REVIEW: Child – “Blueside” (2016)

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(O DELTA DO BLUES… AUSTRALIANO! VEJA COMO NO ENTORPECEDOR “BLUESIDE”)

(resenha por Matheus Jacques)


CHILD“Blueside”

Tracklisting:

1.Nailed to the Ceiling 06:05
2.It’s Cruel to be Kind 07:58
3.Blue Side of the Collar 05:52
4.Dirty Woman 08:02
5.The Man 11:29


É inegável o poder e o fascinio magnético que o Blues exerce desde seus primórdios, desde seus “ancestrais” tempos do Delta até suas formas mais atuais. Através de seu desenvolvimento, décadas de novos caminhos, possibilidades e novas formas, do Rock´n Roll ao Metal, embarcando em viagens astrais, lisergia, lamentos pantanosos e delírios diversos.
Após tanto tempo e tantas experimentações, é interessante ver uma banda no ano em que estamos mirar seu intento no passado, buscando retomar as raízes do blues e associá-las a um toque mais contemporâneo e com os pés na lisergia e em alguma densidade. E isso é algo que podemos conferir de forma muito bem feita com a banda australiana Child e seu novo trabalho  “Blueside“.

Após um excelente debut auto-intitulado em 2014, o power trio formado pelos talentosos Mathias Northway (guitarra/voz), Michael Lowe (bateria/percussão) e Danny Smith (baixo, substituindo Jayden Ensor) volta com seu novo album, “Blueside“, pelo selo Kozmik Artifactz. Da maravilhosa capa à produção do album e o seu conteudo em si,fica evidente aqui um trabalho diferenciado. Capitaneado por um ótimo vocalista e guitarrista talentoso, o grupo australiano se envereda pelos caminhos apaixonantes, entorpecidos e hipnóticos do blues psicodélico em cinco faixas.

A abertura é “Nailed to the City“: a faixa possue um crescendo notável. O trio consegue evoluir o tom da canção de absolutamente plácido para irremediavelmente elétrico, sem que pontas soltas sejam deixadas pelo caminho. Sem que detalhes fundamentais sejam perdidos. O blues suave e apaziguado dá espaço, aos poucos para uma psicodelia esfumaçada absorta em delírio. A grosso modo, é como “Eric Clapton virando Radio Moscow“, em um desenvolvimento no qual você já está completamente perdido antes que se dê conta. Os acordes complacentes se tornam fuzz e fogo sem que nada possa obstruir seu caminho.E tambem fazem o inverso de forma caprichada. Os caras estabelecem um “festim de Blues” com vários toques e nuances, explorando diferentes timbragens e roupagens.

Nailed to the City” me soou como o grande destaque do album, mas todas as faixas seguintes desse novo album da Child são apaixonantes. “It´s Cruel to be Kind” surge com um lamento bluesy honesto e denso, onde a capacidade do habilidoso Mathias é explorada de forma louvável trazendo a tona o melhor de suas capacidades na guitarra com riffs ruidosos e delirantes, e com performance vocal admirável e de total entrega. Novamente,
momentos mais introspectivos e moderados se mesclam a explosões e rugidos gordos de fuzz, criando outro movimento sônico eletrizante. “Blue Side of the Collar” traz mais da melodiosa malemolência e do groove do blues psicodélico com ótimo desempenho de cada um dos integrantes em uma escalada de lisergia e torpor.

Fechando a obra, “Dirty Woman” e “The Man” sao mais duas peças apaixonantes e hipnóticas enveredadas pelo malemolente blues cósmico e delirante, entregando os últimos passos no album de uma banda extremamente afinada e conectada com as raízes da música pesada. A Child se entrega completamente, apoiada em uma trinca muito exitosa no desempenho de suas funções, para proporcionar uma catarse psicodélica tendo o blues como propulsor. É inegavelmente prazeroso o que se recebe ao estabelecer esse contato com o novo trampo dos caras, definitivamente um painel muito bem construido de psicodelia e lamentos do Delta.

Explorando caminhos diversos ramificados a partir de um mesmo sentido (o Blues), o trio australiano Child proporciona um momento único com “Blueside“, em se tratando de rock psicodélico e entorpecido. Abra um vinho, coloque essa beleza pra tocar e apenas ouça e relaxe: o êxtase é inevitável!


CHILD Blueside (2016)
Kozmik Artifactz
CD / LP / Digital
Gravado ao vivo em Iridium Audio e TVOG por: Dav Byrne
Mixado e Masterizado por: Dav Byrne
Produzido por: Child & Dav Byrne
Arte por: Nick Keller
Fotografia por: Stephen Boxshall


CHILD é:

Mathias Northway – guitarra/vocal
Michael Lowe – bateria/percussão
Danny Smith – baixo

Adicional:

Joe Cope – orgão
Harmony Byrne & Neil Wilkinson – backing vocal


Child
Child (BANDCAMP)
Kozmik Artifactz
Kozmik Artifactz (OFICIAL)
BUY “Blueside”

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(TRANSLATION TO ENGLISH)

The power and magnetic fascination of the Blues from its earliest beginnings, from its “ancestors” Delta times to its most current forms, is undeniable. Through its development decades of new paths, possibilities and shapes, from Rock’n Roll to Metal, embarking on astral journeys, lysergia, swampy moans and several delusions.
After so much time and so many trials it is interesting to see a band in the year when we are targeting their intent in the past, seeking to retake the roots of the blues and associate them with a touch more contemporary and with the feet in the lysergia and in some dense pace. And this is something that we can check very well with the australian band Child and his new work “Blueside”.

After a great 2014 self-titled debut the power trio composed of skilled musicans Mathias Northway (guitar / vocals), Michael Lowe (drums / percussion) and Danny Smith (bass, replacing Jayden Ensor) return with their new album “Blueside” through Kozmik Artifactz label. From the wonderful cover to the production of the album and its content in itself a differentiated stuff is evident here. Captivated by a great vocalist and gifted guitar player the australian group goes through the wonderful, numbing and hypnotic paths of psychedelic blues in five tracks.

The opening is “Nailed to the City”: the track has a remarkable crescendo. The trio can evolve the pitch of the song from absolutely placid to hopelessly electric without loose ends being left by the way, without the fundamental details being lost. The soft, soothing blues gives space gradually to a smoky psychedelia absorbed in delirium. Roughly it’s like “Eric Clapton turning into Radio Moscow” into a development in which you are already completely lost before you know it. The complacent chords become fuzz and fire without anything obstructing their path. And they also do the reverse neatly. The guys establish a “Blues Feast” with various touches and nuances exploring different tones and styles.

“Nailed to the City” sounded to me like the great highlight of the album, but all of the following tracks from this new Child’s album are passionate. “It’s Cruel to Be Kind” comes up with an honest and dense bluesy lament where the skillful ability of the talented Mathias is exploited praiseworthy bringing to the surface the best of his guitar abilities with noisy and delirious riffs and admirable vocal performance. Once again more introspective and moderate moments blend into fuzzy bursts and roars creating another electrifying sonic movement. “Blue Side of the Collar” brings more of the melodious malemolence and groove of the psychedelic blues with optimal performance of each of the members in an escalation of lysergia and torpor.

Closing the work “Dirty Woman” and “The Man” are two more enthralling and hypnotic pieces stuck in the haunting cosmic and delusional blues delivering the last steps on the album of a band extremely tuned and connected with the roots of heavy music. Child gives in completely (based on a very successful three-piece soil) in the performance of its functions to provide a psychedelic catharsis having the blues as propellant. It’s undeniably enjoyable to get in touch with the new stuff of the guys, definitely a nicely built panel of psychedelia and Delta moans.

Exploring different paths starting from the same direction (the Blues), the Australian trio Child provides a unique moment with “Blueside” when we talk aboutpsychedelic and numbing rock. Open a wine, put that beauty to spin and just listen and relax: ecstasy is inevitable!

 

 

 

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