15 discos lançados em 2016 de bandas que transitam pelo torto, experimental, extremo, lento, invertido!

Nem só de chapado, arrastado e desacelerado vive a SUD, existe um universo gigantesco no mundo da música maldita, na música da contramão, por isso, tratarei d’algumas bandas do rolê mais torto, passaremos pelo desacelerado, pela música ‘ritualística’, pela música experimental, pelo extremo, por sonoridades que não buscam se enquadrar especificamente num nicho, ou, apenas em um deles.



O ano de 2016 começou com o 3º disco dos finlandeses Hexvessel – When We Are Death, um grupo que explora a música folclórica, aliando algo da magia etérea, da psicodelia dos anos 60, misticismo, ocultismo e afins, são uns hippies modernos… A banda é fronteada pelo monstro Kvohst (Mathew McNerney), um inglês que agora reside na Finlândia, esse cara também assumiu a voz dos Beastmilk, hoje, Grave Pleasures; um post-punk goth moderno e massa.


Continuando na Finlândia com os Oranssi Pazuzu, em fevereiro, a banda lançou o seu 4º play – Värähtelijä, não sei dizer em qual nível de experimentalismo os caras se encontram, só sei que a pancada é forte, o disco parece estar mais lento também, mais explorador, aquela atmosfera mais ríspida permanece intocada.


Um dos discos que eu mais aguardei em 2016 é o Pure, dos In the Woods… A banda faz parte da velha guarda norueguesa que começou a experimentar algo mais, além do Black Metal típico daquelas terras, foram experimentando a cada disco, algo progressivo, desaceleraram, até que chega um momento que não é mais possível traçar uma sequência sonora. A banda permaneceu por mais de uma década em silêncio, em 2015, 3 membros fundadores se reuniram para ressuscitar a banda, o resultado foi muito satisfatório. Não teria porque negar o avanço do tempo na música, por isso, os In the Woods… soam mais modernos, mais pesados.


Contando com 9 discos em 15 anos de jornada, os alemães Nocte Obducta chegaram ao seu 10º play, sem fugir muito da receita atual, uma forma própria do Avant-Garde metálico. Em toda a sua trajetória, a banda sempre cantou em sua língua materna, firmando a sua originalidade nesse nicho. O som, por vezes é introspectivo, sombrio, desolador, frio, um conjunto relacionado aos temas que eles abordam. Mogontiacum (Nachdem die Nacht herabgesunken) é um disco para ser ouvido banhado pela penumbra noturna, em meio ao silêncio. Bons sonhos, ou pesadelos.


Outra banda alemã a ser destacada são os Todtgelichter, em sua fase inicial (1ª década do século XXI) eles eram adeptos do Black Metal cru e direto, na década seguinte, a sonoridade passa a explorar mais o lado torto da música extrema, mais espaço para a melancolia e uma forte dose de descrença na humanidade. Rooms dá continuidade a nova proposta, um pouco mais “limpo” que os 2 antecessores dessa nova rota, Marta assume mais presença no disco, sua voz tenra e melodiosa se completa com a atmosfera mais “deprê”. Um play simplesmente lindo!


Pogavranjen é uma banda croata que bebe vorazmente da fonte dos Ved Buens Ende, lembram também, algo dos Oranssi Pazuzu. A banda foi fundada em 2008, conta com 2 EPs e 3 full-length, apesar do título – Jedva čekam da nikad ne umrem, o novo play é cantado em inglês, a maioria das músicas da discografia são cantadas em croata. A banda parece estar desativada no momento.


Após o (praticamente pop rock) Shelter, o duo francês Alcest retorna em 2016 com algo mais sombrio, com direito a vocais rasgados de Neige, Kodama segue firme na pegada iniciada em Souvenirs D’un…, obviamente aditivado em função do tempo, mais polido, as passagens de teclado ficaram deveras lindas, uma capacidade louvável em explorar o ríspido, o transformando em algo mais simpático aos ouvidos sensíveis (hahaha).

Destaco a faixa “Oiseaux de Prole”, ao meu gosto, é a obra prima do disco, intercalando momentos com maestria, cativa de primeira!


Thy Catafalque é um produto da mente do húngaro Tamás Kátai, sua jornada como músico sempre se apoiou na pegada mais extrema, aliando os experimentalismos do Avant-Garde, em seu 7º disco – Meta, a coisa deu uma desacelerada legal, Tamás convidou inúmeros vocalistas de grupos húngaros para fazerem parte da feita, o resultado é um pluralismo de vozes e atuações de muita qualidade, além disso, uma certa dose de música medieval/folklórica também pode ser notada, algo que Tamás já explorava anteriormente. Meta é um disco muito bem pensado, segue a tradição em ser todo cantado em húngaro, consegue atrelar muito bem o Metal em suas composições, por vezes sútil, por vezes áspero, aprecie sem moderação.


O trio estadunidense Eight Bells é fiel ao termo “torto”, suas músicas não seguem uma sequência pré-estabelecida, mesmo que sejam bem estruturadas… transitam pela sutileza proporcionada pela suave voz da vocalista e guitarrista, até que, em certeiros momentos tudo desanda para uma sonoridade ríspida, algo que me lembra os Wolves in the Throne Room. Atmosferas sombrias, contemplativas, compassos quebrados, um emaranhado de influências que encontraram a sua fórmula.


Os “pais do Dark Metal” seguem atormentando mentes mundo afora, no 8º disco, o auto-intitulado, contando com Jürgen Bartsch e Wolz (ambos da formação que gravou o Dark Metal de 1994), um novo guitarrista e a Onielar (que fronteia os Darkened Nocturn Slaughtercult). Não posso dizer que é um novo experimento, mas, a sonoridade voltou um tanto no tempo, mesmo em relação ao antecessor – Hexakosioihexekontahexaphobia, que já fugia um tanto da pegada mais industrial. Em Bethlehem, a atmosfera se aproxima do Dictius te Necare, os vocais rasgados e agonizantes de Onielar, a levada mais extrema que se alinha ao modo mais moderno da banda produzir música. Pode-se dizer que os Bethlehem continuam firmes em sua missão de atormentar a humanidade!


Mais uma vez mergulhando profundamente na melancolia etérea, acho que é mais ou menos isso que você vai encontrar no 3º disco dos Worm Ouroboros, o trio produziu mais um disco para ser apreciado com a mente alterada, em meio a penumbra da noite, num dia frio e chuvoso, silencioso, um disco para quem busca uma paz em meio ao caos da existência.


Saltando o mapa, rumo a Grécia em busca do novo disco dos Aenaon, o Hypnosophy, são 7 faixas absurdamente entorpecedoras, numa viajem bem pensada ministrando o metal extremo com experimentalismos, uma pegada progressiva, quebrada, intensa, o uso do saxofone, mais uma vez bem encaixado, creio que o Hypnosophy é um tanto mais melodioso que os antecessores, mais direto, mais polido, um trabalho incrível!


Virus é o que surgiu das cinzas dos Ved Buens Ende, é uma mudança de nome, não de identidade, apesar do som dos Virus soarem bem mais quebrado e até mais leve que o dos VBE, a própria banda diz que o foco é mais num rock torto do que num metal, isso fica claro quando você escuta o som dessas duas bandas. Memento Collider é o 4º disco que dá prosseguimento ao som único do trio norueguês. Dá um play e se encante com a beleza da feiura.


Essa galera da Romenia segue fielmente a intenção de inverter as coisas, além de basearem suas letras sobre os mitos do seu país, fazerem uso de línguas antigas, seu som não poderia deixar de ter a mesma proposta. O passado dos caras era voltado ao metal extremo, isso ainda é presente no som, em pequenas doses, ouvir essa banda é fazer parte de um ritual, festejo espiritual, seja lá o que for…


Encerrando com uma banda já bem consagrada no mundo da música extrema torta, dos hipsteres, o duo pirado holandês Urfaust e o seu 4º disco Empty Space Meditation, eles continuam seguindo a receita de sempre, porém, deram mais atenção para as passagens de teclado, uma atmosfera melhor estruturada, IX, além de seus berros corriqueiros, passou a se dedicar a sua voz mais limpa, deixando mais interessante e original a proposta sonora da banda. Neste ano, eles homenagearam os finados The Devil’s Blood com a faixa “Voodo Dust”, um belo cover.



Que Coffin Joe vos abençoe – .:G.Z/SUD:.

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