10 discos da velha guarda “desconhecida” para ouvir

Essa é apenas uma lista como outra qualquer que remete ao gosto de quem a criou, por tanto, seu número máximo é 10, para não ficar muito extensa, caso você acredite que faltou algo, legal você conhecer mais bandas clássicas do limbo e por favor, não encha o saco dizendo que faltou alguma coisa, porque sempre faltará!


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É de lei começar por um cara tão importante como é e sempre será Randy Holden. Esse maluco caminhou por um tempo em várias bandas, cruzou o país rumo à California, onde a coisa começou a desenrolar. Ele chegou a tocar/gravar com os Blue Cheer – New! Improved! Blue Cheer – sua jornada com os BC durou um ano (68/69). Após indas e vindas pelas bandas que passou e toda chateação que encontrou, ele resolve seguir adiante com seu projeto, para isso, ele convida o baterista Chris Lockheed, que também tocava teclado. Em 1970 o duo grava e lança o “Population II”. O disco é composto de 6 faixas + 10 bônus, não faço a mínima ideia do porquê disso, a questão mais saliente é o que esses caras deixaram para a humanidade. O peso e o feeling que Randy possui é de uma reverência absurda, não restam dúvidas que esse disco esteja de alguma forma em tudo que se diz Stoner, Doom, Hard Rock 70’s – revival. É simplesmente uma aula. Population II foi o único disco lançado pelo duo, reza a lenda que Randy faliu após lançar o disco, ele havia comprado o que havia de melhor no mercado há época no quesito equipamentos, a gravação nos mostra isso, algo muito superior para uma ‘banda’ que sem uma gravadora gigante por trás. Em meados dos anos 90 ele retorna com um projeto chamado Guitar God, o cara era auspicioso… hahaha


icecross02

A Islândia possui uma rica gama de bandas com sonoridades únicas, grupos bem famosos que nem vou citar, porque aqui, isso não importa! Nos anos 70, 2 caras se juntaram pra fazer barulho – 72 mais precisamente – Axel (g/v) e Ásgeir (d), eles convidam Ómar pro baixo e ele topa. Sem muita chances na Islândia de 40 e poucos anos atrás, os caras colam na Dinamarca, por lá, realizam vários shows em vários picos, butecos e afins, conseguiram juntar uma grana com a ajuda dos camaradas e em 1973, gravam o seu 1º e único disco auto-intitulado. São 8 faixas daquele Hardão típico da época, porém, crú, torto, sem enrolação e viagem exacerbada, um trampo de bateria absurdo, uma atmosfera obscura, as vezes soa uma banda Punk, tem balada também, A Sad Man’s Story parece música de novela e a Jesus Freaks é uma paulada com um refrão bem soconozóio (They Believe in Jesus, We believe in us), já em  Wandering Around, os caras parecem ter saído de algum buraco dos Esteites, sem mais…


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Esse quarteto do Kansas te deixará marcas sem nenhum esforço… A banda segue a regra até o momento; lançaram apenas um disco e despareceram nas brumas do tempo, o fato é, o que eles deixaram é uma obra absurda, o play começa com a balada End Of The Page, uma voz tipo ator holywoodiano, uma guitarra tímida, você pensa – “caralho, que porra é essa mano, tá me tirando cuzão???”, deixa rolar (tudo vai ficar bem), aí vem a fodelante Having A Good Time, aquela voz doce dá lugar a um certo ensandecido e o pau tora nas 6 cordas, a cozinha via arregaçando tudo e você cai na Satan, além de toda zuera que se faz quando algo é relacionado ao cão ou a erva, o que fez borbulhar essa faixa/banda num micromundo que conheço, Satan trás uma brisa alucinante e, ao contrário do que se pensa, a letra é uma espécie de expurgo do 7 pele, o mano se diz atormentado pelo tal e busca se ver livre dele, o xinga e o condena a morte, ouça a próxima faixa e curta uma gritaria. No desenrolar você notará que esse vocalista é cheio das manha, você se pega boiando tentando descobrir se é o mesmo cara que tá cantando, os mano mete o loco!


buffalo

Nem só de AC/DC vive a Austrália. Buffalo é aquela banda que te enche de porrada sem dó nem piedade, no seu primeiro disco “Dead Forever” de 1972, a banda parecia um primo dos Sabbath, sabe-se lá se os bretões os influenciaram. Eu poderia ter escolhido o disco citado para esta lista, mas não. “Volcanic Rock” dá uma ideia de patada, e o é, ele é mais pesado que o antecessor, mais brisado, visceral, soa como a base do que veio a ser o Stoner nos anos 90, isso fica nítido na faixa que abre o play – Sunrise (Come My Way). Creio que esse disco seja indispensável para quem quer se aventurar nesse estilo de música pesada, o disco consegue passar uma dose de psicodelia (Point of Flesh – não me deixa mentir), como muitas bandas de hoje o fazem, parecem que isso foi algo visionário, certeiro! Shylock – essa faixa te faz sair solando no ar e chutando o que tiver na frente, cuidado com o dedinho.


ironclaw

Um dos pontos altos da lista é o quarteto escocês Iron Claw, a banda foi formada em 69 por Wilson (b), após ele assistir uma apresentação dos Led Zeppelin. No início eles tocavam alguns covers, até que resolveram compor o seu próprio material, reza a lenda que Wilson fez a gravação ao vivo dos Sabbath considerada a mais antiga da banda. Essa adoração ao som dos “pica das galaxias” fez com que os Iron Claw ambientassem toda a sua música naquilo que eles faziam, ainda bem que não deu muito certo… A música dos Iron Claw é crua, ríspida, visceral, trouxe consigo aquela atmosfera obscurecida também. O disco é um catadão de várias gravações feitas nos anos 70, umas baladinha manhosa e umas coisas que te levam a visitar o cramunhão, como Clawstrophobia, Crossrocker, Skullcrusher, Winter (essa chega ser um absurdo, puta que pariu!!!). Se você gosta dos Blood Ceremony, provavelmente você gostará dos Iron Claw, alias, os Blood Ceremony gostam dos Iron Claw, gravaram um cover para Loving You.


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Mercy nasceu das cinzas da Turbo em 1980, sim amiguinhos, tamo saindo dos 70 e chegando junto nos 80. “Witchburner” é o segundo disco da banda, se no Debut era aquele Metal tradicional e direto, no “Witchburner” o bang é desacelerar a porra toda mesmo soando uma banda de Heavy Metal. Quem cuida das vozes é o Messiah Marcolin (aquele que equilibra uma lata de breja na pança), ele tava descabaçando ainda, é brisa ver ele tentando chegar n’algo próximo do Mestre King Diamond. Você começa por I’m Your Pervert Priest, quando chegar na Welcome to My Graveyard, estará pensando:

– Mas que diabos aconteceu aqui?!

Vai na fé. 😉


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Caralho, já é quase 1990… 1989 é o ano de lançamento dum dos discos mais interessantes de toda essa fuleragem que estamos metidos. “Necrospirituals” é aquela coisa desregrada, sem pé nem cabeça que faz todo sentido, os caras conseguiam ser selvagens e filhinho da mamãe ao mesmo tempo. As vezes dá a impressão que esse disco foi o “inventor” do bizonho Gothic/Doom, nesta mesma época 4 debilóides fazendo algo parecido em Nova York, mas era muito roque paulera em relação ao dos suecos. Lembro de ter ouvido essa faixa aí em baixo como um cover dos Paradise Lost, meudeosdocéu, que crime eles cometeram (ah nem tanto, vai), nem me liguei, nem sabia que era um cover, ouvi num mp3 em CD sem nenhuma informação (net era coisa da elite naquele tempo), aí, ouvindo a Goddess of Doom, fui dar um confere nas bandas que os Reverendo Bizarro dava ideia, fui ver qual era daquele Stillborn e, CARALHO! Foi tesão a primeira ouvida, espero que seja assim com você aí que tá perdendo tempo com isso, caso não seja, foda-se!


As 3 últimas bandas desta lista eu também conheci por intermédio da música “Goddess of Doom”, uma música que divulga bandas duma banda de muito respeito e importância, gratidão.

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“Volume 1” foi gravado em 1982, porém, só foi lançado em 1998. A importância deste disco para a música pesada é inquestionável, uma banda fazendo música nos anos 80 com a cabeça, os pés, as mãos aprofundadas nos anos 70, a voz única de Terry Jones (in memorian), os solos estridentes, os riffs retirados das profundezas abissais, é simplesmente uma aula de Heavy Metal, melodias infernais e celestiais ao mesmo tempo. Falando em tempo, essa é uma banda que sofreu com isso, foram 3 décadas para que eles conseguissem algum reconhecimento, nada que não seja uma dura realidade nesse meio.


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Os californianos Cirith Ungol iniciaram as suas atividades em 72, mas só vieram a debutar em 1981 com “Frost & Fire”, esse que você tá vendo logo aí abaixo. Já ouvi dizer por aí que muito metalista odeia essa banda, que num sei o quê… sério? O fato é, é nítido que esses caras também trouxeram pro início dos 80 toda a marca registrada dos 70, é como se você pegasse alguma daquelas bandas lá de cima da lista e deixasse mais pesada, mais rápida e direta, a voz de Tim Baker também joga no time das vozes únicas. “Frost & Fire” é aquele play pra ouvir enchendo a cara, triste, alegre, de saco cheio, a beira da morte, é aquele play que toca o foda-se e não segue regra nenhuma, talvez por isso muito metalista o odeie, ou porque quando ouviu a What Does It Take saiu dançando tipo Sidney Magal e condenou esse desvio de conduta, porque é assim que você se sente ouvindo essa delicinha de música, graciiinhaaaaaa. Depois duma caralhada de ano na encoia, a banda retornou as atividades. \o/


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Encerrando os trabalhos com o italiano Paulo Corrente, o cara esquisitão, fanho, que falava nada com nada e conseguiu ser um gênio da música obscura. Ele começou a brincadeira em 1984 após vazar dos Death SS, o projeto chamado Paul Chain Group passa a se chamar Paul Chain Violet Theatre, a banda lançou 2 discos e alguns EPs até que ele muda a porra toda, assim nasce o Paul Chain, ou ‘a’. Ele lança um EP 1988 chamado “Ash”, vale a pena caçar esse. Aí, chegamos ao “Life and Death”, o som do cara já está mais modernizado, mais trabalhado, mais elaborado, uma criatividade absurda. A escola da música obscura italiana deve muito a esse cara, aliás, preste mais atenção nas bandas italianas, ainda mais se você diz pagar pau pro lado escuro da força. Nestes tempos, Paulão não faz mais nada nesse segmento, se afastou total do bang, mas acho que ele sabe da importância e do profundo respeito daqueles que são, que sabem, o tem.


Que Coffin Joe vos abençoe – .:G.Z/SUD:.

2 comentários sobre “10 discos da velha guarda “desconhecida” para ouvir

  1. Pingback: Ocultismo, exoterismo, satanismo, filmes de terror. O lado obscuro da Música Lenta – Ato II – 70/80 a transição – Stoned Union Doomed

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