychedelic doom metal tethered to the Occult (which is actually much more than common currently, because we have a considerable number of bands doing this), the nordics deliver with “Black Magic” (2017) through Twin Earth Records  a work consistent with the proposal of the label that have released works from bands such Haunted, Bastard Lord and Bus: refined and qualified doom metal.

“Enemy” reveals the first Tome and presents the Universe of sumptuous and vibrant guitars, chilling limpid and ghostly vocals, dense seductive atmosphere. The resonant sonic mass incites an urgent fear in the heart, imprints the rhythm of a macabre ritual packed with fat fuzz-riffs and an almost algebraic percussive pace. “Nothing to Fear” is the second Tome and raises the temperature and sharply accelerates the pitch making the dense a little less dense but still maintaining the disturbing aura of psychedelic doom provided by the band in the first track. Crystal-clear vocals don´t make the work less deep or threatening, just complement the pungent and nagging atmosphere. Alastor takes the psychedelia in a truly cursed shape for their usufruct to distill his infernal venom in the shape of music orchestrating a ritual of the underworld in a sweeping way. “Black Magic” is the title track and last of the work, and also the first one presented by the band some time ago. The track is the third cursed Tome and brings the last chords of the symphony of pain and chaos provided by the band Alastor. The darkened energy continues to emanate from the dark and hopelessly corrupted musicality of the swedes snatching unsuspecting hearts with an irresistible sonic wave.

“Black Magic” has an irresistible, unbreakable, relentless sense of urgency. Each riff is a blow in the shroud. Each small stroke drawn by the rhythm section is a new step towards the vortex. And every word uttered by the vocalist is a part of the invocation rite. The Alastor’s debut album is an invitation to a Dance with the Dead where the band’s ability to deliver a hypnotic and surreal atmosphere of perplexity and damnation is highlighted as truly alive and pulsating. In a direct conversation with the ancestors of the genre the band presents itself as a representative and immediate name of the “baton passage”, wisely assimilating references from bands like Pentagram, Electric Wizard, Black Sabbath and other titans. The dark and gloomy musicality of the swedes is a nocturnal catharsis, a foray into the most lascivious and gloomy recesses of darkness. “Black Magic” play some familiar cards but makes master-use of the elements at their reach. Must-have album, without a doubt!

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s