Ocultismo, exoterismo, satanismo, filmes de terror. O lado obscuro da Música Lenta – Ato I

Aqui será inciada uma jornada extensa sobre o submundo das bandas que relacionam suas músicas com temas de cunho sinistro, por vezes, com seriedade, por curiosidade, ou por mera imagem.

“Diz a lenda que o cabra, certa vez, numa encruzilhada lá dos Estados Unidos da América do Norte, ficou esperando, eu disse ES-PE-RAN-DO! Não por acaso, que o capiroto viesse lhe dar algum auxílio em suas músicas. De tanta espera, de repente um “homem” bem vestido surgiu, pegando então sua viola para afinar. A partir daí todos que ouviram as músicas de Robert ficaram hipnotizados pelo som das trevas que ela emitia! Além de tudo isso, boatos confirmam que ele tocava de costas para sua plateia, para que ninguém visse seu olhar demoníaco, pois era possuído toda vez que empunhava seu instrumento de cordas.”

Sobre Robert Johnson, fonte -> http://thatrockmusicblog.blogspot.com.br/ – ou você ainda duvida que o Blues é o Pai dessa porra toda???????


Nos dias atuais, existe uma avalanche de bandas com essas temáticas e, obviamente que aqui o foco serão as bandas do leque Doom/Stoner, além disso, as bandas que compõe o revival dos anos 70. De onde surgiram tais influências? A resposta não é difícil, é algo já bem batido por sinal. Figuras como LaVey, Crowley, Eliphas Levi, Madame Blavatsky, entre uma infinidade de filósofos ocultistas oferecem um vasto conteúdo. No mundo da ficção; o famigerado HP Lovecraft, a lista se estende ainda mais quando se trata do cinema, neste caso, filmes de terror, falando nisso, que tal formar um fan club da Hammer Film Productions, melhor, criar uma religião, Christopher Lee como Drácula será o nosso deus, que tal?!

E a música? Acredito que a questão mais envolvente é a teatralidade da coisa, a imagem bem pensada, você sabe muito bem que o Black Sabbath não tem nada a ver com diabismos, mas a lenda que a capa do seu primeiro disco é uma foto do castelinho do Crowlão surtiu mais efeito do que a verdade, a faixa que inicia o disco te mostra um pacto com o diabo e no decorrer do disco as coisas vão para outro rumo. Isso se chama desencanação e muita manha com marketing, olha no que deu… A ideia era simples, CHOCAR! Extravasar a imaginação humana, tocar o foda-se para os padrões da sociedade, e como muito bem nos ensina a bíblia, qual simbologia poderiam usar, sim amiguinho, o capeta, cão, 7 pele, cramunhão, diabo… ou pelo menos, aquilo que remetesse à algo de caráter infernal, o fogo, o medonho, o assustador, aquele velho papo de que as pessoas só temem aquilo que não conhecem, uma máxima suprema e irrefutável.

Pois bem, em 1968, uma cara nascido em Londres sabia muito bem disso –

Imaginem aquela gente já institucionalizada vendo uma imagem dessas, uma ode ao “fogo”, à selvageria da arte bruta, maquiagem demoníaca, um treco esquisito na cabeça pegando fogo, uma capa tipo conde Drácula, uma banda toda fantasiada de algo que remete a Idade Média, sei lá… Não podemos esquecer que no meio disso tudo, a psicodelia se encontrava a mil grau, os últimos resquícios do paz amor, porém, estavam sendo encobertos por uma coisa mais dramática, mais realista, as pessoas estavam percebendo que o mundo pós Segunda Guerra Mundial nunca respirou uma paz verdadeira, a Guerra Fria era uma realidade, o Mundo dividido em dois, a paisagem cinza desmoronou todo aquele mundo de sonhos tipo a parte colorida do Mágico de Oz. Os anos 60 são soterrados pelo que víria a ser o Hard Rock, esse foi o 2º boom do Rock. Uma vez, um maestro me disse: “O Rock é uma coisa que nunca sai de moda”, nem me atrevo a questionar isso, não existe possibilidade alguma de que isso não seja um fato! Arthur Brown era um cara mais preocupado com a sua própria postura, nem sequer guitarrista tinha a sua banda –

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Talvez seja proposital, talvez ele não tenha encontrado um guitarrista, talvez naquilo que ele pretendia, a guitarra não teria lugar. Um absurdo numa época em que a fritação era de lei, solos de minutos e minutos, sinceramente, acho isso um porre total, aliás, o que difere muito a Música Lenta é exatamente o pouco foco que as bandas dão aos solos, existem discos que sequer tem um, o Tony Iommi soube muito bem como preencher essa certa ausência.


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Saindo do lado bretão, atravessando o atlântico rumo ao oeste, no mesmo hemisfério, 3 almas sebosas em Chicago lançam em 1969 o Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls, a partir desse disco que as coisas começam a ficar do jeito que o diabo gosta. Você pode por no google o nome desse disco e pesquisar uma pa de curiosidades. Sobre a ‘teoria de conspiração’ envolvendo os Black Sabbath

Aquele rebolado do Elvis, o cabelinho cortado padrão e os terninhos dos mininus de Liverpool não faz sentido aqui, aquele monte de garotas alucinadas idolatrando os figuras, nada, nada disso! Num universo em que os cuecas comandavam, surge uma mina mais louca que a Janis Joplin, trocando o sinal de paz e amor pelo chifrinho. Uma voz potente e uma mente afim de tocar o terror com as suas letras totalmente voltadas à assuntos de cunho sinistro, direto no imaginário do povo, abordando temas que a muito nos acompanham, nada do sofisticado sentido que o ocultismo encontra hoje no Metal, por exemplo.

Ainda não contentes com toda a questão estética infernal, os doido foram capazes de gravar um ritual de iniciação, isso se tornou a faixa de encerramento do álbum. Esse assunto gera controversas, ninguém sabe se isso é real ou foi tudo onda, só sei que essa onda mete medo. Queima Jesus!

Obviamente nada disso seria recebido de braços abertos e com um sorrisão na cara. Então eles lançam um álbum auto-intitulado em 1971.

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Meudeusdoceu, toda aquela vibe maledicenta vai pra puta que pariu, umas música engomadinha, seguindo todos os clichês da época, pop pra ser mais específico.

O ápice da “conversão” fica com essa faixa a baixo, uma versão duma música contra a guerra do Vietnã, que fase… Essa faixa trouxe uma certa atenção para a banda.

Em 1974 eles lançam o Blood on the Snow – 

Claro que nada de tão escancarado quanto o primeirão, a pegada mais pop ainda é gritante, as letras são, a música mais dark é a faixa título, o fim era mais que eminente, malditos vendidos, naquela época a truzice ainda não existia. Uma capa tão linda prum disco que poderia tocar num filme da sessão da tarde, mesmo assim, esse disco é gostosinho. A teatralidade abençoada pelo cão ainda se manteve, sabe-se lá porquê.

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A banda acaba após este lançamento e eis que em 2008 é lançado um catadão com músicas inéditas de ensaios, gravações aleatórias, músicas inacabadas, perdidas entre os anos de 1976/2007 – Goth Queen, Out Of The Vault. Era o retorno? Não naquele momento!

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Olha a ginga disso –

Olha de onde a Angélica tirou umas ideias para a música “vou de táxi” –

hahahaha Esse catadão mostra de tudo um pouco, as novas tentativas frustradas de se adequarem ao mercado fonográfico.

Essa é bem loca hein –

Jinx já sessentona, ostentando um corpão de entristecer as novinha, se junta uma vez mais a Steve Ross, Oz Osbourne, Rick Durrett e Chris Neilsen para lançar Jinx em 2013, um disco que volta ao passado para buscar aquele pacto com o diabo perdido, traz umas baladas, traz umas batidas modernas, uns puts puts que faria uma rave gótica facinho. Se liga na versão roque paulera da “Wicked Woman” aí no meio.

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Voltando à terra da rainha, da leide dai…

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Sapiência Negra maninho, olha só, direto ao ponto. Mas a final de contas, por que essa banda, já que parece um Prog Rock todo pomposo, altos instrumentos de sopro, violinos, o caralho a 4, um Jethro Tull do mal… Eis a resposta –

Sacrifice foi lançado em 1970, mas essa galera vinha fazendo barulho desde 1966, quando eles tocavam na Pesky Gee!, lançaram um único disco, era outra pegada, era aquilo que se esperava duma banda dos anos 60 –

É bem difícil de dizer que os Black Widow causariam impacto com a sua música, nem mesmo com a parte estética eles se preocuparam, como roupas extravagantes, porém, a banda chegou a ser banida de alguns países por encenar um sacrifício humano no final dos shows, eles “ensinavam” como realizar um ritual desse porte.

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BW e Alex Sanders (põe esse nome no google e divirta-se)

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No seu segundo disco a coisa continua a mesma, eu diria, um tanto mais expansiva, os caras abrem o leque para o exoterismo, acabam sofrendo uma influência oriental dessa linha de pensamento.

O terceiro disco é um Rock’n Roll, um Rock’n Roll progressivo –

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Vou pular o quarto disco porque se distancia ainda mais do que estamos tratando aqui. A banda acabou após o lançamento do citado, para retornar com Sleeping with Demons, a primeira faixa vai te enganado, você acha que é uma regravação da “Come to the Sabbat”, mas na real, é a “Hail Satan”, que contou com a participação de Tony Martin. Nesse disco os caras (já tudo tiozão) reatam os laços com a capirotagem, é evil, devil, demon pra lá e pra cá. Vou caçar treta aqui dizendo que esse disco é mais obscuro de todos que eles gravaram, tem uma porrada de modernidade, é experimental, ousadão memo, uns refrão que colam na mente, vai do rocão greludo ao bluesão manhoso, um play a ser muito bem degustado.

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Clive Jones – RIP – 1949-2014

Clive Jones falece em 2014 tendo iniciado as gravações do novo disco, ele também fez parte duma banda chamada Agony Bag, considerada uma das precursoras do Punk Rock.


Para encerrar o Ato I, vamo lá pra botina, terra do vaticano…

Se você gosta de Doom Metal, sabe que a Itália tem um peso nisso aí, é de lá que surgem coisas fantásticas envolvendo esses temas abordados, não citarei bandas porque isso vai ficar para além mais, espero que você saiba as quais me refiro, caso não saiba, não sabe o que estais a perdeire.

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Jacula é um troço esquisito criado por  Antonio Bartoccetti em Milão, ele chama mais uns caras e dá início ao bang em 1969, neste ano é lançado o In Cauda Semper Stat Venenum, um disco com praticamente nada de roque, o piano e o órgão comandam tudo, então porque essa parada estaria aqui? Amiguinho, o lance é adoração ao desconhecido com uns sons que parecem estar entranhados nas profundezas do raio que o parta, respondido? Sempre achei aquele som do órgão de igreja uma coisa sinistra, diabólica, deve ter acontecido o mesmo com esse mano.

Em 1972 sai mais um com a mesma ideia – Tardo Pede in Magiam Versus, esse tem flautinha pelo menos e é todo recitado por uma mina.

Em 1974, Jacula passa a ser Atonius Rex, então é lançado o Neque Semper Arcum Tendit Rex, um pouco mais de bateria e guitarra, toneladas de viagens místicas, progressivas, a receita não muda nada. A.R. existe até hoje, lançaram um monte de coisa que não irei me aprofundar. Em 2011, Jacula retorna com um play chamado Pre Viam, também sem apresentar algum tipo de rumo diferente.


Talvez você deve estar se perguntando por que bandas como Black Sabbath, Kiss, Alice Cooper, Led Zeppelin, etc… não foram citadas, já que se enquadram nos quesitos dos assuntos abordados aqui, camaradinha, você já sabe de muita coisa sobre essas bandas, todo dia deve ter alguém te lembrando da existência de pelo menos uma delas, por tanto, seria muito desperdício de tempo retratar isso, esses 4 grupos aqui abordados já nem são tão desconhecidos assim, mas em relação a esses 4 medalhões que citei, são tipo o Garrincha vs Pelé.

Logo menos sai o Ato II, avançaremos no tempo.


 

Que Coffin Joe vos abençoe – .:G.Z/SUD:.

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3 comentários sobre “Ocultismo, exoterismo, satanismo, filmes de terror. O lado obscuro da Música Lenta – Ato I

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