REVIEW: Witchstone – “Mortal Fear of Infinity” (2017)

witchstone

(thanks to Sunmask for the stuff)

(review por Matheus Jacques)


WITCHSTONE – “Mortal Fear of Infinity

Tracklisting:

1. The Voidmouth
2. Chronoshift
3. Estuaries
4. Maniac of Dane Hill

“Tome cuidado ou esteja condenado” poderia ser um aviso a ser incluído previamente na audição de “Mortal Fear of Infinity”, novo trabalho dos canadenses da Witchstone. Creio que seria um selo totalmente “anti-propaganda enganosa”, pois o que temos aqui é, de fato, uma sólida apologia à sonoridade arrastada e perturbadora, uma ode ao nefasto e ao soturno feita de maneira a assimilar e aglutinar elementos mais tradicionais e “old school” do Doom Metal e outros mais frescos e contemporâneos. Dessa forma, a banda Witchstone coloca no caldeirão ingredientes que ajudam a compor uma sonoridade que evita o datado, o previsível, mas ainda assim se mantem fiel a raízes e mostra-se como algo assimilável, reconhecível.

É possível notar diversificadas referências e associações com outras bandas. A audição de “Mortal Fear of Infinity” me trouxe, além de conexões com bandas mais tarimbadas como Electric Wizard e Reverend Bizarre, reminiscências de outras mais atuais como Elephant Tree e Toke. Entretando, esse quinteto de Alberta tem uma maior aproximação com um alinhamento Sludge do que a Elephant Tree, e um aspecto menos atrelado ao Hardcore/Sludge na parte vocal do que a Toke. Essencialmente, o que podemos conferir é um tétrico e lúgubre Doom Metal tendo como braço esquerdo uma veia mais “purista”, clássica e tenebrosa, e como braço direito um direcionamento evocando elementos do Sludge Metal e outros levemente viajantes, psicotrópicos. Os vocais são dividos e, honestamente, não sou capaz de bater o martelo na mesa e especificar quem os executa e onde se dividem, apesar de acreditar que seja Ian Lemke (guitarrista principal) o frontman. Seja como for, eles sempre se apresentam como ásperos, desconcertantes e impiedosos, sendo uma peça chave do contraste que torna essa sonoridade tão arrasadora.

The Voidmouth” é uma faixa pungente onde a introdução emula uma aparente calma acalentadora, mas logo mais adiante nos deparamos com uma névoa ácida corrosiva a nos apresentar o Inferno, nos envolvendo em labaredas e nos fustigando o corpo com incandescentes riffs proferidos como blasfêmias ou entoados como versos de uma Missa Negra. O pareamento de guitarras cria uma considerável diferença no resultado final, proporcionando um alicerce valioso para que a banda possa entregar uma performance avassaladora de música pesada. “Chronoshift” introduz a primeira aparição dos Teclados, orquestrando uma marcha fúnebre e conferindo ainda mais carga assombrada na atmosfera tétrica do som da banda. Bem, sou suspeito pra falar: meu café fica muito bem sem açúcar, e meu Doom fica ainda melhor com teclados. A presença dele quase sempre adiciona bastante à sonoridade em se tratando de apelo emocional e energia mística, atribuindo uma aura de Occult rock à desaceleração ruidosa da banda. E uma mudança de ritmo surgida perto dos 6 minutos de faixa insere uma quebra de contexto e imprime mais energia à faixa, estabelecendo uma dinâmica positiva na música.

Estuaries” nos induz a um perturbador estado de euforia e contemplação com delirantes e demenciais vocais somados à continuação do uso bastante climático e afiado dos teclados, nos mantendo em um caminho tortuoso a andar sem rumo cercado por brumas e tementes do próximo passo. Cada denso riff é uma adição generosa de peso e crueza na atmosfera, cada sílaba é uma sentença de morte iminente. A linha de Doom Metal lisérgico da faixa é bem edificada por um ótimo trabalho solo na guitarra, com a verve melódica tirando o puro caos para dançar nos momentos derradeiros da canção. “Maniac of Dane Hills” encerra o trabalho com mais uma excruciante peça de Doom Metal de alta qualidade, fechando no topo do monte o novo trabalho dos canadenses.

Em suma, o novo álbum da Witchstone é o aprimoramento e ratificação do que vinha sido desenvolvido desde seus trabalhos anteriores, que já se destacavam pela coesão e pela brutalidade, e agora se reiteram pela elogiável capacidade de criar atmosferas envolventes e escaldantes. A audição de “Mortal Fear of Infinity” se compara a uma travessia por um vale árido cercado de ameaças e sem nenhuma garantia de passagem segura, culminando com a inevitável queda de chuva ácida podendo ser avistada no horizonte. As raízes do Doom Metal são preservadas com respeito e honras no trabalho, ligadas ao uso de elementos diversificados e produzindo uma sonoridade que não deixa lacunas.


WITCHSTONE – Mortal Fear of Infinity (2017)
Data de Lançamento: 1/3/2017
Sunmask
Digital/LP


WITCHSTONE é:

Sean Edwards – guitarra/vocal
Andrew Sanderson – baixo/vocal
Ian Lemke – guitarra/vocal
Marcello Castronuovo – bateria
Joleen Toner – teclados/percussão


Witchstone
Witchstone (BANDCAMP)
Sunmask
Sunmask (OFFICIAL)
BUY “Mortal Fear Of Infinity”


(TRANSLATION TO ENGLISH)

“Be careful or be doomed” could be a warning to be previously included in the listening of “Mortal Fear of Infinity”, new stuff of canadian doom-barbarians from Witchstone. I believe that would be a real  “no fucking mistake at all” tag because we have here without doubts a solid apology to the dragged and disturbing sonority, an ode to the nefarious and the sullen made in order to assimilate and bring together more traditional and “Old school” Doom Metal elements and other more fresh and contemporary. In this way, Witchstone puts in the cauldron ingredients that help to compose a sonority that avoids the dated and predictable, but still stays true to the roots and shows itself as something assimilable, recognizable.

It’s possible to watch diversified references and associations with other bands. “Mortal Fear of Infinity” audition brought me along with connections with more accomplished bands like Electric Wizard and Reverend Bizarre, reminiscences of more current ones like Elephant Tree and Toke. However, this Alberta quintet has a closer approximation to a Sludge alignment than  Elephant Tree and an aspect less attached to Hardcore / Sludge in the vocal part than Toke. Essentially we have here a tetric and dismal Doom Metal having as left arm a more “purist” ,classic and dark verve, and as the right arm a style evoking elements of Sludge Metal and other slightly psychotropic .The vocals are splited, and honestly i’m not able to beat the hammer on the table and specify who performs them and where they split, even though I think it’s Ian Lemke (lead guitar) the frontman. Either way, they always present themselves as harsh, baffling and ruthless, being a keystone of the contrast that makes that sound so overwhelming.

“The Voidmouth” is a poignant track where the introduction emulates an apparent chilling calm but soon we come across a corrosive acid mist introducing us to Hell, enveloping us in flames and whipping us with incandescent riffs uttered as blasphemies or sung as Black Mass verses. Guitar pairing creates a considerable difference in the final result providing a valuable foundation for the band to deliver an   heavy music overwhelming performance. “Chronoshift” introduces the first appearance of the keyboards orchestrating a funeral march and giving even more haunted charge to the dark atmosphere of the band’s music. Well, I’m suspect to talk: my coffee looks great without sugar, and my Doom looks even better with keyboards. His presence almost always adds a lot to the sonority in matter of emotional appeal and mystical energy, attributing an aura of Occult rock to the noisy deceleration of the band. And a change of pace that emerged near the sixth minute of the track inserts a context break and puts more energy into the track, establishing a positive dynamic in music.

“Estuaries” induces us into a disturbing state of euphoria and contemplation with demented and distorted vocals  coupled with the sequence of the atmospheric and very climatic use of keyboards, keeping us on a torturous path walking aimlessly surrounded by mists and fearful of the next step. Each dense riff is a generous addition of weight and crudity in the atmosphere, each syllable is a sentence of imminent death. The Doom Metal lysergic line of the track is strongly built by a great  guitar work with the melodic verve taking the pure chaos to dance in the final moments of the song. “Maniac of Dane Hills” close the work with another excruciating piece of high quality Doom Metal closing this new stuff of these canadian doomsters in a very high level.

In short, Witchsone’s new album is the enhancement and ratification of what had been developed since their previous works, which were already highlighted by cohesion and brutality and are now reiterated by the praiseworthy ability to create engaging  and scorching. I compare the listening of “Mortal Fear of Infinity” to a hellish trip through some arid and dead valley surrounded by threats and without  guarantee of safe passage, culminating in the inevitable fall of the acid rain that can be seen on the horizon. The roots of Doom Metal are preserved with respect and honors in this work, linked to the use of diversified elements and producing a sound that leaves no gaps at all.

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