REVIEW: Faces of the Bog – “Ego Death” (2016)

“EGO DEATH” É UMA GRANDIOSA DEMONSTRAÇÂO DE PODER DE FOGO!

egodeath

FACES OF THE BOG – “Ego Death”

Tracklisting:

1. Precipice
2. Drifter in the Abyss
3. Slow Burn
4. The Serpent & The Dagger
5. Ego Death
6. The Weaver
7. Blue Lotus


Mais uma das boas surpresas do ano, a banda americana Faces of the Bog traz para o mundo o seu album de estréia, “Ego Death“. O quarteto de Chicago foi formado em 2012 mas apenas agora, em 2016, apresenta o seu primeiro trabalho de estúdio. E pelo visto esse tempo para amadurecimento de idéias, aprendizado e desenvolvimento de conceitos foi essencial para o grupo, pois “Ego Death” é tudo que pode se esperar de um bom álbum!
Precipice” inicia os trabalhos com um sentimento latente de tranquilidade e melancolia. A faixa instrumental se desenvolve de forma ritmicamente centrada e com um trabalho percussivo ambiente proporcionando um torpor quase inevitável, envolvendo o ouvinte em um manto de introspecção, indagações e serenidade permeados por riffs atmosféricos que, após certo tempo de audição, parecem ser ouvidos apenas ao longe enquanto você já está em outro universo. Já perto do seu minuto do seu final a faixa ganha uma certa “gravidade” em seu tom, os elementos sendo reforçados e o constante clima de “chuva serena” virando aos poucos uma tempestade. Ter uma faixa assim na abertura de um album é um elemento diferenciado e que propoe um clima convidativo e bastante positivo.
Drifter in the Abyss” empurra para o lado o clima atmosférico da faixa de abertura e traz para seu foco uma linha já mais pesada e grave. Somos recebidos na abertura por alguns bons riffs orientados ao post-sludge metal carregando uma energia densa, uma aura de peso e arrasto que vai trazendo à minha mente nomes como Gojira, Messhugah, Isis, Neurosis…Sobre esta última, é a nota que emito quando entra o vocal da banda: a voz de Mark Gizewski (tambem guitarrista) me evoca nuances que remetem a Scott Kelly (NEUROSIS), Jens Kidman (MESSHUGAH) e Joe Duplantier (GOJIRA). Durante todo o desenrolar desse album, é uma associação entre elementos semelhantes a essas três vozes que faço, e o resultado é interessantimo, um vocal realmente apropriado e adequado à parte instrumental.
A parte instrumental vai rolando em uma linha sludge/post metal com ótimos e profundos riffs somados ao vociferar de Mark e a coesão entre todos os elementos compondo uma excelente sinfonia de caos dotada de uma boa parte melódica.
Aonde termina “Drifter…” se inicia “Slow Burn“, a terceira faixa. O processo aqui se dá de uma forma um tanto mais cadenciada e gradual. O inicio da canção me remete a uma linha mais “classica” Stoner/Doom Metal, o instrumental se mantem em uma linha de passo mais lento e com riffs ciclicos se juntando a um compasso suave da bateria, e então em seu desenrolar os vocais então mais calmos e atmosféricos vão dando lugar novamente ao estilo mais gritado e denso pontualmente, retornado ao nivel anterior em seguida e ressurgindo aqui e ali em determinados trechos. Diria que no geral, “Slow Burn” mescla alguns elementos das duas faixas anteriores, a suavidade melancólica e sentimental de “Precipice” e a gravidade de “Drifter in the Abyss“.
The Serpent and The Dagger“, a primeira faixa divulgada desse trabalho, é pra mim aquela que se estabelece como ponto alto do trabalho, a que de melhor forma reune todos os elementos apresentados durante o album. A que melhor joga com as cartas que a banda tem em mãos.
A faixa começa com uma introdução extendida épica, plena de elementos que ja vinham sido apresentados sucessivamente no album e atingem seu ápice nessa abertura. Os riffs são jogados e reverberam, ecoam, ressoam, e novamente o trabalho percussivo ajuda a compor um painel atmosférico e envolvente com riffs gordos e viajantes.
Os vocais entram depois dos três minutos no desenvolvimento limpo e climático de Troy, que tambem manda muito bem nos vocais, com a seção rítmica acompanhando de forma bem compassada, naquele nível de introspecção atmosférico que é um verdadeiro convite para a catarse. Quando eles passam para o formato gritado, vociferado, a calmaria dá lugar à tormenta de forma brusca e crítica, com riffs virulentos acompanhando o bailar e reforçando a perplexidade com que se acompanha a sonoridade sólida e petrificante dessa banda. Ainda somos brindados com um belo solo na reta final, passando dos sete minutos, curto mas bastante bacana e servindo de interlúdio para mais uma sessão de agressão sonora com o vocal áspero de Mark consolidando outra excelente faixa.
Temos mais três canções na reta final, e a faixa-titulo “Ego Death” nasce de um interlúdio aclimatado com baixo retumbante e evocando mais remniscências de um daqueles sentimentos de “calmaria prenunciando a tempestade” com uma introdução novamente puxada para a vibe Stoner/Doom Metal. O vocal se puxa de uma forma que pode lembrar Phil Anselmo em certo ponto, durante algum tempo, mas a impressão que fica depois mesmo é aquela linha puxadona para Scott Kelly no desenrolar da parada, com um desenvolvimento vocal carregado de uma energia impactante e destrutiva, com os vocais de fundo carregando remniscências melancólicas e sofridas compondo um coro de lamúria. O som vai correndo de forma que evoca sentimentos fortes, contemplativos, e o solo que aparece ali passando um tanto da metade da canção se encaixa perfeitamente no contexto, precedendo mais linhas vocais densas e arrepiantes e descambando em um final de melodia forte, marcante e envolvente, fechando o pequeno “épico” de mais de 10 minutos.
The Weaver” é mais uma daquelas canções que vão ganhando corpo a medida que vão se desenvolvendo. Se inicia com o vocal limpo de Troy proporcionando a base para criar uma evolução no peso, transitando da placidez para um breve espasmo de insanidade com Mark e novamente retornando para um “aparente” porto-seguro na música. Nessa faixa particularmente me agradou bastante o uso dos vocais limpos para essa aclimatação, somados aos rasgados e vociferantes costumeiros, claro. O contraste é bastante positivo e serve para acrescentar nuances à faixa, de modo que podemos experimentar novos caminhos com as possibilidades abertas pela Faces of the Bog, que sabe fazer bom uso tanto dos caminhos mais tortuosos, “pessimistas” e pesados quanto das boas melodias introspectivas cadenciadas e de bons solos. Troy e Mark mandam bem demais nessa parceria vocal com o “rasgado” e o “limpo” andando lado a lado.
Para encerrar o trabalho, mais uma longa faixa a exemplo de “Ego Death“, vem”Blue Lotus“. Agora, com mais de 11 minutos.E mais um elemento para se adicionar à certeza de que os caras sabem muito bem como fazer o manejo correto de sua capacidade de composição e poderio criativo, desenvolvendo canções que apesar de durações maiores não caem no marasmo e no sentimento de cansaço. A canção começa suave, atmosférica, com esparsos toques aqui e ali compondo aos poucos uma espécie de “plano astral” pra onde você é levado e deixado em transe, sem saber muito bem quando a leve brisa pontual vai se tornar uma tempestade. Após os quase 4 minutos iniciais é que novamente o vocal de Troy vem trazer o prenúncio do vendaval, indo do tranquilo ao furioso com Mark em questão de momentos, mas apesar disso essa canção é uma das que se desenvolve de forma mais sossegada e catártica, sem grande doses de peso ou violência, criando um desfecho um pouco mais pacifico para um album cuja essência é o peso e a carga emocional. Apenas lá pelo minuto final é que temos uma concessão para mais um momento de caos e brutalidade, criando o desenlance de mais uma excelente canção.
Faces of The Bog é uma banda que traz como cartão de visitas um álbum extremamente sólido, recheado de boas referências e bem maduro. As sete faixas carregam aquele sentimento de que nada faltou em questão de prazer sonoro, com variadas nuances do Sludge, da psicodelia e do Doom Metal compondo um poderoso painel musical. É até difícil crer que seja apenas o primeiro trabalho da banda, pois me pareceu mais algo do tipo “um grande novo trabalho de uma banda muito madura e com vários bons lançamentos anteriores”, e não apenas o primeiro tiro de uma banda com não muito tempo de existência. Uma das mais gratas revelações do ano!


FACES OF THE BOG – Ego Death (2016)
Data de Lançamento: 4/10/2016
CD / Digital
Gravado em Electrical Audio, Chicago.
Produzido por Sanford Parker
Arte da Capa por: Tony Midi

FACES OF THE BOG é:

Paul Bradfield – baixo
DannyGarcia – bateria/percussão
Mark Stephen Gizewski – guitarra/vocal
Trey Wedgeworth – guitarra/vocal

Extra:
Sanford Parker – Synth/FX
Faces of the Bog
Faces of the Bog (BANDCAMP)

(por Matheus Jacques)



 

(TRANSLATION TO ENGLISH)

Another of the good surprises of the year, the american band Faces of the Bog brings to the world their debut album, “Ego Death”. The Chicago quartet was formed in 2012 but only now, in 2016, presents the first studio work. And apparently this time to mature the ideas, to learn and develop the concepts was essential for the group because “Ego Death” is all that can be expected from a good album!
“Precipice” begins working with a latent sense of tranquility and melancholy. The instrumental track develops rhythmically focused and with an environment percussive work providing an almost inevitable torpor, involving the listener in an mantle of introspection, inquiries and serenity pervaded by atmospheric riffs that after some listening time seems to be heard only far away while you are already in another universe. Already close of their last minute the track gains a certain “gravity” in his tone, the elements being strengthened and the constant climate of “peaceful rain” gradually turning a storm. It´s a great thing to have this kind of track on the opening of an album, proposes a inviting and positive vibe.
“Drifter in the Abyss” pushes aside the atmospheric climate of the opening track and take the focus to a heavier and more serious vibe. We are welcomed at the opening for some good post-sludge metal oriented riffs carrying a dense energy, a dragging aura of weight whick brings to the mind names like Gojira, Messhugah, Isis, Neurosis … About this last one is the note i issue when enter the vocal: the voice of Mark Gizewski (also guitar player) evokes me nuances that refer to Scott Kelly (NEUROSIS), Jens Kidman (MESSHUGAH) and Joe Duplantier (Gojira). Throughout the development of this album it is an association between similar elements to those three voices that I do, and the result is really catchy, a vocal really appropriate and suitable for the instrumental part. The instrumental part rolls on a sludge / post metal line with great and deep riffs added to the roughness of Mark’s voice and with the cohesion between all the elements composing a great chaos symphony endowed with a great melodic part.
Where ends “Drifter …” begins “Slow Burn”, the third track. The process here rolls through a more gradual cadence. The beginning of the song brings to my ears a more “classical” Stoner / Doom Metal vibe, the instrumental section keeps itself at a slow-pace line and with cyclic riffs joining a soft beat of drums, and then in its development the vocals (calmer and more atmospheric at this point) will ponctually giving way again to the screaming and more dense style , returning to the previous level in the sequence and then reappearing here and there in some places. I would say that in general, “Slow Burn” mixes some elements of the previous two tracks, the melancholy and sentimental softness of “Precipice” and the deepness of “Drifter in the Abyss.”
“The Serpent and The Dagger”, the first released track of this work is to me that that is established as a high point of the work, the that best meets all the elements presented in the album. What better to play with the cards that the band has in hand.
The track begins with an extended epic introduction, full of elements that came already been successfully presented on the album and reach their peak at this opening. The riffs are played and reverberate, echo, resonate, and again the percussive work helps to compose an atmospheric and engaging panel with fat and trippy riffs.
The vocals come after three minutes in the clean and climate development of Troy, that realize a great work on the vocal too, with the instrumental section following in a well-paced manner in the level of atmospheric insight which is a real invitation to catharsis. When the vocal change to the screamed ,roared format, the calm gives place to the storm in a critical and sudden way, with virulent riffs accompanying the dance and reinforcing theperplexity with which accompanies the solid and petrifying sound of this band. We are also presented to a beautiful solo in the final line past the seven minutes, short but very nice and serving as a interlude for another sonic assault session with the rough vocals of Mark consolidating another great track.
We have three songs in the final stretch, and the title track “Ego Death” is born from a acclimatized interlude with a rumbling bass and evoking more remniscences of “calm before the storm” feelings, with an introduction again pulled to the Stoner vibe / Doom Metal. The vocal pulls in a way that can remember Phil Anselmo at some point for some time, but the next and strong impression is the Scott Kelly line in the course of the stuff, with a vocal development charged with a shocking and destructive energy, with the background vocals carrying melancholic and sad remniscences composing a whimper chorus. The sound runs in a way that evokes strong , contemplative feelings, and the solo that appears passing somewhat half of the song fits perfectly in the context, preceding more denses and creepy vocal lines and backsliding in a ending with a strong, striking and engaging melody, closing the small “epic” of 10 minutes.
“The Weaver” is another one of those songs that are gaining body as they develop. It starts with the clean vocals of Troy providing the basis for creating an increase in the weight, shifting from placidity to a brief spasm of insanity with Mark and again returning to an “apparent” safe-haven in music. In this track particularly well suited me the use of clean vocals for this acclimation, added to the torn and vociferous usual vocals, of course. The contrast is quite positive and serves to add nuances to the band, so we can try new paths with the possibilities opened by Faces of the Bog, which knows how to make good use of the more crooked, “pessimistic” and heavy ways and also good introspective rmelodies with a great tempo and good solos. Troy and Mark make a amazing work with this partnership on vocals, providing a opportunity to harsh and clean walk side by side in a remarkable path.
To end the job, another long track following the example of “Ego Death”, the amazing “Blue Lotus”. Now with over 11 minutes. The track is another element to add to the certainty that the guys know very well how to realize the correct management of their composition capacity and creative power, developing songs with longer durations that don´t fall in the doldrums and in the sense of fatigue.The song begins soft, atmospheric, with sparse touches here and there gradually composing a kind of “astral plane” to where you are taken and left in a trance, not knowing very well when the soft breeze will become a storm. After almost 4 minutes early is that Troy’s vocal comes to bring again the harbinger of the storm, going from calm to angry with Mark in a matter of moments, but neverthelessthis song is one that develops more quiet and cathartic, without large doses of weight or violence, creating a slightly more peaceful outcome to an album whose essence is the weight and the emotional charge. Just there for the final minute is that we have a lease for a moment of chaos and brutality, creating the ending of another amazing song.
Faces of The Bog is a band that brings as “welcome card” a great and solid album full of good references and well mature. The seven tracks carry that feeling that nothing was missed in a matter of listening enjoyment, with various elements of Sludge,psychedelia and doom metal composing a powerful musical panel. It is even hard to believe it’s only the first work of the band, for me. It seemed more something like “a great new job of a very mature band with several good previous releases”, not just the first shot of a band with no long existence. One of the most joyful revelations of the year to me!

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