Um mergulho no mundo do Rock ocultista – Ato II, escavar para ir além mais

Contemplemos uma vez mais esses focos de luz que brilham intensamente na escuridão deste mundo profano, extravasando a cegueira, defrontando a ignorância, avançando os intermináveis círculos da evolução humana não palpável, una, que tornam aqueles que a buscam; Deuses. Deuses nas suas mais variadas formas de existir, agir, observar e absorver, contemplar e irradiar essa Luz que é negada pelos escravos do mundo. Mergulhemos então uma vez mais pelos abismos dos nossos intelectos, abismos que expurgam nossas impressões e nos tornam artesãos de ecos há tempos produzidos em lugares inimagináveis e inalcançáveis pela nossa pobre condição de mortais. Ecos traduzidos como música, a música que nos rege e nos alimenta a alma, que nos tornam vivos num mundo há tempos morto, uma ode ao que é tido como maldito, uma Luz que brilha intensamente na Escuridão. Reneguemos o ódio, pois ele é a fonte da nossa baixeza, o ódio é quem produz a cegueira que abominou este mundo num lugar inabitável. Louvemos o amor, com cautela, pois amar permanece um ato acima de nosso mero intelecto mortal, tornamo-nos Deuses quando de fato, dominamos o impulso mais puro e eterno! Que haja luz quando anoitecer, que haja penumbra quando amanhecer, que haja o despojar dos sexos comungando em suas devidas liberdades, como o entrelaçar das serpentes do caduceu formando o falo, vigiados pelo par de seios da santa imagem que jamais deve ser idolatrada, pois a idolatria é a negação da própria existência, idolatria é um ato repugnante para a nossa espécie, idolatria é cegueira! A Estrela do Amanhã rompe as trevas da noite e nos trás a luz do amanhecer, seus nomes, romperam inúmeras culturas, foi metamorfoseado, é o divino e o profano, é a sapiência e a ignorância, é a lucidez e a demência, é e sempre será a representação dual de um mundo, de uma órbita, daquilo que não está ao nosso alcance, escolha o teu caminho, trace a tua rota, saiba para onde vai e para onde quer ir, ou, torne-se um escravo do mundo. Solve et Coagula!

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Se a dualidade foi abordada aqui, não teria como começar o Ato II com um grupo senão os Sabbath Assembly. Fruto da mente do baterista David Christian, seu grupo musical iria ‘pagar tributos’ à Process Church of the Final Judgment uma seita criada na década de 60 por um casal residente na Califórnia; Robert DeGrimston (O Professor) e Mary Anne Maclean (O Oráculo), a seita também era chamada de O Processo. A ideia primordial se baseava na questão de que Jesus e Satã não são opostos, ambos se complementam, até pode nos fazer pensar que um era o reflexo invertido do outro. Nas palavras de DeGrimston:

“Cristo disse ‘ama teu inimigo’. O inimigo de Cristo era Satã e o inimigo de Satã era Cristo. Pelo amor, a inimizade foi destruída. Pelo amor, Cristo e Satã destruíram a inimizade e estão juntos no Fim. Cristo para julgar. Satã para executar”.

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“O Professor” – o símbolo da seita (a mídia da época o taxou com algo envolvendo o nazismo, o símbolo é a junção de quatro “Ps” em movimento) – uma trindade estranha, deus e 2 demônios equivalentes.

Existe uma infinidade de lendas sobre essa galera, dizem até que estavam acomunados com tráfico de drogas, redes de pedofilia, orgias sangrentas, entre alguns tipos de crueldades, até envolvimentos com pop-stars da época, alguns acreditam que tudo isso era puro sensacionalismo, a mídia queria lucrar em cima dos caras. Com o tempo, DeGrimston passa a se dedicar mais ao lado ‘negativo’, colocando Jesus em segundo plano, isso causou um racha na seita e as coisas mudaram de rumo, DeGrimston foi ‘exonerado’ do seu cargo de sumo sacerdote. Num olhar menos fantasioso, O Processo era apenas um grupo de hippies loucos de ácido lisérgico tirando onda com o cristianismo, com a ideia de deus e demônio, claro que esse tipo de brincadeira pode dar merda, inclusive, o nosso adorado Charles Manson e seu séquito foram iniciados nos ritos d’O Processo. Sabbath Assembly era o nome dado ao início dos trabalhos do culto.

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O Processo, iniciando o culto (a cruz prateada que carrega a serpente vermelha, simbolizando a unidade – Jesus/Satã) – Sabbath Assembly

Foi então que David se baseou totalmente nessa teatralidade com veia conspiratória, Sabbath Assembly se inicia em 2009, seriam 3 discos lançados com a proposta de retratar o que era feito n’O Processo na década de 60, suas letras são as orações criadas pela seita, chega a ser bizarro e engraçado, fica nítido que era tudo questão de loucura por abuso de drogas. Quanto a sonoridade, parece que David sempre quis se distanciar daquela pegada mais 60/70, não em sua totalidade é claro, mas a proposta parece seguir uma linha mais torta, ritualística, a tentativa de por o ouvinte em contato com o tipo de terror que as ideias tortas d’O Processo transmitiam. A banda investiu legal na produção de video-clipes, são vários deles, alguns mais bem pensados que outros, uma viagem ao inferno total.

No disco Quaternity, a coisa começa a mostrar o lado mais sinistro daquilo que eles representavam em suas músicas, além de ser um disco mais atmosférico, quicá, experimental.

Jex Thoth talvez possa ser considerada um dos fundadores da banda, sua passagem se resume a um espaço de tempo entre os anos 2009/11, ela foi a responsável pela voz do debut – Restored to One, após sua saída, Jamie Myers assume o seu lugar, ela segue com o grupo até hoje. No último disco da banda, o auto-intitulado (de 2015), eles passaram a compor as suas próprias letras, talvez, encerrando o laço com O Processo, o disco possui mais peso que o antecessor, deveras seja uma nova aurora, um novo amanhecer, uma nova rota a ser seguida pela banda. Com exceção do primeiro disco, toda a discografia restante fora lançada pelo selo finlandês Svart Rec.

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Jex e David, o início

Vários músicos passaram pela banda, uma boa quantia de instrumentos não tão comuns e seus devidos instrumentistas, cantores, além de figuras cultuadas no submundo cultural dos EUA, os Sabbath Assembly embelezaram a magia do temível, transformaram em música a loucura de seres em busca de algum tipo de evolução espiritual, cravaram suas garras na música obscura!

Acesse o canal da banda para ter uma experiência aterradora – https://www.youtube.com/user/friggafrost/videos

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Sabbath Assembly na atualidade


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Ancient VVisdom – formação atual

A próxima banda a ser abordada é enquadrada por alguns tipos nesse meio do Occult Rock, ao meu ver, nem tanto, mas, fica aí como uma dica de banda que perambula pelo sinistrismo. O som da banda é bem calcado naquele neofolk europeu, típicos dos alemães e nórdicos, um uso de guitarra aqui e ali, algum peso que os difere, mesmo assim, soa bem moderno. Melodioso, livre, leve e solto, sinceramente, nem sei porque to falando dessa banda aqui. Pois bem, vamos lá, a coisa começou em 2009 no Texas, seu fundador; Nathan Opposition se junta com mais uns caras e debuta em 2011 com o A Godlike Inferno, em 2013 – Deathlike, seguido do Sacrificial de 2014. A sonoridade não foi modificada no decorrer do tempo. Ancient VVisdom é outra banda que investiu legal na produção audio-visual, os caras são feios pra caralho, na moral, tudo bem, a feiura também é arte. O som dos caras não é ruim, tá um tanto longe do Rock parte com fogo, é uma música para hipsters que curtem ouija, hipsters das trevas, orna muito com essa galerinha, tirem suas conclusões, ou não, dane-se!


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formação do debut, atual

Brimstone Coven é fruto da mente de Corey Roth, ele fundara a banda no início de 2011 em Wheeling – Virginia, ele chamou 3 conhecidos para adentrarem à ordem, ambos aceitam a feita e a coisa se desenrola. Uma demo é lançada no ano seguinte, em 2013, outra demo, a demo de 2013 se tornaria o debut auto-intitulado lançado em 2014, o material traria como bônus, a primeira demo da banda. Estava então, sacramentado o som do quarteto, a ideia de 3 vozes vem bem a calhar, vozes mais melodiosas e suaves, por possuir apenas uma guitarra, o som dos B. Coven se difere das bandas mais conhecidas do revival consagrado no fogo, eles estão mais para Pentagram e Sabbath, mesmo assim, souberam usar aquela pegada Hard 70’s, aquela dose de Coven, eles até criaram a própria alcunha do som, chamam de Dark Occult Rock (haha), fazendo a música que fazem, eles têm moral pra transgredir dessa forma. Na questão teatral, os caras são bem relaxados, um preto básico, extravasaram a ideia no clipe aí abaixo, perceba o quanto as cordas são bem trabalhadas.

Essa faixa pertence ao 2º disco da banda, lançado em janeiro de 2016. Em Black Magic e suas 10 faixas, é possível notar um peso extra, um disco mais Metal, mais polido. A parte das escritas, digamos que eles não vão direto ao ponto, eles dão uma escapada dessa adoração desenfreada aos demônios; típica da atualidade, e, se embrenham nos galhos da infinitude esotérica, mitologia, das lendas.

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Novo play lançado em 2018, agora como um trio.


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formação inicial

Uma das bandas mais famosas no meio disso, já foram premiados por revistas rockeiras importantes da Europa, concorreram a premiações do mundo mais star, chegaram a ganhar uma delas, talvez, a nível de estrelato, os londrinos Purson só perdem pros Ghost. A parada começa a ganhar vida em 2011, quando a guitarrista/vocalista/linda e carismática Rosalie Cunningham resolve dar um fim em sua antiga banda; Ipso Facto, uma banda que ela fundou em 2007 e contava com mais 3 mulheres, serviu de escola para a sua função nos Purson, o som era moderno, uma mescla de anos 60 com música gótica, uma atmosfera sombria, o grupo durou apenas 2 anos, perceba todo o cuidado com o visual e com a performance (que palavra chique, né?!) da banda no video abaixo, isso se tornaria uma lei também nos Purson.

Após 2 anos do fim da Ipso Facto, Rosalie retorna com novas ideias para sua música e assim ela inicia a sua nova jornada. Após recrutar os membros para acompanhá-la, em 2012 a Rise Above Rec. lança um 7″ com duas faixas, abaixo, uma delas.

Em março de 2013, a banda repete a dose com mais um 7″. Em Leaning on a Bear fica bem nítido o caminho escolhido, um Rock psicodélico, com certa dose sombria, fortemente ambientado nos anos 60, a banda começa a chamar a atenção do meio musical do seu continente.

Ester Segarra
formação que gravou o debut

Pouco mais de um mês depois, eles debutam com o The Circle and the Blue Door, aí foi o estouro total, em muitas listas da mídia gringa, o play alcançou altos índices de aceitação, sempre presente nos ‘top tantos discos’, permitiu que a banda excursionasse pela Europa ao lado das bandas da Rise Above Rec.. Uma faixa do disco ganhou um clipe maneirão, se liga –

Em 2014, já sem o contrato com a RAR, lançam um EP neste mesmo ano, In the Meantime é composto por 4 faixas inéditas, o play foi lançado por um selo bem desconhecido, talvez seja da própria banda, sei lá… O fato é que isso rendeu um contrato com a Spinefarm Records da Inglaterra. A sonoridade começa a dar uma amolecida, ficar mais flores e menos trevas.

Esse contrato com a Spinefarm rendeu à banda, o lançamento do seu segundo disco, lançado em abril de 2016. Desire’s Magic Theatre traz 10 faixas mais 3 bônus (entre eles 2 versões acústicas de 2 faixas do disco), é um disco baladeiro, dançante, Rosalie passa a trabalhar melhor sua voz, é um disco bem trampado, feito pra vender.

A banda não utiliza esse termo Occult Rock, duvido muito que eles se considerem enquadrados nisso, suas letras não são tão explícitas como muitas outras bandas, não são focados no ocultismo e afins, mas, sabemos que a chama brilha em alguma intensidade ali.

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formação que gravou o 2º disco – atual

Como curiosidade, fica aqui uma participação da Rosalie no último clipe dos finados Cathedral, essa mina aí é ela, amiguinhos.

A banda chegou a excursionar com os Ghost em 2015, 2 anos depois, ao lançar um single chamado “Chocolate Money”, os Purson encerraram suas atividades.


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Uma banda com uma discografia pobre, com um tema abordado que foge absurdamente dos padrões abordados aqui, ao pé da letra, são totalmente contrários. Além da sonoridade, o que me fez retratar essa banda é a abordagem lírica/teatral. Não creio que seja uma resposta finlandesa aos Sabbath Assembly, os Mansion caminham numa mesma ideia, por uma rota diferente. Não é possível encontrar informações de como a banda começou, é sabido que tudo gira em torno da mente de Alma, é bem provável que este não seja o nome original da vocalista e fundadora do grupo, já que, Alma Maria Kartano era a graça da fundadora do Kartanolaisuus (ou Kartanoismo); uma seita cristã criada no fim do século XIX, a prática envolvia a repulsa ao sexo, a crueldade na educação infantil, a mulher mesmo após o casamento seria intocável, suas vestes deveriam ser negras, o uso de um lenço na cabeça era obrigatório. Os ritos eram chamados de sermões, incluíam orações desconexas, gritavam feito a crentalhada dessas igrejas imundas neo-pentecostais que temos aqui, essa balburdia podia durar horas, horas ajoelhados com o rosto pregado no chão orando para espantar o diabo, em certos momentos, o êxtase era atingido e a galera começava a se debater, se auto-flagelar, gritavam, visões proféticas, falavam em línguas desconhecidas, a típica visão do inferno que temos quando cruzamos essas igrejas de alvenaria, mal acabadas, com cadeiras de praia, meu deus do céu, queima Jesus! Esse lado macabro duma seita cristã consegue ser mais aterrador do que muita adoração ao demônio, uma antítese do sagrado, do puro, é a loucura daqueles que querem alcançar o altíssimo a todo custo, é por isso que essa banda (grupo) se faz presente aqui.

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Me parece que o grupo é um dos poucos a manter a tradição no país, não sei se levam isso de forma tão extrema, como era, pode ser que a liturgia tenha sido modificada, pode ser até que tudo isso seja apenas pura zueira. Existem relatos de que o Kartanoismo perdura na Finlãndia até hoje, em grupos bem menores do que antes. A musicalidade dos Mansion é absurda, usam 3 guitarras como manda a nova era do Occult Rock, adicionam mais peso, mais Heavy Metal, a utilização de teclado traz aquela vibe sinistra. Desde 2013, foram 3 EPS e 2 singles, o último deles, um remix puts-puts das duas faixas do EP Altar Sermon. Numa das faixas do último EP, Kvohst faz uma participação (inclusive na capa), o inglês que se tornou uma figura manjada na Finlândia, fronteando bandas como Hexvessel e Grave Pleasures, uma das vozes mais fascinantes do rolê, diga-se de passagem.

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A banda também deu uma investida legal na produção audio-visual, uma parceria com a Svart Rec., selo que é responsável pela parca discografia da banda.


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Matt “Macabre” Emery

O ano de 2012 e a cidade canadense, Vancouver, viram nascer a Order of the Solar Temple pelas mãos de Matt “Macabre” Emery. A “Ordem do Templo Solar” possui uma história bizarra, fundada na década de 80 por Joseph Di Mambro e Luc Jouret em Genebra, a ideia dessa seita se baseava em novas noções dos seguidores do Cristo, numa continuação da ordem dos cavaleiros templários, uma nova forma de enxergar a religião cristã, uma suposta preparação para a segunda vinda de Jesus – o Rei-Deus solar – além de, pregar a unificação de cristãos com islâmicos. Acredita-se que o grupo foi influenciado pela obra de Aleister Crowley, mantinham rituais maçônicos adaptados, possuíam lojas espalhadas por alguns países ao redor do globo. Essa seita passou a ter envolvimento com gente de alto escalão, principalmente na França, muitos começaram a duvidar da ordem, até que os 2 mestres os mostram uma visão apocalíptica do mundo e convoca a todos a viverem num mundo paralelo onde apenas a elite do mundo terreno poderia gozar. A partir de 1994 começa uma onda de assassinatos ou suicídios coletivos, acredita-se que essa brincadeira ceifou a vida de quase 80 pessoas, inclusive crianças. Os crimes aconteceram em países como Suíça, França e Canadá. Existem inúmeras lendas sobre essa sociedade secreta, arquivos, dossiês, ainda não é sabido muito bem o que aconteceu, exceto, os corpos encontrados, é claro. Nessa atmosfera desgraçada, entrelaçada com a obra de Crowley que o “Macabre” foi buscar inspirações para sua letras, já na música, segundo ele mesmo, fica entre a transição do Hard Rock pro Metal, bandas como Blue Öyster Cult, Paul Chain, Demon, Mercyful Fate são citadas como influências, inclusive, rolou um cover dos BOC no play. TOOTST tem mais cara de projeto do que uma banda em si, conta com apenas um disco em sua discografia, lançado em 2014, um puta disco! Matt toca guitarra numa banda de Doom Metal chamada Funeral Circle.

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formação que estaria gravando o novo disco

Segundo o site do selo que lançou o debut – I, Voidhanger Rec., o projeto teria ganho uma cara de banda (um quarteto) e estaria trabalhando no segundo disco que seria lançado em 2016, o disco sairia pelo mesmo selo, ainda consta que algumas musicas seriam baseadas no clássico Alucarda de 1977. Aguardemos!


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KJLK e T. Marie

Venus Victrix é uma banda texana paralela duma outra chamada Destroyer of Light, o guitarrista dessa banda convidou uma mina para assumir o vocal e a coisa aconteceu, sobrou espaço para os seus confrades de banda também deixarem a sua marca no projeto. Os caras mergulharam naquela visceralidade dos anos 70 com um toque deles mesmos, como o projeto foi capitaneado por KJLK; letras e músicas, parece que o cara não se dá muito bem com a bateria, nada de tão estrondoso, apenas uns pequenos vacilos, a afinação não ajuda muito também, vai saber se isso não foi proposital… As letras tratam mais do lado mitológico aliado aos mistérios e lendas, ritos ancestrais pagãos! A banda também começa com um debut, Vol I, que foi lançado em 2014 de forma independente. Lembro de ter ouvido logo que saiu o play, de ter divulgado o material na page da SUD, os caras até agradeceram, é mais uma banda entre tantas outras que vem e vão, e deixam sua pequena marca, fui dar um confere na page deles, está ‘fora do ar’. Bom, pelo menos o play tá solto no bandcamp pra ser conferido. No mesmo ano, os VV lançaram um EP com 3 faixas do debut tocadas de forma acústica.


Voltando ao continente europeu, trarei 3 bandas para encerrar o Ato II, entre as 3, duas são nórdicas, a que será abordada agora, é mais uma finlandesa.

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Um dos grupos mais sem muita preocupação com a porra toda, o som dessa banda passeia pelo Psych Rock, pelo Doom, Punk, Prog Rock, entre experimentalismos a mais, a voz/modo de cantar da frontwoman Noora Federley carrega firme a forte cultura punk finlandesa, além do mais, eles adotaram a língua materna como forma de expressar a sua mensagem musicada. Após um single lançado em julho de 2012, em setembro do mesmo ano eles debutam com um disco auto-intitulado, são 10 faixas em 31 minutos, lançam mais 2 discos entre 2013/15, em 2016 chegam ao quarto disco, mais melódico do que o costume, continua torto, sem compromisso. Uma banda que provavelmente iniciou as suas atividades em 2012 contando com 4 discos, pode-se dizer que são bem produtivos. Quem apadrinhou a banda foi o já muito citado aqui, selo finlandês Svart Rec.

Segundo a própria banda, eles buscam abordar a degradação ambiental, a humana, assuntos sobrenaturais, abusos e vacilos quando o assunto é o lado sinistro, a maldade escancarada da raça humana, como eles dizem; “temas altamente atuais”. A gravação com uma carga não tão polida é proposital, eles assumem que querem se aproximar da “antiquíssima linhagem do Rock’n Roll excêntrico”

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Christofer Johnsson

Na vizinha Suécia… o aflorar dum projeto da mente genial da figura de Christofer Johnsson mais conhecido por sua Obra à frente dos Therion, segundo o pequeno release dos Luciferian Light Orchestra, o projeto ganhou vida por Johnsson sentir a necessidade de mostrar ao mundo suas composições que ele julgava um tanto retrô para a proposta sonora dos Therion, seu culto ao oculto, à música dos anos 60/70, o ‘pressionaram’ ainda mais a dar vazão nesta nova jornada. LLO é encarado como um projeto mesmo, no debut de 2015 foram dezenas de músicos convidados para gravarem o disco, conta com vários vocalistas, gente do Therion, do círculo musical que Johnsson é próximo e até da Dragon Rouge, uma sociedade secreta qual ele é adepto. A Dragon Rouge é voltada à mão esquerda, trabalha o lado mais obscuro da Kabala e sua antítese, Qliphoth, o adepto avança 10 graus até atingir a “super-consciência” (11° 0) – que no caso da D.R., parece ser bem mais aterrorizante, existe uma loja no Brasil, vai encarar?. O debut fez florescer 3 video-clipes, um mais mágico que o outro, mostra que o projeto quer ir além da música, além das ideias obscuras, a Dragon Rouge é feita por inúmeros artistas, acredito que esses clipes sejam a expressão da Ordem, e quiçá, uma extensão do grau que Johnsson ocupa no momento.

Em dezembro de 2016 foi lançado um EP com 4 faixas, o material sairá pela Svart Rec.. Por incrível que pareça, LLO já veio ao Brasil, vieram como banda de abertura pros Therion, ou seja, uniu o útil ao agradável.


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Para encerrar, uma banda italiana bem recente, fronteada pela estonteante Virginia Monti, ela iniciou o seu projeto para fugir das sombras do seu passado, sua vida tranquila em Milão se tornou amarga, amores falidos, demissão do seu emprego, isso a fez se mudar para Florença, lá ela daria início ao escopo da banda. Baseando suas ideias na magia e na feitiçaria, filmes de terror cult, algo de exploitation, ambientando suas influências totalmente calcadas nos anos 60/70, Jefferson Airplane, Coven, Hendrix, Sabbath, etc… Alguma levada do Blues, algo que evoca o embrião do Doom Metal, e claro, psicodelia, tava formulada a receita. Com uma trupe de músicos, os Psychodelic Witchcraft lançam um single no início de 2015 chamado Angela, em julho do mesmo ano, sai o EP – Black Magic Man contendo 3 faixas mais a música “Angela”, a banda consegue chamar a atenção do rolê europeu, este EP ganha duas faixas inéditas e é lançado como um debut ainda em 2015, isso faz com que eles assinem com o selo holandês Soulseller Records. Em fevereiro de 2016 é lançado o segundo disco – The Vision contendo 9 faixas, um play com rits dançantes, entre eles, a faixa “Witches Arise”, menos agressivo que os materiais anteriores, mais psicodélico. Já está agendado o lançamento do segundo disco; janeiro de 2017, na real, o disco conta apenas uma faixa inédita (do video abaixo), regravações de faixas antigas mais 2 covers, um dos Blue Öyster Cult, outro dos Sam Gopal, o disco sairá pelo selo holandês, além das faixas, a capa já foi revelada também.

Acesse o canal e divirta-se com as doideras dessa italianona doida – https://www.youtube.com/channel/UClp-mw7ypf7d8zO6AI2MS5Q/videos

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Em outubro do mesmo ano nasce o Sound Of The Wind – contendo 10 faixa inéditas.

Virginia se envolveu com o Mark Greening num novo projeto do renegado, a banda se chama Dead Witch, os caras estão trabalhando num debut, o primeiro guitarra da banda faleceu a pouco tempo, o que diabos esse Mark tem que só dá merda onde ele pisa? Ela gravou o debut, fez alguns shows, “namorou” Mark e tudo isso já ficou no passado, abandonou a banda e o namoro kkkkkk… que cara zicado!



Para o último ato dessa abordagem, trarei aquelas bandas com um pé na magia do revival, na magia ocultista/sinistra e outro no Metal, bandas difíceis de encaixar num rótulo qualquer, bandas que retornam ao passado para dar vazão ao que de melhor podem extrair daquela música. São bandas mais recentes também, muitas, uma vez mais fronteadas por mulheres, acho que você já percebeu a presença constante delas nesse meio, além de suas potentes vozes, seus misticismos, suas belezas, seus poderes de atração, elas contemplam a dualidade da nossa espécie, seria ridículo falar sobre esses temas, criar música sobre esses temas sem a presença feminina, seria uma afronta aos ritos ancestrais por toda a Terra. Na música obscura, a mulher tem o seu papel muito bem representado, são respeitadas e admiradas, pois, “todo homem e toda mulher é uma estrela”. Até a próxima.


Que Coffin Joe vos abençoe – .:G.Z/SUD:.

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