REVIEW: Hibushibire – “Freak Out Orgasm!” (2017)

hibu

(thanks to Andy and Riot Season for the stuff!)

(review por Matheus Jacques)


HIBUSHIBIRE – “Freak Out Orgasm!”

Tracklisting:

1.Lucifer’s My Friend
2.Hallucination Valley Blues – Flying Shiva Attack – Hallucination Valley Blues (Reprise)
3.Trepanation Breakdown
4.Deep Throat River Holy Mountain High

Em 2012 se estabelecia o principio da Hibushibire, um power trio japonês que baseia sua sonoridade em um rock psicodélico volumoso que beira o absurdo, com sua profusão de riffs e solos delirantes. Chang Chang, vocalista e guitarrista, e o baixista 821 (membro de vários outros projetos musicais) iniciaram a banda como uma jam band, e por longo tempo tentaram realizar a gravação de seu primeiro álbum, mas a troca de membros até atingir o lineup definitivo impedia tal êxito.

Finalmente, 2017 traz o momento onde os caras conseguem dar vida a “Freak Out Orgasm”, seu álbum de estréia, com Ryu Matsumoto na bateria. Mixado e produzido por Kawabata Makoto, membro fundador da icônica banda japonesa Acid Mothers Temple, o trabalho foi gravado em Helluva Lounge, casa de shows de Osaka ( de onde é oriunda a banda). O processo de overdub com instrumentos bem particulares como o Zurna (instrumento de sopro asiático), o Santur (instrumento percussivo iraniano) e também synths ajudou a adicionar uma dose extra de psicodelia e delírio ao som dos caras em “Freak Out Orgasm”, um excelente trabalho de rock psicodélico moldado com a forma do puro caos.

Vamos aos fatos. “Lucifer My Friend”. Sem vocais. Um breve, brevíssimo prelúdio se compararmos com a duração das três faixas restantes. E dotado de um poderio bélico psicodélico capaz de abrir um buraco da extensão de um oceano em sua mente. Hibushibire começa a se estabelecer como uma versão mais insana, errática e caótica da psicodelia de bandas como Blue Cheer e Acid Mothers Temple. O poderoso trabalho Acid Rock distorcido da guitarra realizado pelo também vocalista Chang Chang eleva o nível da energia sonora desse trio a um patamar estratosférico, culminando em um processo de Jam assombroso, explosivo.

Hallucination Valley Blues – Flying Shiva Attack – Hallucination Valley Blues (Reprise)” é um Heavy Psych que se desenvolve em uma frenética odisséia de jam session regada a delirantes e vulcânicos movimentos de guitarra. Chang Chang finalmente soma seus vocais ao trabalho instrumental fumegante da Hibushibire: ácidas e esfumaçadas intervenções vocais interpostas a camadas entorpecedoras de rock psicodélico pesado. A cada segundo que passa aumenta a temperatura no termômetro da lisergia e somos mais e mais envoltos pela névoa ácida produzida pela soberba musicalidade da trinca nipônica. Existe um verdadeiro senso de visceralidade e compromisso com a acidez e a liberdade musical presentes durante todo o desenrolar da faixa, permitindo até um interlúdio deveras mais moderado e gradual lá pela metade da faixa, precedendo o retorno ao tornado delirante sônico da embrutecida psicodelia dos caras.

Das quatro faixas do delirante “Freak Out Orgasm”, certamente foi “Trepanation Breakdown” aquela com a qual estabeleci uma conexão mais poderosa. O eletrizante trabalho linear instrumental possui uma “ponte” muito bem conectada com o vocal etéreo e ácido de Chang, fazendo com que o som possa desenvolver um poder magnético mesmo sem grandes variações em princípio, se baseando em sólidos riffs e pirações diversas dos caras. Mas nos momentos de maior delírio de Chang nas seis cordas, os caras conseguem praticamente abrir um buraco negro com suas emanações sônicas.

Deep Throat River Holy Mountain High” é o mais atípico dos momentos da Hibushibire no álbum, onde a profusão de absurdas reverberações cósmicas cessa por determinados momentos para dar lugar a um desenvolvimento mais gradual e a uma instrumentação mais meditativa, performando um Tantra que serve como lugar de repouso em meio à saraivada psicodélica da Hibushibire. Obviamente estão presentes os momentos onde os japoneses performam aquele heavy psych fumacê, ácido e hipnotizante; entretanto, é apresentada uma “outra saída”, a igualmente poderosa e convincente habilidade do trio de executar seu rock psicodélico de forma mais suave, porem semelhantemente catártica.

Ao final de “Freak Out Orgasm”, album de estréia da banda japonesa Hibushibire amadurecido ao decorrer de alguns anos, fica a sensação de ter presenciado um momento que pode ser raro hoje em dia: bandas que conseguem equilibrar o “inicio-meio-fim” de um canção, a história que ela conta por assim dizer, com a total liberdade de expressão e improviso de uma jam session. Realizar um movimento desses em total harmonia com suas pretensões pode soar mais simples do que parece. Nesse caso, executado com perfeição e paixão pelo trio japonês, que entrega o que promete ser um dos melhores trabalhos de heavy psych em 2017.

Extremamente indicado para ouvintes de bandas como Blue Cheer, Acid Mothers Temple, Earthless e Radio Moscow.


HIBUSHIBIRE – Freak Out Orgasm! (2017)
Data de Lançamento: 3/3/2017
Riot Season
LP/Digital/Cassette
Mixado e Produzido por: Kawabata Makoto


HIBUSHIBIRE é:

Chang Chang – vocal/guitarra
821 – baixo
Ryu Matsumoto – bateria


Hibushibire
Hibushibire (BANDCAMP)
Riot Season
Riot Season (BANDCAMP)
Riot Season (OFFICIAL)
BUY “Freak Out Orgasm!”

 

 

(TRANSLATION TO ENGLISH)

In 2012 was established the principle of Hibushibire, a Japanese power trio which based their sonority on a massive psychedelic rock that borders the absurd with their profusion of delusional riffs and solos.The singer/guitar player Chang Chang and the bassist 821 (member of several other musical projects) started the band as a jam band and for a long time tried to record their first album, but the exchange of members until reaching the definitive lineup Impeded such success.

Finally 2017 brings the moment where the guys can bring to life “Freak Out Orgasm”, their debut album with Ryu Matsumoto on drums. Mixed and produced by Kawabata Makoto,  founding member of the iconic Japanese band Acid Mothers Temple, the work was recorded at Helluva Lounge, venue from Osaka (where the band was originated). The overdub process with very particular instruments like the Zurna (asian wind instrument), the Santur (Iranian percussive instrument) and also synths helped to add an extra dose of psychedelia and delirium to the sound of the guys in “Freak Out Orgasm”, a excellent work of psychedelic rock shaped in the form of pure chaos.

Let’s go to the facts. “Lucifer My Friend”, first song. No vocals. A really brief prelude if we compare with the duration of the three remaining tracks. And endowed with a psychedelic warlike power able to open a hole of the extension of an ocean in your mind. Hibushibire begins to establish itself as a more insane, erratic and chaotic version of the psychedelia from bands like Blue Cheer and Acid Mothers Temple. The powerful Acid Rock distorted guitar work by lead vocalist Chang Chang raises the sound energy level of the trio to a stratospheric level culminating in an astonishing, explosive Jam process.

Hallucination Valley Blues (Reprise) “is a Heavy Psych that develops in a frenetic odyssey of jam session founde in delirious and volcanic guitar movements. Chang Chang finally adds their vocals to the blazing instrumental work of Hibushibire: acidic and smoky vocal interventions interposed to layers of heavy psychedelic rock. With each passing second the temperature increases in the thermometer of lysergia and we are more and more surrounded by the acid mist produced by the superb musicality of the japanese three-head. There is a true sense of viscerality and commitment to the acidity and musical freedom present throughout the unfolding of the track allowing even a more moderate and gradual interlude down the middle of the track, preceding the return to the delusional sonic tornado of the brutish psychedelia of the guys.

Of the four tracks of the raving “Freak Out Orgasm” it was certainly “Trepanation Breakdown” with which I established a more powerful connection. The electrifying  linear instrumental work has a “bridge” very well connected with the ethereal and acidic vow of Chang Chang causing the sound to develop a magnetic power even without great variations in principle, being based on solid riffs and diverse freak-movements of the subjects . But in Chang’s greatest deliriums on the six strings the guys can practically open a black hole with their sonic emanations.

“Deep Throat River Holy Mountain High” is the most atypical of Hibushibire’s moments on the album, where the profusion of absurd cosmic reverberations ceases for certain moments to give way to a more gradual development and more meditative instrumentation, performing a Tantra that serves as a resting place amid the psychedelic hail of Hibushibire. Obviously there are moments where the japanese perform that smoky, acid and hypnotizing heavy psych; however, a “other way” is presented with the trio’s equally powerful and compelling ability to perform their psychedelic rock in a gentler yet similarly cathartic way.

At the end of the debut album “Freak Out Orgasm” of band Hibushibire, matured over the course of a few years, there is the feeling of having seen a moment that may be rare nowadays: bands that manage to balance the “beginning-middle-end ” of a song, the story it tells so to speak, with the total freedom of expression and improvisation of a jam session. Making such a move in total harmony with your pretensions may sound simpler than it seems. In that case executed with perfection and passion by the japanese trio which delivers what promises to be one of the best heavy psych releases in 2017.

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