Um mergulho no mundo do Rock ocultista – Ato I, ritos iniciáticos

Não é nenhuma novidade o entrelaçar da Música Pesada com temas de cunho sinistro, aqui na SUD já foram tratadas uma leva de bandas com um pé, ou dois, nessas órbitas da curiosidade humana. Pois bem, o que será iniciado aqui até poderia fazer parte da matéria “Ocultismo, exoterismo, satanismo…”, mas, devido ao grande número de bandas que comungam desses poréns, não haveria a mínima possibilidade de abordá-las por aqueles fins, além da extensividade, ficaria um tanto deslocado, na real, um título novo pode chamar mais a atenção. A ideia não é tratar dos assuntos mais ligados aos estudos dessas sendas, extrapolando a hierarquia de Ordens mundo a fora, a SUD não é um conciliábulo, uma Coven, uma Loja, a atração é mais estética e musical, não iremos te ensinar como conseguir um convite para o Sabbat de bruxas europeias, nem receitas de Vudu, nem como evocar legiões infernais, muito menos, te mostrar o verdadeiro sentido do chirrin e chirrion muito bem encenado pelo .:Gran Mestre Don Ramon:., mais conhecido pela alcunha de Seu Madruga.

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Se a coisa começou a ser desenrolada pelos Coven e pelos Black Widow em fins dos 60, houve um intervalo gigantesco para que aquele tipo de sonoridade e temática voltasse à vida, claro que no meio disso, muita coisa aconteceu no mundo do Metal mais pauleira, vide a galerinha da Noruega no começo da década de 90, nos 80 com os Venom metendo o loco geral, bom, acho que não vale a pena entrar nesses detalhes, seria pura perda de tempo. É preciso ressaltar que nesse grande intervalo algumas almas sebosas seguiram na feita de trazer à Luz dos vivos tais temas na Música desacelerada, nada com muito brilho, com muita atenção, eram bandas fadadas ao limbo, nesse mundarél de bandas e gostos específicos isso se tornaria um fato consumado.


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Em 2006, na Holanda, um sujeito chamado Selim Lemouchi e sua irmã, Farida, dão início ao que seria uma outra forma de revival dos anos 60/70, algo mais sanguinolento, magicko, caótico, do jeito que o 7 pele gosta. No ano seguinte, eles gravam uma demo com 4 faixas, entre elas, uma que nunca foi gravada oficialmente em materiais posteriores, “It’s On” é cantada por Selim, parece ter sido gravada em algum momento entre os anos 60/70, parece um cover duma banda que ninguém nunca ouviu falar.

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Irmãos Lemouchi

Em 2008, é a vez do EP The Graveyard Shuffle, com 2 faixas melhor gravadas.

Após ouvir essas duas faixas, ficará bem nítido qual seria a proposta sonora da banda no decorrer da sua curta existência. Selim costumava dizer que as suas músicas teriam sido feitas em outros tempos, ele apenas as resgatou e acrescentou a sua marca nelas, acho que ele resumiu muito bem essa história de revival. Mesmo sem um debut na praça, os irmãos, acompanhados de mais 4 músicos vinham se destacando na Europa, realizando shows pelo continente. Ainda em 2008, em novembro, eles lançariam a obra fundamental que os colocariam de vez como peça chave nessa “ressurreição” do Rock antigo forjado nas fornalhas do inferno. Come, Reap, é simplesmente uma das obras mais lindas da Música Pesada Obscura, é um poço de genialidade musical, de culto ao oculto, ao sangue, ao instinto selvagem, à depravação humana, é o retorno ao espírito transgressor. o EP é munido de 5 faixas em quase meia hora de aterrorização da alma.

A banda caiu no gosto do selo alemão Ván Records, um selo altamente dedicado às bandas que tratam do mundo invisível em suas composições, essa parceria iniciada no EP Come, Reap, perduraria até o fim da banda. Em setembro de 2009 eles debutam com o The Time Of No Time Evermore, o disco é repleto de hits que poderiam figurar nas baladas de 3, 4 décadas atrás, são 11 faixas deslumbrantes ávidas pelo seu prazer.

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Estava sacramentado o culto europeu em volta dessa ‘horda’, uma banda sueca vinha engatinhando, uma banda que arrecadaria fortunas nos presentes tempos, falarei de Ghost mais além. A banda passa o ano de 2010 propagando seu debut em várias apresentações, as revistas Rock Hard e Sweden Rock lançam materiais promos acompanhados de entrevistas em suas devidas edições, o material continha faixas do debut e inéditas que fariam parte do 2º disco. Em novembro de 2011, o The Thousandfold Epicentre ganha vida, a receita continua fiel, os caras reafirmam o seu potencial como banda, talvez, traga com sigo, uma dose a mais de psicodelia, Selim passaria a se dedicar ao seu projeto solo; Selim Lemouchi And His Enemies, este projeto se distanciava um tanto da proposta dos TDB.

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Selim Lemouchi And His Enemies lança em julho de 2013, o seu EP de estréia – Mens Animus Corpus, o play contém 3 faixas quais Selim deu asas ao seu experimentalismo, nada de excessos, ele continuava a sua busca por uma música que transmitisse paz e sinistrismo ao mesmo tempo, a beleza do desconhecido, o tesão que o pavor causa, o considero um dos Mestres da atualidade. Este projeto também seguiria sobre os cuidados da Ván Records. The Devil’s Blood jamais seria o mesmo!

A estética carregada é deixada de lado, Selim e seus confrades adotam um visual mais sóbrio, relaxado, os corpos banhados em sangue deram lugar a roupas vintages. No início de 2014 SLAHE debutam com Earth Air Spirit Water Fire, agora com synths, uma quantia exacerbada de guitarras, Farida participa da feita, entre outros membros dos TDB, estava sacramentado uma nova rota musical na vida de seu mentor. No debut, a exploração de sonoridades continua, vai mais além do que no EP, acabam traçando alguns passos de música ambiente, contemplativa, por vezes soa como uma jam, aquele som para se ouvir no escuro, num dia frio e chuvoso, com a mente alterada de alguma forma, ou deixar-se alterar por essa notas.

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Em março de 2014, os TDB lançam o seu disco derradeiro – III: Tabula Rasa or Death and the Seven Pillars, trazendo algumas doses do que Selim vinha executando com o seu projeto, o disco é um ensaio gravado, por vezes também parece ser uma jam, e é exatamente por isso que os TDB deixaram de ser o que eram, porém, esse novo rumo estava fadado à uma escolha individual de Selim.

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Apresentação póstuma dos SLAHE no Roadburn Fest Afterburner – Holanda de 2014, um tributo para Selim, morto pouco mais de um mês antes, formação contando com a  Farida e demais membros dos TDB.

“It takes bravery. The deepest bullets are not to be feared; phosphorous napalm or nothing to be feared, but to look inward to see that twisted mind that lies beneath the surface of all humans and to say yes I accept you, I even love you because you are a part of me, you are an extension of me…”

Essas foram as últimas palavras de Selim ao mundo, no dia 5 de março de 2014, a desastrosa notícia chegou via seu manager, Selim não mais pertencia ao mundo dos vivos, resolveu acabar com tudo isso com suas próprias mãos, aos 33 anos de idade (chupa Glen Benton). Não existe, e acredito que jamais existirá um veredicto para o fim de Selim, suas letras traduziam um culto à morte, era uma espécie de amor mórbido, seriam pistas? Talvez ele não encontrasse mais sentido neste mundo, talvez já tivesse explorado lugares em sua mente que o tenham revelado coisas que o atormentassem, talvez ele tenha brincado com fogo sem se dar conta do seu perigo, talvez ele não tinha mais nada para contribuir com este mundo. Sua Obra jamais será esquecida, sua passagem sempre será lembrada, Rest in Chaos S.L. –  the time of no time, for evermore and more!

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“Nestes tempos de revolta global, o Year of the Goat acrescentará fogo ao caos e inflamará os ramos espalhados por Cristo pelo seu rebanho, para promover o retorno triunfal de um Senhor que nunca se foi… Então regozijai-vos no pecado, cada hora e cada segundo é seu e só seu, assim como todo ano é, e sempre foi, o ANO DA CABRA!” – Trecho extraído da biografia oficial dos suecos Year of the Goat.

Fundada em 2016 por Thomas Eriksson ‘Sabbathi’ (v/g) no sudeste sueco, YOTG traz sob seu signo uma visão una e íntima dos caminhos da mão esquerda. Thomas recruta alguns membros da banda Griftegård (ele era vocalista da banda) para seu novo projeto, ele havia passado por algumas bandas de Metal até que resolveu iniciar uma jornada pelo revival e por assuntos sinistros. Como um quinteto, em 2011, a banda lança o seu primeiro EP – Lucem Ferre, são 4 faixas que adentram a ‘ordem’ no mundo dos viventes.

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Apenas com o EP os caras conseguiram alcançar uma boa parte da Europa, passaram por festivais como Roadburn, Sweden Rock Fest, além de passar pela Finlândia. Mesmo passeando e propagando sua música, eles arrumaram um tempo para compor e gravar o debut, antes disso, liberaram um single com as faixas “This Will Be Mine” e “Missa Niger”, essa última, uma ambientação por sintetizadores. Os caras sentem um vazio no som e decidem recrutar M. Popovic para assumir o mellotron (quê?), ele também passa a fazer a segunda voz. Com isso, o som dos YOTG passa a ser mais ‘angelical’ do que era.

Enfim, no final de 2012 o Ano da Cabra debuta com o seu majestoso Angels’ Necropolis, um disco totalmente dedicado ao Anjo Caído. Em comparação com o som dos The Devil’s Blood, os YOTG são realmente angelicais, esse adjetivo fica uma bosta, mas é real, o som é celestial, a voz de Thomas é suave e doce, ele a dobra com efeito ainda mais grudento. Um video-clipe foi gravado, a faixa escolhida; a dançante “Spirit of Fire”.

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lineup do Angels’ Necropolis

A banda sai pelo continente realizando novas turnês, quando retornam com um novo lançamento, o EP The Key and the Gate de 2014, com 3 faixas inéditas. A Cabra encerra o contrato com o selo alemão Ván Rec. e passa a trabalhar com a gigante Napalm Rec., o EP é lançado pela nova gravadora. Em julho de 2015 o full The Unspeakable ganha vida, o play conta com 10 faixas, parece um pouco mais pesado, mais melodioso, mais sombrio. Uma das faixas ganhou um ‘lyric video’ patrocinado pela Napalm Rec., chega a ser hilário ver pessoas os comparando com Ghost e Muse (quê?), sim, isso mesmo, mas que se foda, tenho nada a ver com isso.

Faixa do EP de 2014.

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lineup atual

Clipe duma faixa do The Unspeakable.


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Para encerrar o que eu considero a trindade do Occult Rock moderno, os finlandeses Jess and the Ancient Ones; a banda mais psych, sessentista e dançante entre as 3. A banda foi fundada por Thomas Corpse (g) e Thomas Fiend (g/v) em 2010, essa dupla faz parte duma banda de Thrash/Death chamada Deathchain, eles convidam uma mulher detentora duma voz na pegada da cantora pop Adele, esse seria o pontapé inicial da banda. No ano seguinte, a banda solta o seu primeiro single – “13th Breath of the Zodiac” mais um cover dos Coven – “White Witch of Rose Hall”, puta cover doido.

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lineup do debut

A banda começa a compor material novo após fechar com o selo finlandês Svart Rec., em 2012, o debut auto-intitulado cai na praça, boom! Sete pessoas compunham a banda quando o disco foi gravado, JATAO é mais uma a usar 3 guitarras em sua música. A temática do disco é baseada nas experiências pessoais dos membros em relação às suas investidas no mundo desconhecido, o que gera uma liberdade interpretativa das músicas e as torna nem um pouco pregadoras de palavra alguma. Duvido você não se emocionar ao ouvir a faixa “Sulfur Giants”, ela tem uma pegada NWOBHM somado à uma atmosfera melancólica, um tesão total.

No início do ano seguinte, os caras já despontam com um EP fino trato, Astral Sabbat conta com 3 faixas, a faixa título ganhou um video-clipe.

Corpse resolve explorar novas ideias e sons, assim nasce em 2014 os The Exploding Eyes Orchestra, contando com praticamente a mesma formação dos JATAO, debutaram com um discaço no ano seguinte, uma linha tênue entre o moderno e o arcaico, muita manha, caras, muita manha.

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The Exploding Eyes Orchestra

JATAO retorna duma tour norte-americana servindo de apoio para o Mestre King Diamond, até que em maio de 2015 róla um single de duas faixas – Castaneda, uma amostra altamente psicodélica, talvez tenha sido um material experimental, algo que não fluiu como seria notado no 2º disco.

Esse 2º disco chega no final de 2015, Second Psychedelic Coming: The Aquarius Tapes contém 9 faixas com uma forte aposta na psicodelia, nos hits sessentistas, traços de surf music, folk, blues, conseguiram aliar a isso um peso perceptível. O play trás como tema, as obras de vários pensadores invertidos de várias áreas do pensar, além de figuras medonhas que causaram terror à frágil raça humana, é só reparar bem na capa do disco que você notará isso. “…Amor e liberdade, muitas vezes na história essa mensagem viajou por personagens que a sociedade anunciou como doentes, corruptos e perigosos para o bem comum. É claro que os ricos em suas torres de marfim querem silenciar todos esses poetas e guerreiros, mas felizmente eles nunca conseguem. Aqui estão nove canções com a mesma mensagem de outrora. Alimentem suas mentes.” – Trecho duma entrevista com Corpse em que ele comenta o que seria o novo disco.

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JATAO – lineup atual

Disco mais recente, lançado em 2017.



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Totem

Antes de se chamar Jex Thoth, o quarteto estadunidense viveu durante os anos 2005/07 sob a alcunha de Totem, a banda lançou apenas um EP auto-intitulado em 2007, logo em seguida, eles mudam o nome para Jex Thoth. Jex Thoth é o pseudo da cantora Jessica Bowen. Ainda em 2007 eles lançam o primeiro single, a faixa “Stone Evil” num split com os ingleses Pagan Altar. A proposta sonora ficava entre um rock pesado e ritualístico, cru, sujo, até que entrava a voz da Jex no meio daquilo, meudeosdocéu, isso é cabuloso de mais!

No ano seguinte, a banda debuta com um disco auto-intitulado, essa brincadeira rendeu 12 músicas, por mais que a banda abusasse de certos conceitos transcendentais,  sua música não era necessariamente explorativa, pelo menos, não em excesso como muitas bandas por aí. É algo mais entranhado no passado, o resgate do revival, direto ao ponto com uma boa dose de delírio. O responsável pelas guitarras desse disco, tinha/tem um projeto bem nessa onda folk/experimental, isso acabou ajudando na estrutura do som dos Jex Thoth. O uso de órgão também faria a diferença, os últimos anos da primeira década do segundo milênio da era cristã moldaram o que hoje ouvimos no revival da música obscura, são bandas que serviram de porta de entrada para que seus novos adeptos pudessem escavar mais e mais afã de encontrarem a sua fórmula.

Como descrever o tesão de ouvir isso?

Em 2009, o EP dos Toten é relançado, a única mudança é a que o material agora leva o nome Jex Thoth, é possível notar o quanto o Doom Metal influenciou essa banda, lá no seu embrião, o cuidado com a gravação desse material não foi tratado com muito carinho, não chega a ser um empecilho, caso você não seja fresco, é claro.

Em 2010, uma certa mudança na proposta sonora é notada no EP – Witness, algo mais melodioso, mais sinistro, melhor composto e com mais cuidado com a gravação, são duas faixas inéditas, mais um cover dos Slapp Happy (quem?). Mudanças constantes na formação talvez tenham dificultado a ida ao encontro da sua própria sonoridade, mas, esse EP daria pistas sobre isso, na real, seria a cartada do que viria pela frente.

Em junho de 2013, Blood Moon Rise é trazido ao mundo dos mortais, uma obra simplesmente absurda no meio disso tudo, lembro de ter torcido o nariz quando o ouvi pela primeira vez, o tempo me fez se render à obra, de joelhos implorando o perdão. Blood Moon Rise é um disco ritualístico, explorativo, denso, com uma certa melancolia, Jex apresenta uma voz mais amadurecida, por isso vos digo; sempre ouçam uma banda com muita calma e com a mente aberta, eu falei merda desse disco e ele acabou se tornando o meu preferido, é o ápice da carreira da banda, ao meu ver, é claro. Ainda em 2013, é lançado um 7″ com 2 faixas do segundo disco. Em 2015, a banda excursionou por alguns países da Europa, um passeio na page da banda, e, nenhum informe sobre a situação atual, oremos para que estejam compondo coisa nova. Façam umas buscas no youtube para lives da banda, se encante com a total entrega da Jex por sua música, goze de momentos mágicos desfrutando de sua música, sua gloriosa música. Para encerrar, um fato interessante, todas as capas (exceto a do EP Toten) foram criadas por Sami Albert Hynninen, ou, Albert Witchfinder, ele também cuidou do design gráfico da discografia da banda. Toda a discografia foi lançada pelo selo sueco I Hate Rec.

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Lembro muito bem a primeira vez que ouvi essa banda, o seu disco de estréia, no ato pensei; “um Jethro Tull com Sabbath, que coisa genial”, foi amor ao primeiro confere.

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primeira formação

Fundada em 2006 na cidade de Toronto pelo guitarrista Sean Kennedy, os Blood Ceremony vieram a debutar em 2008 com um disco auto-intitulado. Reza a lenda que a atual vocalista da banda (responsável pelas vozes, flauta e órgão em todos os discos) Alia O’Brien, teria adentrado ao antro apenas para assumir a flauta, a vocalista inicial teve que mudar de país, com isso, Alia assumiu o posto, obrigado Satanás! Os Blood Ceremony são bem fiéis aos anos 60/70, uma banda que não tenta inovar em nada, porém, possui uma identidade própria em executar música antiga. O nome da banda foi retirado dum filme espanhol de 1973 chamado Ceremonia Sangrienta. Segundo a bio da banda, a temática surgiu após estudos envolvendo uma porrada de filmes sobre bruxaria, ocultismo e satanismo, foi nesse mundo ‘encantado’ que eles foram buscar a sua dose de horror e profanação, queima Jê! O debut ainda rendeu um tour europeia em 2009 em apoio a tour dos Electric Wizard, obra do tio Dorrian, só pode, esse rolezinho trouxe uma atenção mais apurada para a banda.

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Debut completo aqui – https://youtu.be/kH6DIxL_3_M

Permanecendo apenas Sean e Alia, 3 anos depois é lançado o segundo disco – Living with the Ancients, a capa é quase uma releitura do Witchcraft Destroys… dos Coven. A sonoridade acaba sofrendo uma leve alteração, talvez pela mudança na formação (baixo e bateria)? Não sei, o timbre de guitarra é nitidamente diferente do debut, a voz de Alia parece mais solta, além de se dedicar mais ao órgão do que à flauta. O disco é mais Metal veiudo, eu diria mais moderno em relação ao antecessor, os temas ficaram ainda mais voltados ao mundo infernal, buscando o lado pagão do mundo, ou de nós mesmos.

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formação do Living…

Mais uma mudança na formação, troca de bateristas, e em 2013 o terceiro disco ganha vida, The Eldritch Dark mergulha a banda novamente na pegada mais próxima dos 60/70, o timbre da guitarra de Sean e o baixo pulsante de Lucas Gadke traduzem isso, o novo baterista Michael Carrillo tem uma outra pegada também, digamos, mais caliente,  a bateria nesse disco é bem presente, bem equalizada. A banda grava o seu primeiro video-clipe para a faixa “Goodbye Gemine”. A faixa “Lord Summerisle” é claramente uma homenagem ao filme de 1973 – Summerisle (The Wicker Man).

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formação atual

Com a formação estabilizada, no ano seguinte é a vez dum single com a inédita “Let Come it Down” mais um cover para a “Loving You” dos escoceses Iron Claw. Quando ouvi essa faixa, tentei imaginar o que viria pela frente, ainda era cedo de mais…

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Ester Segarra

Lord of Misrule foi lançado em março de 2016, o disco parece mostrar que essa fórmula escolhida por eles esteja um tanto saturada, não é um disco tão pesado, parece que quiseram passear mais pelos anos 60 do que pelos 70, mais folk do que o costume, claro que está longe de ser um disco ruim, talvez seja apenas o mais fraco entre os quatro. Alia resolveu dobrar a sua voz em alguns momentos, isso as vezes enche o saco, a parte boa é que sua voz ganhou uma agressividade, é um disco para ser dançado num Sabbat qualquer.

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Com o tempo, Alia deixou de ser aquela moça recatada, uma hippie cheia de vergonha para se tornar uma mulher que mete medo, suas vestes, suas poses, ela se tornou alguma daquelas bruxas que eles investigaram nos filmes, ela explorou sua musicalidade, se re-inventou, incorporou o horror e a beleza do maldito em si própria, simplesmente uma Mulher admirável. Hail Alia!

Todos os discos da banda foram lançados pelo selo inglês Rise Above Rec. tendo uma distribuição/lançamentos exclusivos na América via Metal Blade Rec.



É sério que você ainda tá pensando; “ué, cadê o Ghost?” – não amiguinho, essa banda não será tratada aqui, não convém, o google está aí para o seu deleite. Ghost é a banda mais genérica dessa leva, sua música está longe de ser ruim, mas os caras são assumidamente mercadológicos, por isso, sua principal preocupação é agradar a massa, isso é contra as Sagradas Leis da Conduta Rockeira do Mal,  a parte mais legal ao meu ver, é todo o cuidado com a estética, a teatralidade, o anonimato, souberam como chamar a atenção, trouxeram de volta algo que estava um tanto perdido, uma banda que choca sem realizar loucura e excessos. Foi maravilhoso ver a reação negativa da galera “arghhh bate cabeça, arrrrghhhh bate cabeça” quando eles tocaram no Rock in Rio, mostraram pros mongolóides que esse tal de Rock vai muito mais além do que eles imaginam, é mais legal ainda ver os leite com pera se desmanchando em ódio pela banda, aquela galera que só sai de casa para ir à missa, por esse contexto, Ghost é absurdamente adorável!

Creio que escolhi 5 bandas conhecidas para iniciar essa jornada, não poderiam ser outras, essas aí são de muita importância, fica aqui como iniciação aos que ainda não se aventuraram por este lado mais obscuro do Rock. Até a próxima.


 

Que Coffin Joe vos abençoe – .:G.Z/SUD:.

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